11.04.2012

A Agnes, pois hoje me recordei dela e chorei


Passo tanto tempo de minha vida esperando por algo, alguém, que não reconheço o bem que me está tão próximo. Crio fantasias, realmente, que preencheriam um livro mas ninguém quer saber de minha vida. Ninguém quer saber de nada, a não se de si mesmos. Não há como discordar pois se não é o que eu mesmo estou fazendo neste momento exato?

Viver por buscar difere de viver para achar o que busca. Pode parecer semântica ou qualquer outra figura de linguagem que a gente acha que não existe mas que nos pega de surpresa numa prova de concurso público, mas não o é. É a mais pura verdade. Existem aqueles que não vivem para si e sim para os outros e aqueles que vivem sugando o que estes primeiros passam a vida por fazer.

Falo isso porque hoje, numa conversa com a maternidade, eu chorei ao me recordar de uma grande amiga (que já mencionei aqui antes) e o quanto ela fazia pelos menos afortunados que ela. Nota: Ela era a pessoa mais pobre que eu conhecia na época e ainda assim havia piores. Havia aqueles que nem perto da presença dela estavam e estes eram considerados desafortunados. Ela era doce, suave, plácida, cálida e justa com os carentes porém brutalmente manipuladora - do jeito correto - com os que pressionavam o sistema e faziam de seus filhos, pobres miseráveis incapazes até de se levantar para comer ou rezar. Ela era uma Leoa que protege sua cria de tudo e de todos. Quantas não foram as vezes que ela me protegeu, inclusive de mim mesmo, parando tudo o que fazia para sua dedicada atenção. Lembro-me até hoje de todas as palavras que ela me dissera. Todas. Lembro-me das noites que passei com ela, nas ruas, alimentando os que não podiam sequer erguer os braços para levar o talher à boca. Lembro-me de, com ela, cobrí-los do frio assustador que mesmo uma terra quente pode propor durante uma noite. Cada pessoa que a ouviu estava ao meu lado, pois eu também a ouvia. Cada pessoa que a ajudou, me ajudou. Cada pessoa que a magoou ou se desfez de sua figura miúde e simples, bom, ai ela tomou para si, não me deixaria revidar. Eu era, para ela, como um filho e ela como uma mãe para mim, apesar de tudo. Ela sabia de minha vida por completo e me aceitava, sabia das minhas responsabilidades e deveres e nunca cobrava ou era parcial. Nunca pediu mais do que podia para seus filhos e tomava todas as dores deles, incondicionalmente. Nunca ousou erguer seu punho para repreender e nunca rezou para o seu deus pedindo, somente agradecendo pela força que ela tinha e principalmente, nunca se queixou do que carregava nos braços. Nos setenta e dois anos que andei com ela, nunca a vi se queixar.

Por metade de uma década eu temi por ela, quando ela começou a se perguntar o porquê de tudo aquilo. O porquê do seu deus deixar nas mãos - que ela considerava - frágeis o destino de tanta gente. Ela mais que qualquer um outro tinha este direito. O que a fez voltar? Estigmas. Não os estigmas violentos e absolutos que outros viveram, mas um certo tipo de estigma que não pode ser visto porque ele nos toca no coração. Teologicamente, falamos de estigmas como as feridas que um senhor chamado Jeshua, Filho de Marian e Yussefei sofreu, antes de se tornar o rei dos judeus e criador de uma nova fé. O estigma que falo é, sendo ela criada dentro destes preceitos, saber o que é estar como seus adversários: Fora da Luz, Fora da Fé. E quando ela viu que não poderia viver sem ajudar, sem se doar, ela voltou para nós. Nunca a julguei e ela nunca seria punida, enquanto eu estivesse existindo. Ela passou sua vida dedicada a nós e aos humanos, nunca diferente e isso a tornou uma Santa antes mesmo da autoridade máxima de sua Fé a declarasse pois, nos céus, ela já era tida como uma mulher que obliterou todos os seus limites e merecia seu lugar à direita dos Tronos Celestiais.

Bom, para quem não a conhece, não importa. Importa para mim ter vivido com ela, ter vivido para fazê-la feliz e protegê-la pelo pouco tempo que ela teve, importa o quanto eu aprendi com ela, sobre homens, mulheres, crianças, ervas, preces, medos, anseios, Fé e principalmente, Amor. É o que ela mais me ensinou e o que mais me cobrou espalhar. Ainda nos dias de hoje me pego falando com ela, mesmo sabendo que ela não pode mais me ouvir. Sua estadia nos Céus está povoada ainda de cuidados e ainda existe muita gente para ser salva em seu nome, em todos os cantos do mundo. Só que, existem momentos especiais, em que eu sei que ela está comigo. Quando sinto aquele aperto abraçado, aquele aroma de bondade misturado com temperos, curry e alfazema. Quando sinto que o amor me preenche e que eu estou caindo, ouço aquela vozinha calma e tenra me dizendo "tenha fé, meu filho. Tenha fé porque o que você passa não se compara ao que os sofridos passam. Tenha fé porque eu tive e eu a ensinei a você. Tenha Fé e sobretudo tenha Amor. Tenha amor para discernir o que te faz bem e amor para não corromper-se mais ainda com o que te faz mal. Não espalhe sua felicidade, mantenha-a para si, ela só pertence a você. Porém, seria um crime não espalhar a bondade que a sua felicidade te causa. As pessoas não precisam de motivos para serem felizes, nem para ajudarem uns aos outros, apenas precisam ser elas mesmas e tudo virá". Com estas palavras eu me tornei o que sou, Abdiquei pela Quarta Vez. Não compreendi ainda o que significa o amor puro que ela me ensinou, infelizmente, e agora não a tenho mais tão perto. Confesso que ainda guardo rancor em mim, obscurecendo parte de min'alma e sei que ela não estaria feliz se pudesse me ver assim. Tenho vergonha e medo de desmerecer tudo o que aprendi. Mas é que as coisas andam tão confusas e complicadas e fugidias e tristes para mim. Eu já não sou o que ela conheceu mas conseguirei voltar ao bom estado, à boa maneira. E ela, sempre estará presente no meu coração, onde quer que eu vá.

Muito obrigado, Agnes, por tudo o que você me ensinou e pelos momentos que pudemos estar juntos. Muito obrigado pelo tempo que me ouviu, pelas noites que passamos de canto a canto da sua terra, ajudando os mais necessitados. Muito obrigado, por nunca ter medo de mim e nunca ter me pedido para ser maior do que os outros, nunca ter me pedido um desejo ou se engrandecer. Muito obrigado, अम्माँ. Muito obrigado, Matti, Mamadi, Ambika, Madre.


11.01.2012

A consequência de uma Alma partida


Tenho sido um tolo ao acreditar nos sentimentos vazios de amigos descartáveis. Não passam de subterfúgios para minha sub-existência infundada. Confesso que sei que o erro começa em mim, por permití-los. Normal, quem não quer ser aceito na data de hoje? Quem não quer saber de verdade como é viver na Luz? Principalmente para alguém que se alimenta da Noite como eu.

O que mais me incomoda não é permití-los, e sim nunca esquecê-los. Não consigo, mesmo quando sei que devo. Muitos me magoaram, muitos me devastaram e muitos me fizeram optar pela morte definitiva. Por apenas quatro deles eu Cai na Abdicação. Supliquei pela Abdicação, in veritas. E no final, não valeram uma pena lançada à fogueira. Mas, mesmo sabendo o quão mal eles me fazem, eu ainda suplico. Protejo-os sem que saibam, velo por eles, velejo além-mar para vê-los, incógnito nas sombras como sempre fora.

Ai vem o outro lado que meu grande e verdadeiro amigo, A Estrela da Tarde, sempre cita: "- você os perde porque não os deixa conhecê-lo.". Ele tem razão. Não posso deixar. Houve um tempo em que as raças se mesclavam e destas uniões grandes formas nasceram. Este tempo se foi, há muito tempo e não há mais nos dias de hoje esta subjeção.

Talvez, como um Serafim, eu assuma várias formas. Formas que me comprometam, formas que me beneficiem, formas atemporais. Mas a maior parte do tempo sou realmente sem forma. Vivo em Tempo e não em Espaço.

Outro dia, um 'amigo' diz que eu vivo uma Fantasia. Mal sabe ele que o que crio é a mais pura e condensada verdade e que esta verdade, assim como a Noite, é a única coisa que pode me fazer continuar existindo. Está ai mais um dos males do ser humano: a descrença nos seus deuses. É a reafirmação que sempre coloco em questão: mostrar-se 10% para que não vejam os outros 90% e que, ainda, considerem dos 10%, 2% real. É nossa vantagem, o ser humano não crê nele mesmo e sempre acham-se maiores e melhores do que os outros, porque não aproveitar esta enorme fraqueza para nos colocar de forma evidente em seu plano? É a melhor ideia que um Ancião já teve, acho que começou com o deus dos Hebreus.

Nos incluir em sua história, em sua existência, em seus medos e seus maiores desejos como algo intangível quando, na verdade, estamos sempre entre vocês. Evidentemente, mas que, com seus olhos sujos e auto-reflexivos, não nos vejam e continuem a sonhar conosco. É um prazer criar esta fantasia real, a não ser quando o próprio criador se deixa levar por ela, como eu fiz. Não soube delimitar até onde eu poderia chegar e acabei indo longe demais. Assumi seus sentimentos, suas fraquezas, sua falta de virtude e elevei ao expoente máximo que minha raça permite. Me tornei pária, fraco e decaí. Não somente por amor mas por vaidade. E a vaidade me consome feito o fogo que temo, mesmo sendo agora, mais forte que ele.

Acho que me desviei do assunto principal.

Enfim, eles vem e vão. Eu fico. Um poeta pobre disse uma vez "Eles passam por mim. Eles deixam algo deles e levam consigo algo meu." Talvez se referisse à bebida ou sexo, eu assumo como Alma. É como acontece. Eles levam parte de minha alma consigo. Por menores que sejam, por mais humanos que sejam, medíocres, mentirosos, sujos, criminosos e descrentes. E eu na minha posição, ao invés de esquecer, mantenho na recordação cada mácula, cada ferida. Peso cada uma das penas que não tenho mais porque cedi, para seus desejos. E adivinhem, eu estou mais sujo do que todos eles juntos.



Sinto falta do tempo que não havia mais ninguém no mundo, apenas nós, vagando sem forma e criando..

10.24.2012

More than me, inside


Preciso parar de ter piedade de mim mesmo, ainda que the darkest color me caia bem. Preciso parar de recordar, daria tudo para esquecer aqueles doces momentos que, agora, rangem em minha mente que se torna insana even day. There is no more pain to guess, no more rules to accomplish. There is nothing inside, like ever was. Inner, just the sadness and the youth to kill. The grave, The most beautiful grave waits me avec la desillusion.


It is so funny how could be the taste of inglory is so sweet. I am losing everything, including my sanity.


Alfabeto Simpático - um pouco de Magia Oriental básica


Bom, mesmo sendo um Trimegisto falarei um pouco sobre algo de Magia Natural, básica, cultivada pelos celtas - incluindo este ritual. Pouco significativo, eu acho, mas eficiente. Afinal, nos tempos atuais quem se importa com o que o outro pensa ou sente ou vê, mesmo o chamando de 'amor'?

O Alfabeto simpático foi criado em meados de 4000 a.c. por um egípcio que havia conhecido a Alta Magia diretamente com os deuses e, como sabemos, a escrita era algo novo e com muito poder para este povo primordial. Este sacerdote, descobrindo o poder que a escrita e a palavra continham, desenvolveu o ritual. Falando praticamente, trata-se de escrever o nome de outrem com uma agulha virgem, banhada em sangue de um pombo imaculadamente branco, em alguma parte do corpo. Rasgar mesmo, não só forçar com a ponta, quase como uma tatuagem macabra com a diferença de que no Alfabeto, o que se escreve não permanece visível. A partir do momento em que se escreve o nome do amante (ou do inimigo, já vi isso acontecer para que, numa batalha, um dos adversários tenha vantagem por sobre o outro conhecendo suas táticas) vocês passam a ser um só, lógico, o feiticeiro que escreveu em vantagem pois pode sentir o que o outro sente sem ser recíproco. É uma técnica que pode ser empregada inconscientemente, mas para que seja efetiva, precisa ser seguida à risca. Pode-se ter mais de um nome escrito no corpo mas não aconselho, afinal, a exacerbação de emoções pode ser letal.

Este é o meio de se fazer. O único meio de desfazer o ritual é com a morte de um dos lados - óbvio, geralmente do escrito. Um feiticeiro capaz de usar o Alfabeto também poderá superar a morte. E mesmo com a morte, pode ser que o Alfabeto continue intacto em poder se for 'amor verdadeiro' e o que pode se tornar perigoso.

Como Trimegisto confesso que já gravei nomes em meu corpo. Confesso ainda que, pela minha indiferença, pude ter mais de um nome gravado - e ainda os tenho. Mais, usando da Alquimia, evolui o Alfabeto e o tornei sanguíneo. Algo que só eu terei, para sempre. Algo que aflora de tempos em tempos. Algo que, ao longo destes quase seis mil anos, me deixaram insano e ausente. Por que para todos e todas que amei, algo de mim partiu com eles e principalmente algo de cada um deles, ainda está comigo.

Não recomendo este ritual. Falei dele pois precisava falar sobre como se perder em meio ao caos que existe hoje em dia de amores corrompidos e dessabores. Principalmente não aconselho a pobre humanos que não conhecem a Magia como deveriam.



"A Magia é para todos mas nem todos são para a Magia." - sinto falta do meu amigo Abdul Alhazred.