Começo agora a dizer palavras insanas de um coração corrompido...
Eu assumo que havia prometido não me apegar, mas não pude cumprir. Todo e qualquer mísero sentimento (chamo de mísero pela intenção e não pela intensidade) me trás à tona uma verdade absoluta e oculta: eu, como outrora homem, preciso de afecto.
Como se não bastasse, as imagens ainda me povoam a mente. Toda aquela Felicidade, Carinho, Consideração, Tudo explicitamente convocado, desde o começo, os planos, a dedicação, a vontade, a realização e por fim a concretização do que eu mais temia. Eu errei quando comecei isso desta forma, mas não quero redimir este erro encerrando meu trabalho. Preciso é manifestar de outra forma este empenho que ainda sinto em fazer com que tudo dê certo.
É deveras irracional pensar assim, agora, a esta altura mas não há outra forma. Não há mais músicas no mundo que aplaquem minha Fúria e nenhuma Graça ou Górgona que me mantenha inerte. E mais, é um fardo que eu decidi carregar sozinho.
Tu, em teu castelo, não sabe o que os imortais passam enquanto este vosso mundo prolifera gentilezas inescrupulosas e toma teu feito como simplório, não imaginando como isso pode ter impactado no coração pedregoso de uma alma pesada e insana como a minha. Tu, em teus trejeitos, não compensa qualquer intervenção que possa ser gerida ou que tenha sido coagida para os teus próprios méritos. Tu, em tua abstracção de sentimentos, não compromete-te a amar ainda mais a um desconhecido, tido como a criatura "mais incrível que conhecera". Tu, em tua distância dita segura, não recebe - ou não se permite - que meus hinos e louvores possam acalentar vosso coração confuso e reprimido. Tu, com tua obsoleta vida, não toma as rédeas e controla tuas atitudes, disciplina equívoca és o que segue e talvez tua mente liquefeita não admita a própria Felicidade desde que não esteja acompanhada com os ícones que conhecera e aprendera a assumir pra si.
Por um momento, pareceu-me reconhecê-lo de um passado breve. Tua alma, tua marca, teu corpo, tua intenção, tua vontade e tua subtil intensidade. Teu jeito temerário e desejoso de mim.
Neste exacto momento preciso controlar-me para não exagerar nos ditos e feitos, antecipando qualquer atitude ou me perdendo em caminhos desconhecidos. Todos os deuses conhecem minha atemporalidade e todos a temem. Eu mesmo a temo.
Poderia discorrer sobre tudo, a começar da criação e terminar na sua volta. Mas não devo, atento-me ao fato que narro.
Eu preciso de você. Não para constatação mas para minha própria segurança. Comentara sobre meu porto-seguro? Ele não existe. Melhor, ele sou eu e minha real distância do que persigo.
Eu realmente preciso de você.
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