5.15.2013

Credo do Samurai


Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus país.
Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa.
Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino.
Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão.
Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos.
Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.
Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão.
Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos.
Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.
Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei.
Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha estratégia.
Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projetos.
Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.
Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática.
Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos.
Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga.
Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo.
Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura.
Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo.
Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada.




5.13.2013

Teresa, do sorriso aparente


Preciso expressar minha fascinação, hoje, ao completar um projeto iniciado há aproximadamente seis dias: CLAYMORE. Trata-se de um anime (desenho animado japonês) com uma história peculiar sobre guerreiras eliminando demônios que se alimentam de vísceras humanas. Até então, nada absurdamente diferente do que se encontra na literatura costumeira asiática de vilões versus super-heróis. Porém, minhas considerações farão a transgressão necessária para que, por fim, eu possa dizer que me encontrei.

A indicação veio de uma pessoa muito preciosa para mim e que, nestes mesmos seis dias, vêm tomando um enorme espaço em meu coração - espaço este que eu havia encerrado quando da última perda. De primeira não havia dado a notória relevância até que, por inicial força do hábito obsessivo, acabei cedendo. Os primeiros episódios (de 26 no total até agora desenhados) me decepcionaram no contexto do que eu já conhecia, por ser um aficionado pela cultura asiática, em especial a japonesa até que esta personagem apareceu: Teresa do sorriso aparente (微笑のテレサ, Bishō no Teresa, lit. "Smiling Teresa"). A melhor guerreira, número 1º da organização, sóbria, digna, poderosa e em simultâneo, distante, solitária, ausente, rígida, austera. Conhecida por "sorriso aparente" pois mesmo em sua posição, sempre era vista com um sorriso leve estampado na belíssima face. Não um sorriso de ostentação ou superioridade explícita, mas um sorriso humano, contrariando sua particularidade. Instantaneamente me apaixonei pela imagem. Logo, pela personalidade. Havia ali uma estranha semelhança comigo mesmo, algo que eu ainda não tinha visto acontecer. E mais, ela porta o nome da minha mais preciosa amiga de todos os tempos que, pelo que observei, é aleatório pois todas as guerreiras do anime tem nomes de santas católicas ocidentais. Justo esta, minha alma gêmea, teria o nome da minha melhor amiga.


É bastante simples. Minha razão é simples de se entender. Encontrei uma razão para viver. De hoje em diante, viverei por ela. / Teresa
Continuei acompanhando a história de Teresa, quando ela protegeu uma vila eliminando seus demônios e uma certa menina a seguiu, agradecida pela sua salvação. A menina viria a se tornar sua protegida, filha, amante e amada - Clair. Teresa era, em essencial, eu mesmo espelhado. Nas suas atitudes, seu jeito de falar, de andar, de agir, de evoluir. Sua força, sua necessidade de companhia, sua ligação com a humanidade perdida. Ela era, invariavelmente, eu. E isso assustou-me deveras! Não podia mais me ver da mesma forma que antes, após conhecer Teresa. Nossas fraquezas eram semelhantes, eis o absurdo. Até nossos olhos prateados. Entendo, como mente intelecto são que animações são frutos de uma imaginação criativa indiferente e que os contextos, mesmo que por vezes espelhados numa realidade, neste caso jamais a realidade poderia ser a minha mas, como nunca, poderia ter caído tão bem. O que me fascinou além da semelhança fora a forma como a conhecera, de todos os lugares do mundo e de todas as pessoas do mundo eu conheci a mim mesmo, exteriorizado.

Não herdei portanto um complexo narcisista de paixão, não, apenas reconheci-me e isso me fez apaixonar. Não pela posição, pela representação de Teresa, mas pela pessoalidade que ela empregou e, mesmo que de forma lúdica, consegui me enxergar. Fascinado fiquei. Fascinado estou.


Adotei seu título para carregar comigo, até que ele esteja também estranhado em minha essência. Pode parecer insanidade ou infantilidade até, mas, a melhor forma de autoconhecimento sempre será a exemplificação das nossas qualidades e defeitos para que os corrijamos, intrinsecamente, quando se pretende evoluir. Logo, de agora em diante, serei Lean do sorriso aparente. E que isso me baste!