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11.02.2013

Dia Dois - Sonhos


Estávamos meu avô e eu, o que eu perdi há aproximadamente nove anos, sentados em um sofá. Ambos ríamos, ele me contava algo, parecia quarenta anos mais jovem (ele falecera aos setenta e seis anos de idade). Acordei com meu terço de prata embolado na mão esquerda, sem saber como ele fora parar lá.

∞

Havia uma grande sombra negra, alada, seis pares se não me engano, bem defronte a mi. Elevada, a uns seis pés de altura, enorme, exaltada, ameaçadoramente infringindo em mim, medos. Por um instante eu cedi e encolhi, mas, recobrei minha essência e ascendi à mesma altura, desgarrei meus trinta e seis pares de asas cobertas de olhos e encarei a sombra. Ela não parecia tão assustadora neste momento. Ela vergou suas asas, como uma concha e se tornou etérea. Eu a assombrei quando verguei as minhas ao máximo e por um instante parecia que do espaço se veria a sombra que eu causei graças a este esforço. A sombra se fora, eu retornei a mim.

Despertei.

∞

Estava em um campo aberto, com o chão coberto de barro e lama, uma dama loura, alta e elegante falava comigo sobre alguém ao mesmo tempo que me encarava e intimidava. Era a Morte. Não a figura da morte, encapuzada e esquelética. Era a Lady Morte, a que fora criada pela mão dEle, antes de tudo. Ela portava uma foice de cabo preto e lâmina prato-cristalizada, falava comigo no nosso antigo idioma e não me ameaçava diretamente. Falava comigo sobre um homem – que supondo eu deveria conhecer – e aconselhava-me sobre ele. Recordo do nome mas não crio expectativa de saber quem é, o único homônimo que conheci jaz há alguns anos e era um dos meus melhores amigos nesta vida. Lembro que num acesso dela, por eu não reconhecer, decidiu um duelo. Ela com sua foice, eu com uma extremamente semelhante, como uma sombra, apenas sem o brilho e a magnitude da que ela própria portava.

Ela estancou para cima de mim, desviei, ela sorriu. Dissera algo sobre eu não haver mudado muito desde “aquela época”. Novo ataque, novo recuo meu, nossas foices se encontraram e o ruído abriu uma tormenta no chão de barro e lama. Ela, se aproveitando da distração, se mesclou à sombra, no chão e tentava me imobilizar. Ciente e destro, usei o bico da lâmina prato-fosca da minha foice para pregar aquela sombra ao chão e foi onde eu venci. Selei sua sombra, com a ponta da lâmina.

Não havia mais foice, a Lady estava defronte a mim, sorrindo, me incitando a recordar do nome e fazendo uma reverência como quem termina um duelo.

∞

Estava com uma vassoura em mãos, percorrendo meu apartamento novo. Não recordo se a vassoura estava fazendo o seu trabalho, mas havia uma quantidade de insetos razoável.

Acordei perturbado.


10.15.2013

Angels - The XX



Light reflects from your shadow
It is more than I thought could exist
You move through the room
Like breathing was easy
If someone believed me

They would be as in love with you as I am
They would be as in love with you as I am
They would be as in love with you as I am
They would be in love, love, love...

And everyday
I'm learning about you
The things that no one else sees
And the end comes to soon
Like dreaming of angels
And leaving without them
And leaving without them

Being as in love with you as I am
Being as in love with you as I am
Being as in love with you as I am
Being as in love , love, love...

Love, love, love...
Love, love, love...

And with words unspoken
A silent devotion
I know you know what I mean
And the end is unknown
But I think I'm ready
As long as you're with me

Being as in love with you as I am
Being as in love with you as I am
Being as in love with you as I am
Being as in love , love, love.


Havia uma unidade disposta a partir


Havia um jovem que, certo dia, decido revelar seu mais precioso segredo, resolvera juntar seus entes queridos em uma reunião para isso. Convocou mãe, avós, irmãos, primos mais próximo, tios e tias e animais de estimação que eram considerados parte da família. Fez isso numa tarde de quarta-feira do Oitavo mês do calendário gregoriano – como exigia a regra (?!) estipulada pelos antigos escribas. Todos reunidos, sem expressarem a curiosidade evidente para a ocasião, estavam lá, aguardando. Passava pelas suas mentes revelações de cunho sexual, matrimonial, profissional, residencial mas nunca poderiam supor que seria deste nível.

Lá estava ele, chegando alguns instantes antes do que havia programado – beirando às dezessete horas daquela quarta-feira daquele Oitavo mês – com uma calma ímpar que não lhe rendia honra. Ele chegou, cumprimentou a todos e disse-lhes que estava honrado em recebe-los todos para sua declaração. Todos se entreolharam mas não ousaram arriscar as ideias. “- Bem” – Ele disse – “- É hora então de lhes contar o porquê de tudo isso”. Ainda dentro da sua calma ímpar ele o fez.

Dirigindo-se ao centro da sala, afastando os objetos próximos, ele cerrou os olhos e a energia oscilou. Havia uma tensão no ar, algo estático, que eles não compreendiam. Logo, uma luz o envolveu e cegou a todos momentaneamente. Do foco da luz, quando amenizada, surgia dois pares de enormes asas tão alvas quanto cálidas, de uma imparcialidade nunca dantes vista. Não se pareciam com asas de gaivota ou de falcão ou de águia ou de pássaro algum. Enormes asas, que preenchiam o espaço e aterrorizava quem estava observando. Metade dos espectadores altercava entre o choro e o desespero, uma parte louvava a seu deus nas alturas e uma parte simplesmente entrava em choque. Avô e avó jubilavam pela glória do senhor das nações, a mãe chorava em desespero, as tias apenas encaravam atônitas, as crianças sorriam e o que estava surgindo os contemplava. Ainda desabrochando as asas, entre a luz, ele observou para que não as tocassem. Perceberam então que a unidade que saia da luz era ele e não era ele, era algo diferente mesmo sendo ele, havia sua presença mas ela era irradiada mais além, havia também uma voz latejando em suas mentes. A roupa dele mudara para um conjunto de tecidos quase tão brancos como suas asas, porém menos etéreo. Havia uma coroa alojada em sua cabeça também, feita de luz e semblantes encrustados no ouro.

Elevando suas asas então, ele sorriu para eles. Disse-lhes que ainda era o mesmo que eles criaram, mas também era criatura do Altíssimo. Moldado por Ele, lá em cima. Antevendo seus avós – religiosos – ele disse quase num tom brincalhão que era ele a quem Ezequiel viu e descreveu, mas de uma outra maneira. Pela surpresa, seus avós hesitaram e ele, recitando as nobres palavras do profeta mostrou-lhes mais.

“Olhei e vi uma tempestade que vinha do norte: uma nuvem imensa, com relâmpagos e faíscas, cercada por uma luz brilhante. O centro do fogo parecia metal reluzente” – E se dirigia aos presentes – “Assim eram os seus rostos. Suas asas estavam estendidas para cima; cada um deles tinha duas asas que se encostavam na de outro ser vivente, de um lado e do outro, e duas asas que co­briam os seus corpos.” – E ao dizer isso, ainda mantendo uma distância segura, evocou mais um par de asas de seu dorso. A surpresa de antes ainda era a de agora, ao perceberem que ainda havia mais mistério naquela unidade. Logo, postado com quatro asas semiabertas, no meio de uma sala entre sua família, ele sorria-lhes com os olhos. “Quan­do os seres viventes se moviam, elas também se mo­viam; quan­do eles ficavam imóveis, elas também ficavam; e, quan­do os seres viventes se elevavam do chão, as rodas também se elevavam com eles, porque o mesmo Espírito deles estava nelas.” – E então evocou mais um par de asas: seis ao todo, todas brilhando e tremeluzindo, desassociando até a luz elétrica presente.

Havia um desespero entre os presentes, apenas a unidade parecia incontestavelmente segura de si. Tratou então de explicar-lhes o motivo, dizendo que era planos dEle que ele viesse mas que estava na hora de voltar, por isso, achando por bem trabalhar com a verdade e por amá-los, se expôs. No seu íntimo sabia que logo eles esqueceriam dele, como a regra também diz, mas resolvera arriscar. Dizendo isso, encolheu as asas e disse-lhes que poderiam tocar se quisessem, para comprovar que ele era real – como se necessitasse, depois de tudo. Explicou-lhes que era da Falange dos Serafins, anjos de fogo, que trabalham diretamente com o Elo e por isso os seis pares de asas. Contou-lhes que, mesmo entre eles, ele era especial. Era o braço direito dEle, um escriba e retalhou o assunto dizendo que era ele quem escrevia o Verbo. Seus avós entenderam a essência, os outros não. Contou-lhes que as asas eram sua ordem e sua arma e que são mais quentes que o sol por isso só tocariam com a permissão dele. Falou-lhes da sua idade, parte do que podia fazer e omitiu muita coisa mais.

Não havia ainda uma calma, uma tranquilidade, porém estavam mais conscientes e isso bastava. Havia choro e lágrimas, que logo seriam confortadas. Falou então da sua intenção, dizendo que uma das magnitudes da sua Falange era que, para cada pena de sua asa, havia um desejo e que entregaria uma pena para cada, para seus próprios desejos. Logicamente houve um desconserto entre eles, duvidando entre o que viam, o que imaginavam e o que poderia de fato ser real e palpável de tudo. Explicou-lhes detalhadamente que, conjunto a estes desejos, havia a responsabilidade do anjo, logo, caso desejassem algo mal esse mal seria revertido em culpa para ele. Isso, ainda nos dias de hoje, é a única coisa que pode macular a integridade das asas de um ser angélico. Havia o burburinho comum, esperado de fato, com os pensamentos voltados aonde conseguiriam ir. Nestes casos (não vou excluir os presentes disso) sempre o primeiro pensamento é a riqueza, nunca entendi o porquê. Deixou-lhes pensar durante alguns instantes, enquanto respondia superficialmente as perguntas como: então isso explica tudo, não?

Passado o tempo, ele se voltou a eles. Haviam oito pessoas entre eles – os que puderam estar presentes, havia uma intenção de repetir o fato ao outro lado da família naquela mesma noite – todos a família mais próxima que a unidade tinha. Oito pessoas: avô, avó, mãe, duas tias, irmã, primo e prima. Oito penas foram recolhidas da asa que estava mais próxima. Notaram que, para cada pena tirada, não havia sangue ou mácula ou espaço aberto. Era como se a asa fosse uma entidade em si, se mantendo. Chamou um por um para concretizar o que havia prometido. Seus avós foram os primeiros, desejaram – como matriarca e patriarca de uma grande família – sabiamente, a saúde de todos, inclusive a própria. Neste momento as duas penas sumiram e com elas toda fragilidade e doença que haviam em seus corpos, desaparecendo também todo conhecimento de como elas foram adquiridas. Deixando claro: o pedido era simples e a responsabilidade enorme, não haveria como oferecer a imortalidade quando se priva das doenças. Eliminar doenças existentes é um grande feito mas tornar os humanos imunes é ousado demais. O que havia foi eliminado por milagre mas não podemos simplesmente dizer que de agora em diante não precisarão se preocupar. Imaginem pessoas se jogando na frente de veículos sabendo que não podem morrer ou sendo descuidados com a saúde porque sabem que não podem adoecer. O desejo da mãe era mais detalhado, ela pedia a saúde da filha, do esposo, dos parentes e que a vida financeira desse certo e, neste momento, a unidade disse-lhe que, por estar deixando esse mundo, todos os bens que ele possuíra seriam passados a ela, ou seja, uma enorme quantia em dinheiro que seria suficiente para que não trabalhassem pelos próximos cem anos além de suprir todas as necessidades básicas e até moderadas de conforto. Novamente, não há como explicar a riqueza espontânea aos outros mas, ao saberem de um ente querido trabalhador e justo, que partira, a herança era algo previsto. A primeira tia pediu pela saúde do filho, do esposo e da família, além de que os planos fossem sempre observados para que dessem certo e que houvesse consenso na família. A saúde já estava prevista e a unidade disse-lhe que intensificaria a proteção da guarda dele, para todo o sempre. Tudo o que quisessem, se desejado de bom coração, seria deles. Seja o que fosse, bastasse a boa intenção. Também aqui, algo relativamente previsto. A próxima tia desejou que sua vida matrimonial voltasse a ser como antes, ele disse-lhe que o passado não pode ser desfeito mas que há um futuro pela frente. Que ela deveria batalhar pela filha e por si mesma, como um conselho. Ela não aceitou, queria o que julgava ser seu. A unidade tentou reconsiderar, mostrando-lhe como seria caso insistisse. Ela acatou, então a unidade deu-lhe o que ela amava. Ela não se importava com riqueza ou bens, apenas com sua perda. A unidade, ciente, disse-lhe que no dia em que ele encostasse-lhe a mão, ele seria fulminado por mil estacas porque estaria indo contra o primeiro pedido – o da saúde – e se ela arriscaria. Ela arriscou e então a unidade lhe disse que no dia seguinte o seu antigo consorte a procuraria. A prima desejou apenas felicidade e sim riquezas. A unidade disse-lhe que, quando se tornasse maior de idade, ganharia uma recompensa inesperada e que – até lá, seria responsabilidade de sua mãe e, como ela não pediu riquezas, seria como sempre foi mas que, quando respondesse por si teria tudo o que quiser. O primo desejou riqueza também e, por ser já maior de idade, a unidade disse-lhe que ele seria rico e aconselhou a saber usar o dinheiro ou o mesmo mal o arrastaria de volta. A irmã, a última em que a unidade havia depositado esperança, recusou o desejo pois disse-lhe que todos já haviam pedido o que deveriam pedir e que ela estava satisfeita com o dinheiro que chegaria.

Assim, as oito penas foram usadas em prol do bem maior.

Eles não notaram que a unidade parecia recolher-se em si, enquanto pediam. Ele apenas observava, com suas asas encolhidas farfalhando, aguardando e explicando desejo por desejo e como faria acontecer. Por fim, ele disse que precisava se tornar homem novamente, recolheu as asas para si, com a calma já quase instalada entre os presentes, e que precisava descansar. O clima etéreo e fantástico se encarregava de fazer com que todos achassem que estavam em um sonho ou algo parecido então boa parte das explicações eram desnecessárias. Disse-lhes a unidade que repetiria o gesto, pelo outro lado da família pela justiça uma vez que também o criaram mas que eles não se lembrariam do que acontecera ali de uma forma clara. Todos os desejos iam sendo realizados e eles saberiam o porquê, mas não conseguiriam contar a história adiante e aquele jovem, que pertencia a família, seria tido como alguém que se foi apenas. Parecia que todos estavam cientes disso. Logo, a unidade recolheu suas asas e se tornou o mesmo homem que chegara ali algumas horas antes. E então notaram que haviam lágrimas de sangue em seus olhos, que transbordava. A visão causava dor e constrangimento, culpa, remorso e náusea. Sua avó perguntou-lhe se “aquilo” significava que ele estava chorando e ele assentiu. Todos imaginavam a dor que ele poderia estar sentindo por ter de partir.

Ele concordou que chorava por esta dor, porém como que, usada pelo Santo Espírito, sua irmã interveio. “- Espera ai, você precisa mesmo ir embora?”. A unidade disse-lhe “- Se algum de vocês tivesse desejado que eu ficasse, eu poderia ter ficado”. E partiu.

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3.08.2013

Momentos e o que se esperar


"Havia um tempo em que eu vivia um sentimento quase infantil."

E não foi há tanto tempo assim, na verdade, ainda estou neste tempo. Como pude imaginar que acabaria assim? Depois de todos os incentivos, desejos, repreensões, olhares, conversa, mensagens. Pude acreditar que haveria alguma espécie de sentimento, mesmo que ainda florescendo, e que pudesse ser despertado e que tudo ficaria acertado. Engano.

Ele não está pronto, não é seu momento.

Me enganei ao pensar que humanos se atém à coisas maiores, que estão dispostos a enfrentarem a si mesmos se necessário e que poderiam viver uma vida mesmo após tudo o que passaram. Ou talvez tudo isso seja uma prova de que meu tempo ainda não findou. Esperar? Esperá-lo? Esperar-me? Por quê eu sempre preciso estar disponível enquanto os outros se valem do direito ímpar de, por serem criados à Sua Imagem, optar ou não?

Como Gabriel e Azrael eu os invejo, de tempos em tempos. Pela escolha.


12.23.2012

Homens que são anjos ou anjos que são homens?


 "Do not say you love me. You do not even know me."

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Era manhã de Carnaval. Era noite de Carnaval. De um Carnaval qualquer, que aconteceu há alguns anos. Era manhã, eu acordado mas não poderia sair. Era noite, então, era minha hora - Carnaval é uma das minhas comemorações favoritas, já que podemos ser nós mesmos sem chamarmos atenção. Ao menos no Hemisfério Sul, no Norte temos o Halloween.

Estava eu a caminhar pela multidão, apreciando seu fantástico gosto órfico pela notoriedade, à beira-mar (mesmo sendo impossível ainda tocar água corrente), quando o vi. Lá estava ele, com suas belas asas abertas e blusa de marinheiro, bermudas e chinelos, abraçado à uma senhorita que por sua vez abraçava outro. Posavam para uma foto, lógico. Fantasias, é claro, para eles. Eu sou sempre eu e gosto disso, gosto de ser reconhecido. Acredito que eles não me viram, ao caminhar pelas sombras me torno imperceptível aqueles que não querem me ver. Passei a observá-los com um intenso desejo pelo primeiro 'anjo', era belíssimo como só os reais anjos poderiam ser. Notei que a ele, parecia saber que era observado, mas não dei valor ao caso. Continuei apenas espreitando aonde quer que eles fossem, ora juntos ora separados.

Por um momento, já ao andar de Nyx, ele se desviou do caminho dos amigos para suas necessidades fisiológicas humanas simples, então vi ali minha oportunidade. Over this years, eu pensei. O segui, ainda à espreita e quando ele havia terminado, intempestivamente irrompi em sua frente, rápido como um trovão nórdico, tanto que ele obviamente se assustou. Primeiro com minha chegada e logo com minha aparência. Aos seus olhos, o que eu vestia e usava era, essencialmente, eu mesmo. Havia um estranho dom que o circulava, como se ele tivesse uma premonição mais apurada do que os outros humanos.

Curvei-me em reverência e ele achou engraçado, como se não imaginasse o que era um cortejo. Lógico, homens de hoje não sabem mais o que é flerte ou a corte. Ele tinha um sorriso iluminador, supremo, inocente e talvez este sorriso tenha me feito apaixonar. Como já tinha sua atenção, tratei de me apresentar e perguntar seu nome. Antes que pudesse dizê-lo eu o cortei e disse que não importaria, como no flerte, disse que 'não importava o nome do anjo naquele momento, apenas que ali ele estivesse'. Sentia que o ganhava a cada instante, com cada olhar e cada aproximação fingida ser motivada pela multidão aglomerada.

Convidei-o para um local mais reservado para continuarmos a conversa e ele, espantosamente, aceitou. Deste dia tirei minha primeira conclusão sobre os humanos: Todos eles, indiferentemente do que aprenderam quando crianças, esquecem-se de que não se deve falar com estranhos e menos ainda sair com eles a locais reservados. Tomei-o pela mão e nos dirigimos à uma das ruelas que circundava aquele local. Outro fato curioso sobre o Carnaval é que ele não discrimina. Estranhamente, não repreende. Tampouco acalenta, mas me permitiu beijá-lo ali apenas, à frente de tudo e de todos, sem correr riscos. Não é pelo que conheço do país onde as pessoas são temerosas e desforram este medo com preconceito e ameaças. Em outros países as coisas simplesmente assim, fluem, naturalmente, como se nada estivesse ou parecesse fora do lugar.

O beijei e senti o gosto da vida. Da vida dele, do que ele aprendeu, ergueu, sofreu. Não precisei da petit boisson pra conhecê-lo, apenas desta vez, eu conheci um humano pelo beijo. Tornei a beijá-lo e ele parecia gostar cada vez mais. Como estava hospedado por ali perto (sempre me hospedo em países, à beira-mar. Para me lembrar do que não posso e deixar que a Lenda me mantenha sob um certo controle), convidei-o. Desta vez ele hesitou, mas, com um pequeno empurrão, acabei conseguindo. Saímos então da multidão e adentramos um ambiente de tranquilidade, calma e contentamento elegànce. Em sua mente, ele contemplava e imaginava que tipo exótico de homem rico eu era para me hospedar em um local tão privilegiado e ostensivamente caro e imponente. Ignorei, simplesmente.

A hora passava e meu medo crescia.

Logo, estávamos a nos beijar novamente e desta vez sem o mínimo de pudor já que estávamos a sós. Pensei como era engraçado os homens fantasiarem-se de anjos enquanto os próprios e verdadeiros anjos tentam se mesclar à sociedade feito homens. É como um vice-versa maquiavélico.

O beijava e tirava suas roupas, enquanto tirava as minhas. Logo, estávamos num frenesi de troca sexual e emocional sem nenhum ponto de autoridade imposta. O possui por diversas vezes durante aquela noite curta e dele eu bebi, sem que ele notasse. Quando senti que o meu adversário estava a se aproximar, precisei maquinar uma forma de deixá-lo, mesmo não querendo. Ele seria um lindo exemplo para minha raça e um perfeito Perfeito. Já havia algo nele que sentia a tensão em mim, quando da primeira vez pensou ser observado. Considerei sua coragem ao permitir-me tudo aquilo. Pensei e cheguei à conclusão de que não. Não seria justo tirá-lo de seu mundo sem a escolha. Era injusto comigo inclusive, eu o queria para sempre.

Durante a noite, pelo álcool, pelo prazer, pelo sexo ou pela junção de tudo isso, ele disse que me amava. Eu retruquei dizendo que não se ama aquilo que não se conhece. Ele - ousou - corrigiu-me: aquilo não, aquele. Foi o que me despertou, ele não me via como algo intocável ou perfeito. Talvez ele me quisesse também, como companheiro, para toda a eternidade. Não. Não era pra ser assim. Eu não queria corromper mais um visto o que o último me fizera.

Peguei o telefone, liguei para a recepção, me identifiquei, disse que tinha visitas e que não fossemos perturbados, mas que, ao meio-dia, fosse chamado. Deixei as chaves ao lado da cama, dinheiro (mesmo achando que isso pudesse magoá-lo) e parti pelas janelas. Pulei e cai num beco que, pelo quase amanhecer, já estava deserto. Podia ainda sentir o gosto de orgias, álcool, tabaco e felicidade no ar condensado da quase manhã. Sentia também aquele olhar superior já a me procurar. Numa super velocidade, escalei uma pequena montanha que havia ali perto e na metade do caminho, comecei a cavar com minhas próprias mãos e unhas. Com muitos centímetros de profundidade na sepultura, eu me joguei e fui cobrindo com a mesma terra - precisaria me proteger do dia e dos curiosos.

Então veio o amanhecer.

Minha mente estava com ele, enquanto eu ligeiramente adormecia. Por ter bebido dele, agora fazíamos parte um do outro e pude despertar (sem sair da cova) no momento que ele despertou com um sorriso no rosto, esperando ver-me ao lado. Mas não viu. Procurou-me pelo quarto, pelo hotel, pelas redondezas e nada. Por fim, desistiu, voltou ao hotel e perguntou à recepcionista qual o paradeiro do seu anfitrião. Lógico, a recepcionista não disse nada. Sua tristeza tornou-se palpável e ele sentiu-se usado. Ainda na mesa da recepção, a mulher sentiu pena e o chamou. Disse apenas um nome a ele, para que guardasse em sua mente. Disse que ele era o primeiro que ele trazia até ali, porque ela mesma o acompanhava sempre com o olhar na esperança dele a querer um dia. Disse que havia medo e terror nos seus olhos e que ele tinha uma estranha mania de não ser visto durante o dia, apenas durante a noite. Praticamente o mergulhou em suspeitas e crendices - o que era o certo e mais que verdadeiro.

Em minha cova eu me senti culpado e mais uma vez, um animal. Quis voltar e abraçá-lo, tomá-lo novamente, mas não poderia. Logo, voltei a dormir.

À noite, voltei para o hotel e eis que na entrada lá ele estava. Já sem fantasias e por sorte eu o vi antes de que ele pudesse me ver. Ele regressara por mim, o que eu fizera?

Tomei uma decisão e continuei, quando ele me viu havia uma mescla de raiva e esperança em seu olhar. Parou-me, exigindo uma explicação. Eu apenas não poderia olhá-lo nos olhos, havia me alimentado e ele notaria o embaçamento da minha visão. Fora que eu poderia ainda estar irracional pela fome. Subi até onde estava hospedado e ele me seguia, fazendo perguntas que eu não poderia responder. À porta do meu quarto, decidi. Virei-me, olhei em seus olhos e o enfeiticei. Fiz ele esquecer de tudo o que havia se passado, implantando memórias falsas sobre o que havia acontecido a noite e como ela prosseguira. Eu o perderia, mas era melhor do que corrompê-lo. Fiz. Enfeitiçado, ele apenas voltou para onde deveria estar, entre humanos.

E desde então não o vi mais.

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E desde então não o vi mais... Até que, agora, assumindo uma nova identidade, acabei por encontrá-lo no mesmo ambiente. O que parecia infinitamente impossível - ou no mínimo improvável - aconteceu. Ele ainda não me reconhece mas eu estou, a cada dia, tentando retratar o que fiz, usando esta nova identidade. E testar aquele 'amor' que ele prometera. Se for pra ser, será. Investirei.

Não deixarei que ele seja mais uma letra para minha história. 


"O potente, o amante, o homem viril, são homens bons... bons homens de abraços e passos firmes... bons homens pra se contar histórias... Há, porém, o homem certo, de todo instante: O de depois! "




11.18.2012

Mesa


Para a mesa que nunca consegui preencher de amigos eu digo: Não.

Não porque não há mais amigos como eram antes. Me pergunto o que eu fiz para que tudo isto acontecesse tão repentinamente. Melhor, sei que nasci da união da Estrela da Solidão Fria com a Estrela Desértica, mas não desejei pais como estes. Há algum tempo, digamos uns seis anos, eu ouvia incessantemente que eu era perfeito demais para alguém poder gostar. Tudo em mim era perfeito, da minha voz à minha sanidade. E o que fiz? Nada. Não pude fazer nada a não ser dizer adeus quando fui trocado por algo 'tangível', imperfeito.

Recentemente, ouvi este mesmo 'adjetivo', perfeito demais. Me pergunto o fiz de tão errado para ter de ouvir isso porquê de tão certo não pode ser. A perfeição é algo utópico, acredito que baseado nestes termos sou costumeiramente confundido. Novamente me pergunto, porquê?

O que eu sempre e mais quis foi poder compartilhar tudo o que sou, tudo o que tenho. Hoje mesmo, em conversa, admiti que preciso de um ancião - como eu - para que minha completude seja sanada. Os jovens não sabem o que é persistir, perseverar, permanecer. São impulsivos, autoritários, reclamões. Não estão acostumados às idades que têm e por isso jogam o peso sobre tudo às suas voltas. Os antigos, como eu, aprendemos a canalizar, sintetizar. A viver como a pedra, como a montanha e como o rio. Cada segundo sendo bem apreciado, cada situação por mais banal que pareça ganhar um certo valor. Não confundamos atemporalidade com deslocamento, não, afinal somos mais rápidos e ágeis que todos. Vivemos num mundo que gira tão devagar que podemos correr e alcançar nossos próprios pés marcados no Tempo e nas Areias do Espaço. Mas não é porque estamos em todos os lugares que somos vagos, isso nos torna independentes.

Minha sanidade dependia disso, de ter alguém para compartilhar mais um milhão de vidas. De poder falar ilimitadamente  quantas vezes eu vi o sol nascer e se por, de quantos lugares diferentes e depois de tantas batalhas ou paz. Poder falar de como tudo começou, de como tudo desandou, de como tudo foi recriado. Todas as histórias, sejam conhecidas pela humanidade ou não. Apenas contá-las. Contar tudo o que eu fui, o que eu sou. Entender que alguém, por algum motivo, algum dia, sentirá orgulho de mim e farei parte de uma constelação de outros antigos que completaram sua missão. Apenas.



11.01.2012

A consequência de uma Alma partida


Tenho sido um tolo ao acreditar nos sentimentos vazios de amigos descartáveis. Não passam de subterfúgios para minha sub-existência infundada. Confesso que sei que o erro começa em mim, por permití-los. Normal, quem não quer ser aceito na data de hoje? Quem não quer saber de verdade como é viver na Luz? Principalmente para alguém que se alimenta da Noite como eu.

O que mais me incomoda não é permití-los, e sim nunca esquecê-los. Não consigo, mesmo quando sei que devo. Muitos me magoaram, muitos me devastaram e muitos me fizeram optar pela morte definitiva. Por apenas quatro deles eu Cai na Abdicação. Supliquei pela Abdicação, in veritas. E no final, não valeram uma pena lançada à fogueira. Mas, mesmo sabendo o quão mal eles me fazem, eu ainda suplico. Protejo-os sem que saibam, velo por eles, velejo além-mar para vê-los, incógnito nas sombras como sempre fora.

Ai vem o outro lado que meu grande e verdadeiro amigo, A Estrela da Tarde, sempre cita: "- você os perde porque não os deixa conhecê-lo.". Ele tem razão. Não posso deixar. Houve um tempo em que as raças se mesclavam e destas uniões grandes formas nasceram. Este tempo se foi, há muito tempo e não há mais nos dias de hoje esta subjeção.

Talvez, como um Serafim, eu assuma várias formas. Formas que me comprometam, formas que me beneficiem, formas atemporais. Mas a maior parte do tempo sou realmente sem forma. Vivo em Tempo e não em Espaço.

Outro dia, um 'amigo' diz que eu vivo uma Fantasia. Mal sabe ele que o que crio é a mais pura e condensada verdade e que esta verdade, assim como a Noite, é a única coisa que pode me fazer continuar existindo. Está ai mais um dos males do ser humano: a descrença nos seus deuses. É a reafirmação que sempre coloco em questão: mostrar-se 10% para que não vejam os outros 90% e que, ainda, considerem dos 10%, 2% real. É nossa vantagem, o ser humano não crê nele mesmo e sempre acham-se maiores e melhores do que os outros, porque não aproveitar esta enorme fraqueza para nos colocar de forma evidente em seu plano? É a melhor ideia que um Ancião já teve, acho que começou com o deus dos Hebreus.

Nos incluir em sua história, em sua existência, em seus medos e seus maiores desejos como algo intangível quando, na verdade, estamos sempre entre vocês. Evidentemente, mas que, com seus olhos sujos e auto-reflexivos, não nos vejam e continuem a sonhar conosco. É um prazer criar esta fantasia real, a não ser quando o próprio criador se deixa levar por ela, como eu fiz. Não soube delimitar até onde eu poderia chegar e acabei indo longe demais. Assumi seus sentimentos, suas fraquezas, sua falta de virtude e elevei ao expoente máximo que minha raça permite. Me tornei pária, fraco e decaí. Não somente por amor mas por vaidade. E a vaidade me consome feito o fogo que temo, mesmo sendo agora, mais forte que ele.

Acho que me desviei do assunto principal.

Enfim, eles vem e vão. Eu fico. Um poeta pobre disse uma vez "Eles passam por mim. Eles deixam algo deles e levam consigo algo meu." Talvez se referisse à bebida ou sexo, eu assumo como Alma. É como acontece. Eles levam parte de minha alma consigo. Por menores que sejam, por mais humanos que sejam, medíocres, mentirosos, sujos, criminosos e descrentes. E eu na minha posição, ao invés de esquecer, mantenho na recordação cada mácula, cada ferida. Peso cada uma das penas que não tenho mais porque cedi, para seus desejos. E adivinhem, eu estou mais sujo do que todos eles juntos.



Sinto falta do tempo que não havia mais ninguém no mundo, apenas nós, vagando sem forma e criando..

8.04.2012

Certa tarde em Laoris


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Ela dançava beirando à insanidade, êxtase, enquanto ele pleiteava a atenção das fadas com seu violino.

Ela, por quase sobre a relva da planície, vestida apenas com um manto sujo, coroada com espinhos que faziam sua testa sangrar um sangue coagulado, olhos brancos de uma palidez lunar e asas deformadas, consumidas pelo fogo. Ele, recostado abaixo de um cedro que exalava até o próximo bosque. Vestido de branco impecável, olhos vermelhos ardentes e asas de uma clareza vislumbrante, todas as penas intactas e de um brilho dourado ao rebater da luz do sol. Eram anjos, ele e ela, porém ela havia caído e ele tocava pela Felicidade dela. Eram amantes desde antes as estrelas nascerem. Os animais silvestres os circundavam, também em glória pelo que viam. O urso sentado à beira de uma árvore morta servia de abrigo para coelhos pequeninos. As aves, de rapina e menores, se aglomeravam nos mesmos galhos. Serpentes, animais maiores daquela região - todos eles - sabiam que havia algo de supremo naquela cena.

Ele continuava a tocar e ela a dançar, sorrindo para ele como se a dor não a dilacerasse por dentro. A música preenchia as esferas e a anjo flutuava, sublime, aplaudida pelas fadas que compunham o cenário. Ele apenas estava ali por ela, nada mais. Nada o faria mais feliz do que acompanhá-la. Não era Orpheu, ele sabia, mas também sabia que seu violino já encantara deuses e demonios anteriormente, no passado breve e distante. Era uma daquelas sensações de alívio surreais que imaginamos ao pensarmos como seria nossa iluminação. Ela dançava com o corpo, com as vestes, com o cabelo e com os olhos. Ele tocava com as mãos e com o coração. Os beijos que eles trocavam eram etéreos e não precisavam de toques. Havia musque, sândalo, mirra e sálvia no ar. Criaturas estranhas também estavam lá, apenas para comprovar aquele amor.

Certa hora, ao início do pôr-do-sol, parecia que nada havia acontecido. Que tanto tempo não havia se passado pois os animais e as flores, além das fadas, permaneciam estáticos observando-os. A palavra correta para uma ocasião como está é Superior.

Quando metade dos acordes do violino já eram dedilhados, ela alçou voo e permaneceu acima da copa das árvores maiores. Ele a chamou pra si mas ela, de maneira lúdica, o convidou a subir. E foi o que ele fez. Juntos, no alto, eles continuavam. Ele deixou o violino cair propositadamente apenas para poder abraçá-la, sem medos de se contaminar, sem receios pelo que ela havia passado e o quanto isso poderia afetá-lo. O violino não se partiu, foi aparado pelos animais de longos pelos.

Ele a beijou - agora fisicamente - intensamente. Haviam estrelas caindo quando o sol se pôs e o horizonte parecia convida-los à uma festa parcamente iluminada, apenas com Evangeline ainda no Céu a admirá-los. Ela o beijou como se fosse um último beijo, o agarrou e se colocou sob sua proteção, à sua costela, como acontecera antes com a formação dos humanos pelo Mesmo que os criou. Ainda havia música no ar, não se sabe de onde vinha. (Ele suspeitava que eram seus corações compassados, ritmados numa frenética disposição um para com o outro). Era o rio, o vento, as folhas, as fadas, o Céu, Deus. Era tudo o que eles queriam mas queriam apenas um ao outro, para sempre.

Logo a noite caiu e o som se foi, assim como os animais. Os anjos permaneceram na mesma forma e posição, no alto, beirando as primeiras nuvens noturnas, enlaçados como se não houvesse Tempo para eles. É, realmente não havia...

E pelo primeiro brilho da lua, eles simplesmente desapareceram no ar.

Laoris, Duodécimo dia do Milésimo Septuagésimo ano em que eu a conheci.

7.01.2012

Juramento



"Abandona-te Homem, abandona-te. Abandone as impurezas da carne pois no peito de fogo o coração arde. Abandona-te a forma humana, a vilã. Erga-se o demônio."




6.08.2012

Caprice e a Felicidade das Fadas, enquanto eu choro


Posto-me a esconder lágrimas de sangue que comprovam a necessidade de Ser, Ter, Estar. Sem destino provável, sem músicas esféricas quando nos virmos, sem mais Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry e suas cativantes frases feitas que fariam Winston Churchill se sentir enojado.


Sem mais encontros, sem mais dedicação, sem mais curtas mensagens, sem mais promessas, sem mais desejos, sem mais amor. Sem ti.

Congelo em noites de Lua clara, como ontem, ao passar por toda ela a pensar no que perdemos juntos. O sono que já era pouco, se fora por completo - não há mais graça dormir acorrentado a pesadelos da sua partida. Ouço Caprice e lamento, as fadas parecem tão mais felizes agora. Saltatio Lors Fatium Lorem Exit.

É incontestável que eu o amo, ainda, e que a melhor e maior de todas as suas mentiras foi corresponder a este amor. Converto palavras, parábolas bíblicas para o teu nome em busca de algum tipo de satisfação blasfema.

Novamente sinto-me como a ave ferida, sem consolo. Oh! Aos que mantém amores e admorii, fujam enquanto há tempo pois se ao final de tudo vós ainda permanecerdes neste controle, ai de ti que amou ou achou que amara pois ai de mi, meio-homem inteiro, ao experimentar esta nova forma dolor de exílio. Era feliz enquanto havia ti, sou murcho sem ti. Tento não fazer disto algo corrompível mas a sanidade me deixa à mercê. Faze-me empírico do que já houve amor, faze-me. Apague de mim o emet e torna-me barro outra vez. Vazio estou, mais ainda do que sempre fora. O que muda agora é que não há sequer vontade.

Porque de todas as raças que vivem pouco, sofre-se também pouco? Será sinônimo de imortalidade a eterna tristeza e a sempre sofrível perda? A borboleta poderia amar, sabendo que viveria somente por um dia? Valeria amar? Porque de todos, os que vi nascer e vi partir, somente eu sofro mais? É a minha força que me torna mais fraco? É meu desespero, meu medo de viver sozinho e minha aparente indiferença aos outros - que não ao meu próprio amor encarnado - que me torna excluído? Todos os que já mentiram para mim, mentiram que me amaram. Eu nunca menti.

Mesmo na minha Quinta Abdicação eu sofro, depois de Quatro. Sinto falta de quando ainda era Enoch.



"De Dezoito em Oito, Mil cairão. Comigo mais Quatro. Sozinho de mim mesmo"



Um Microcosmo

Fuja. 
Foge de mim.
Persigo o que restou de mim em mim mesmo.
Da noite mais escura eu sou dono.




6.07.2012

O que falar do meu Merkabbah?


Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo revolvendo-se nela, e um resplendor ao redor, e no meio dela havia uma coisa, como de cor de âmbar, que saía do meio do fogo.
E do meio dela saía a semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem.
E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas.
E os seus pés eram pés direitos; e as plantas dos seus pés como a planta do pé de uma bezerra, e luziam como a cor de cobre polido.
E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e assim todos quatro tinham seus rostos e suas asas.
Uniam-se as suas asas uma à outra; não se viravam quando andavam, e cada qual andava continuamente em frente.
E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e do lado direito todos os quatro tinham rosto de leão, e do lado esquerdo todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham rosto de águia todos os quatro.
Assim eram os seus rostos. As suas asas estavam estendidas por cima; cada qual tinha duas asas juntas uma a outra, e duas cobriam os corpos deles.
E cada qual andava para adiante de si; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando andavam.
E, quanto à semelhança dos seres viventes, o seu aspecto era como ardentes brasas de fogo, com uma aparência de lâmpadas; o fogo subia e descia por entre os seres viventes, e o fogo resplandecia, e do fogo saíam relâmpagos;
E os seres viventes corriam, e voltavam, à semelhança de um clarão de relâmpago.
E vi os seres viventes; e eis que havia uma roda sobre a terra junto aos seres viventes, uma para cada um dos quatro rostos.
O aspecto das rodas, e a obra delas, era como a cor de berilo; e as quatro tinham uma mesma semelhança; e o seu aspecto, e a sua obra, era como se estivera uma roda no meio de outra roda.
Andando elas, andavam pelos seus quatro lados; não se viravam quando andavam.
E os seus aros eram tão altos, que faziam medo; e estas quatro tinham as suas cambotas cheias de olhos ao redor.
E, andando os seres viventes, andavam as rodas ao lado deles; e, elevando-se os seres viventes da terra, elevavam-se também as rodas.
Para onde o espírito queria ir, eles iam; para onde o espírito tinha de ir; e as rodas se elevavam defronte deles, porque o espírito do ser vivente estava nas rodas.
Andando eles, andavam elas e, parando eles, paravam elas e, elevando-se eles da terra, elevavam-se também as rodas defronte deles; porque o espírito do ser vivente estava nas rodas.
E sobre as cabeças dos seres viventes havia uma semelhança de firmamento, com a aparência de cristal terrível, estendido por cima, sobre as suas cabeças.
E debaixo do firmamento estavam as suas asas direitas uma em direção à outra; cada um tinha duas, que lhe cobriam o corpo de um lado; e cada um tinha outras duas asas, que os cobriam do outro lado.
E, andando eles, ouvi o ruído das suas asas, como o ruído de muitas águas, como a voz do Onipotente, um tumulto como o estrépito de um exército; parando eles, abaixavam as suas asas.
E ouviu-se uma voz vinda do firmamento, que estava por cima das suas cabeças; parando eles, abaixavam as suas asas.
E por cima do firmamento, que estava por cima das suas cabeças, havia algo semelhante a um trono que parecia de pedra de safira; e sobre esta espécie de trono havia uma figura semelhante à de um homem, na parte de cima, sobre ele.
E vi-a como a cor de âmbar, como a aparência do fogo pelo interior dele ao redor, desde o aspecto dos seus lombos, e daí para cima; e, desde o aspecto dos seus lombos e daí para baixo, vi como a semelhança de fogo, e um resplendor ao redor dele.
Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do SENHOR; e, vendo isto, caí sobre o meu rosto, e ouvi a voz de quem falava.

Ezequiel 1:4-28

5.14.2012

Afogar: afogo-me esperando por um contato teu que nunca virá



Nunca virá mas eu continuarei esperando, não sei porquê, não sei de onde viria, não sei qual a tua intençao. Preciso de um 'olá', de um sorriso, de um aperto de mão. Antes que eu sufoque.



Angels Or Devils

"
This is the last time
that I'm ever gonna come here tonight
this is the last time - I will fall
into a place that fails us all - inside"

1.15.2012

Eu, que seja o que sou


Se este sou eu, não há mais o que dizer. Se hei nome Cavaleiro é porque o mereci. Se hei nome inverdade é o que fiz de mim. Se estarei à sua espera é porque de ti preciso. Previ muitos dos acontecimentos que a mim afligiram, mas, não pude prever o amor que sentirias por ti. Tu hás nome Cavaleiro, fazes parte de mim. Tu herdarás o meu amor que sempre fora teu. Nada do que sou independe, nada do que és seja subjugado.  

Apenas sinto amá-lo enquanto este mundo nasce e renasce em mim.

9.03.2011

"Odes Quebradas" - Coroas e achados


E então a coroa mágica de Cori ele usa.

Porém ela não o tornou especial, somente diferente. E isso faz tanto tempo quanto possível. Talvez lá pelo tempo em que ele havia sido banido do céu, pelas ordens-prior do seu Próprio Criador. Talves depois, quem sabe de verdade? Nem ele mesmo sabe.

O que ele sabe é do fardo que carrega, com esta coroa deposta. Ombros largos, opulência e uma questão incondicional do que ela o fez. A coroa o ensinou a orar, o fez mais forte, mais decidido, menos ilusório. Ele trocou, portanto, as asas pela coroa. Mas o que a coroa o deu?
Bom, a coroa o deu tudo o que ele quis. Estranhamente, deu-lhe novas asas dotadas de trinta e seis mil pares de olhos criados em cada centímetro.
Deu-lhe poder, razão, constância, amor. Deu-lhe uma vida nova. Trouxe de volta uma outra vida.

Hoje, eles não conhecem mais a Lenda da Coroa. Não sabem mais o que significa usá-la. Uma história, uma frase, nada mais. Hoje eles o vêem como louco.
Não sabem que ele pode ser anjo, um demônio, uma alma antiga, um feiticeiro, um padre, um homem, uma mulher, um animal, um índio Lakotan, um árabe... Pode ser tudo. Todos. A qualquer hora, pela Coroa. Ele inclusive pode ser nada e estar em qualquer lugar. Pode ser muitos em um. Pode conhecer tudo. Ele é um deus-menor que aceita seu posto, com potencial para ser uno, Trimegisto, mas que não quer mais pesares e perdas. Conquista-se um novo mundo, então, perde-se o antigo.

A Coroa é algo divino, feita de aura e gelo submarino, ornada com pedras desconhecidas na Terra, algo que a aproxima do diamante, só que negro. Todas as pedras incrustadas nela são foscas, e todas em cores leitosas, azuis, vermelhas e verdes. Não se pode olhar por muito tempo para ela e ainda assim ela passa imperceptível. Ele a usa sempre mas poucos a vêem, geralmente os mais extremos: os mais dimensionais ou os menos conectados. Ela pesa mais do que a Terra, ele a carrega sentindo-a leve. Ela o torna um nefelibata, mas ele aceita. Ela o tenta e então, ele quase nunca escapa.

" - Ela o torna mais fraco quando ele está mais forte."

A Coroa é algo que ele quer compartilhar.



4.08.2011

Horda

Ouço os gritos inumanos de hordas celestes que me perseguem.
O que poderiam querer eles, mais de mim, se o que já tem somam mais do que precisam?
Vossas vozes, ressonantes, refrigeram meus olhos e a dor é insuportável.
Entre flores e pergaminhos encontra-se a impureza dos preceitos primevos dos Filhos de Adão.
E eu, tão somente renegado, não fujo ou esmoreço. Não oculto. Revelo a minha atual sede de sangue de prata e penas. Parafraseando o Uno quando ele diz "Mil cairão ao meu lado e dez mil à minha destra" mas que não se referia ao flagelo que eu seria entre a sua criação e que suas quedas seriam por minhas mãos e pela Glaura de fogo e sombra.