De tempos em tempos, me pego pensando - na verdade cogitando e alucinando - se os príncipes dos contos de fadas são realmente tão absurdos assim. Vejamos: o cara educado, digno, honrado, bonito, esperto, dedicado, sagaz, bravo, heroico e apaixonado. Posso me enquadrar em ao menos seis das dez características vitais de um príncipe encantado. Interessante. Pensando bem, o vilão é sempre a soma das qualidades do herói com mais beleza, apreciação da vida e maldade. Neste caso, somaria estas virtudes às minhas seis já definidas.
Fico alucinando se não é talvez este o motivo da minha evidente distinção do mundo dos romances e deleites emocionais. Fato que não compartilho com interesses em amor, paixão, matrimônio, porém acredito que uma companhia é sempre bem-vinda. Dada a condição atual, urgente eu diria.
O mais vibrante é que, justamente por desejarem príncipes em suas vidas, homens e mulheres os afastam quando se dão conta do presente que recebem. O ser humano em si é dado a não aceitar ofertas maiores do que se julgam, tem sido assim desde os primórdios da banalidade casamenteira. Vejamos que, até nos dias de hoje, ouvimos de bocas infundadas expressões como "homem bonito sempre trai", "mulher bonita é sinônimo de traição", "não quero um homem bonito demais porque atrai olhares desejosos" e afins. É concernente à romântica humanidade contentar-se com o que tem e, em dados casos, abstrair-se do que poderia ser melhor pela iminente sensação de perda precoce.
É brutal como isso afeta algumas pessoas. Não foi uma ou duas vezes que eu mesmo, em minha juventude, ouvira alguma destas expressões. Não uma ou duas vezes também eu fui rejeitado (?!) por estes motivos. É uma arbitrariedade pois, se um homem é bonito não pode ser inteligente. Se é inteligente não espera-se beleza. Se é inteligente e bonito, não pode ser rico. Se é inteligente, bonito e rico não quer nada com a vida. Se é inteligente, bonito, rico e compromissado, bom, ai não pode ser tocado por mão humana neste mundo e deve padecer numa solidão ímpar pela desconfiança geral da população na idade sexualmente ativa. Eis a verdade do que sucede no meu momento. Longe de ser falso-modesto, inclusive. (Ah sim, um adendo: quando é inteligente, bonito, rico e compromissado as mulheres automaticamente deduzem que ele seja homossexual - na maioria das vezes estão certas)
Não consigo contar nas mãos as vezes que ouvi um arrependimento de algum(a) envolvido(a) neste fato, para comigo. Recentemente inclusive. Eles e elas tendem à ignorar ou testar, paradoxalmente, o afeto para então definir sua sinceridade e apreço. Apenas esquecem que, como qualquer outro homem (tolo, feio, pobre e fútil) ele pode se cansar deste jogo e cair fora do embaraço. Simples assim. O resultado do teste pode ser desastroso, geralmente para a parte que testa. Uma vida que segue, em busca de outras vidas que seguem e se encontrar uma que segue o mesmo rumo, que sigam juntas.
Credibilidade é nos dias de hoje algo difícil de se achar. De cultivar e florescer também. As pessoas parecem que optaram por se tornarem descartáveis e desta forma se rejubilarem de evitar a dor do compromisso e entrega. Loucura e insanidade, sabemos, mas é uma opção unânime.
Enquanto divagam sobre este assunto, "bons partidos" vão se perdendo e os príncipes - tão queridos na infância - se entregando à leviandade por falta de opção ou pior, à introspecção forçada.







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