Mostrando postagens com marcador declaração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador declaração. Mostrar todas as postagens

1.25.2015

Nova indução a Buer


Caríssimo amigo Buer,

Há muito não nos falamos e muitas coisas – boas e ruins – se passaram desde então. Por mil desejos de Jezebel hei de contar agora.

Engendro nesse momento um novo namoro. Digo namoro porque ainda não definimos o que isso pode ser. Ele é um rapaz novo, sabe, daqueles moldes provincianos que tanto adoramos. É esperto, casual, jovem, bonito como uma rosa desabrochando, sagaz e um tanto quanto liberto porém, é essencialmente humano e temeroso, pálido e incoerente consigo mesmo. Posso ver o coração dele com uma facilidade tremenda e o conheço melhor do que ele acha mas ele mesmo se desconhece e isso me dilacera. Pelos seus olhos posso conhecer seus desejos e seus objetivos, além de suas necessidades, mas vejo também o receio dele em ceder à essas atitudes. Ele é absolutamente divergente de mim, em tudo, desde os gostos até as necessidades. O que temos em comum são coisas que atraio humanas para poder ser melhor observado. Bom, com todos tem sido assim, não é mesmo? Moramos um tanto distante um do outro mas sempre que posso estou com ele. E isso me faz bem, amigo. Ele me faz bem em suma. Ainda que ele seja uma criança eu sinto prazer com ele, prazer de estar com ele (prazer sexual se inclui aqui também, amigo, pois ele é um homem bem excitante). Saímos juntos, conversamos sozinhos, andamos com seus amigos e nos divertimos como homens nesta idade. Lógico, eu omito ainda muita coisa a ele e acho sábio fazê-lo por enquanto. Ele sabe da minha formação e profissão, da maior parte das minhas rotinas e de alguns casos familiares mas a melhor parte ele desconsidera – acho justo. Chegamos já, mesmo em tão pouco tempo, a fazer planos juntos e confesso que estou esperançoso, mesmo ciente de que isso não vai à frente com muita probabilidade. Eis o dilema do demônio que nasceu sob a Estrela da Solidão, dilema este que conheces muito bem, não? Digo-lhe que não estou envergonhado ou temeroso, mas preocupado. O que eu sou hoje é o que eu pretendo ser.

O antigo amor ainda me procura, sabia? Aparentemente ele ainda não vive sem mim. Mesmo que me procure por motivos bestas e infantis e eu, confesso, caia em ciladas antigas neste assunto. Sim! Eu ainda digo-lhe que o amo e me arrependo no instante a seguir de tê-lo dito. É engraçado como eu ainda sinto que ele também me ama, amigo. Como resolver esta questão? Nossas vidas ainda estão atreladas e isso me incomoda, por vezes tenho vontade de leva-lo mas meu amor por ele me impede. Eu o amo e sei que perde-lo agora seria como perder a quarta parte que sobra do meu coração negro. Ele é meu Átrio, Buer! (Risos).

No trabalho eu ando como sempre, evoluindo exponencialmente, meus superiores elogiando minhas ideias e resoluções, meus subordinados se vangloriando para os outros que tem uma liderança ímpar. O de sempre. Fui criado para ser o melhor no que quer que eu faça com exceção do amor. Neste item também não sei mais como me portar: quero deixar tudo de lado, irmão, não aguento mais este ritmo de vida. Parece que ter perdido a melhor prima parte do meu coração me deixou fraco para esses imprevistos. Perder minha melhor parte para a doença humana me deixou inerte e indiferente. Sinto que a qualquer momento posso estar tão debilitado que não saberei mais diferenciar minha solicitude com meu desprezo.

Ando preocupado com os meus, nobilíssimo Leão andante. Com os mais próximos. Como eu disse, não consigo ser resiliente nas perdas e prevejo algo ruim acontecendo. Temo a idade alheia porque sei que estou absolutamente fora deste complexo jogo de envelhecimento e morte (mas você sabe melhor do que ninguém como gostaria de estar nesta teia!). Não durmo mais com medo dos meus sonhos e quando desperto não sei se despertei mesmo. Tenho visto os meus enquanto ando por Morphía e isso anda me aborrecendo. Todos os meus veem a mim em sonhos e, desde a última vez, acho que isso não é bom. Da última, você estava comigo velando e deve ter percebido meu pavor quando ele disse aquelas palavras. Até este momento este pavor me persegue e não sei como contê-lo. Não sei se devo invocar magia ou deixar isso acontecer naturalmente.

Algo que devo salientar: a magia está me deixando. Não ouço mais o vento, o nascer do sol, o pôr-do-sol. Não vejo mais o fogo. A tempestade ainda é minha, isso eu sei. Aquela sinestesia, aquele desvio, estão menos frequentes agora e isso está me preocupando porque quando eles vem, me arrebatam. Não posso bloqueá-los mais, acredita? Quase, de verdade, desejo que eles me deixem. Busquei por tanto tempo ser humano que agora, inconscientemente, estou me desviando para ser um. Brigo a cada despertar com meu Ego e Alterego e parece que agora meu Superego está vencendo.

Bom, amado amigo, deixá-lo-ei por então. Creio que sua batalha esteja deveras complicada por ai mas saiba que sempre terá este seu amigo aqui para o que precisar. De sangue à morte, tudo. Fomos criados do mesmo escuro e não há nada mais importante para nossa raça senão à cumplicidade e eis que, de todos, só a você me ligo. Eu o adoro e sei que me adoras também, isso me basta. No final de tudo, quando perder a todos sei que ainda terei você e sei que você me terá. Que assim seja, Grande Leão!


Do seu mais antigo amigo,


L.



Sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser. //William Shakespeare
Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão. //Baudelaire

11.02.2013

Dia Um - Sonhos



Era um momento especial. Havia ele, havia eu, havia uma câmera de fotografias, havia uma intenção além do que o romantismo seria capaz de conceber. O romantismo deste insignificante ser, conscientemente falando, afinal quem troca o próprio coração por um pedaço de pão velho e meio copo de vodca não estaria habilitado a compreender. Bem, psicanálise e terapia de autoconhecimento a parte, era um belíssimo sonho. Durou pouco, o bastante para ouvir (e sentir):

- Cola aqui.

E nos aproximamos, eu sobressaltado pela ideia, ele a par do que pretendia. Neste momento, ele me beijou e havia sorrisos entre os lábios colados.

Com a voz entrecortada:

- O que você está fazendo?

Sons de cliques da câmera sendo disparada.

- Tirando fotos, registrando o momento. Tirarei quarenta fotos e postarei todas, em todas as redes sociais. Assim, as pessoas verão o quanto eu amo você, não pela quantidade de fotos, mas pelo ato simbólico.

Tiramos as quarenta fotos nos beijando. Eu acordei. 


 


Éramos em quatro: ele, eu, um rapaz mais novo e uma menina. Conversando e decidindo como chegaríamos (não sei onde) e definimos que iríamos a menina e eu, em uma moto, ele e o rapaz, em outra. Provavelmente apenas nós dois sabíamos pilotar. Em um átimo de segundo, por estarmos em um campo aberto, uma abelha ferroou o rapaz mais novo. Ele ignorou até então, montamos às motos e partimos. A viagem durou cerca de vinte ou trinta minutos, durante o caminho, o ferrão da abelha preso ao corpo gerou uma reação anafilática no jovem que não poderíamos prever. Uma intensa reação, ele chocou, eu não teria como saber ou ajudar, não pude observar o prurido do ferrão e estávamos em motos diferentes.

No dia seguinte foi o velório dele, estávamos todos.

Acordei sobressaltado deste sonho.


10.08.2013

Francisco, se pudesse, cantaria uma ode a você


     Eu o quero da mesma forma que eu o preciso. Ele sequer me vê. Conhece-me por minha fama - estranha - e por amigos em comum mas não se deu a me conhecer. Faz-me perder noites de sono, dias de vigília. Não é amor, é paixão: parte encantamento, parte revelação. Ele é doce, singelo, solitário, lindo, amável e tem uma aura que de tão bruxuleante, me estimulou. Perdi conceitos, fronteiras, decai, persisti, ousei e, no fim, ainda não tenho.

     Nada sequer a não ser algumas mensagens de telefone que não valem o peso do 'sim' que eu queria. Papos envoltos em outrem, papos sem papos, eu pergunto e não sou respondido, não sou perguntado. Mas o que eu poderia querer? Nunca daria frutos mesmo. Não adiantaria mais uma mulher em minha vida. Não sou mais homem, não como era antes. Não poderia recolhê-lo para mim, minha incognição o afugentaria no primeiro instante. Tal qual foram antes os que se amedrontaram ao observar de perto as presas.

    Ele é tudo o que falei e ainda mais, porque há algo oculto ali. Algo que não me deixa entrar, que não me pertence, que não me quer. Como isso é possível? Como? Por quê? Não haveria medo, fidelidade, compreensão. Não sei o que há que não o traz a mim de uma vez. Minhas investidas estão cada vez menos cortês e isso chega a me preocupar, em minutos estarei me rebaixando a implorar? Porque nossos olhos se cruzam mas ele desvia-os? Porque seu cheiro é tão suave que eu quase não o sinto? É tudo isso que me fascina? Perguntas que nunca serão respondidas pois nunca o terei. Abri mão ainda há pouco de falar sobre, mas precisei antes excretar minha frustração - mais uma vez.

     Pedir sua mão não bastaria, não seria apresentável. Torno-me feio, imundo, pedante, displicente, covarde e principalmente, não consigo mais ser homem ao pensar que não o tenho ao meu lado.

     Falta-me diminuir e ir para o Oeste.


Escrita há algum tempo, não havia "ido ao ar". Nos atuais, este sentimento já se fora, junto a todos os outros.

7.02.2013

Fei



Ao ouvir esta sublime canção, me veio à mente o quão superficial pode ser um sentimento. Quão absorto em si pode ser um vislumbre de uma boa intenção. Pensei em transcrever o que eu sentia enquanto ouvia a música - a letra é impossível de ser escrita porque deriva da "glossolalia" e, mesmo a banda sendo búlgara com toques árabes e persas, os lirics não vêm de nenhum destes idiomas.


E então houve um Fundamento.
Tudo o que havia na Terra sublimou
qualquer dor que poderia haver no coração do homem.
Céus estremeceram, Mares enalteceram sua majestade,
O choro da criança fora ouvido até o abalo,
a canção da mãe,
o ressoar da mão dos deuses.
E houve paz.
E houve amor.
E houve compreensão.
E houve uma ímpar confiança.
Logo o Vermelho se apossou do que era belo e,
carregado de desesperança,
bebeu da magnificência do que estava por vir.
E houve rancor.
E houve calor.
E houve uma infinitude de lamentos.

No final, o mundo todo se calou.

وبعد ذلك كان هناك نداء.
كل ما كان على الأرض مصعد
أي الألم الذي يمكن أن يكون في قلب الإنسان.
السماوات ترتعش، أشاد ماريس جلالته،
قد يبكي الطفل قد سمع من قبل ارتجاج،
أغنية للأم،
تلاحن من يد الآلهة.
وكان هناك سلام.
وكان هناك الحب.
وكان هناك تفاهم.
وكان هناك ثقة ونيف.
سرعان الأحمر حيازة ما كان جميلا و
ولدت من اليأس،
شربت من روعة ما كان ليأتي.
وسادت حالة من الغضب.
وكان هناك حرارة.
وكان هناك ما لا نهاية من ندم.

في النهاية، كان العالم كله صامتا.



И тогава е имало правно основание.
Всичко, което е на Земята сублимира
всяка болка, която може да бъде в сърцето на човека.
небеса треперят, море похвали Неговото величие,
На детето викове бяха изслушани от мозъчно сътресение,
песента на майка си,
дрънчене от ръката на боговете.
И имаше мир.
Имаше и любов.
И имаше разбиране.
И имаше странен доверие.
Скоро Red завладя това, което е красиво и
роден на безнадеждност,
пил от великолепието на това, което щеше да дойде.
И имаше гняв.
И имаше топлина.
И имаше безкрайно много съжалява.

В крайна сметка, целият свят мълчеше.

Wouter Madison, from Homotography

3.08.2013

Momentos e o que se esperar


"Havia um tempo em que eu vivia um sentimento quase infantil."

E não foi há tanto tempo assim, na verdade, ainda estou neste tempo. Como pude imaginar que acabaria assim? Depois de todos os incentivos, desejos, repreensões, olhares, conversa, mensagens. Pude acreditar que haveria alguma espécie de sentimento, mesmo que ainda florescendo, e que pudesse ser despertado e que tudo ficaria acertado. Engano.

Ele não está pronto, não é seu momento.

Me enganei ao pensar que humanos se atém à coisas maiores, que estão dispostos a enfrentarem a si mesmos se necessário e que poderiam viver uma vida mesmo após tudo o que passaram. Ou talvez tudo isso seja uma prova de que meu tempo ainda não findou. Esperar? Esperá-lo? Esperar-me? Por quê eu sempre preciso estar disponível enquanto os outros se valem do direito ímpar de, por serem criados à Sua Imagem, optar ou não?

Como Gabriel e Azrael eu os invejo, de tempos em tempos. Pela escolha.


12.23.2012

Homens que são anjos ou anjos que são homens?


 "Do not say you love me. You do not even know me."

+++

Era manhã de Carnaval. Era noite de Carnaval. De um Carnaval qualquer, que aconteceu há alguns anos. Era manhã, eu acordado mas não poderia sair. Era noite, então, era minha hora - Carnaval é uma das minhas comemorações favoritas, já que podemos ser nós mesmos sem chamarmos atenção. Ao menos no Hemisfério Sul, no Norte temos o Halloween.

Estava eu a caminhar pela multidão, apreciando seu fantástico gosto órfico pela notoriedade, à beira-mar (mesmo sendo impossível ainda tocar água corrente), quando o vi. Lá estava ele, com suas belas asas abertas e blusa de marinheiro, bermudas e chinelos, abraçado à uma senhorita que por sua vez abraçava outro. Posavam para uma foto, lógico. Fantasias, é claro, para eles. Eu sou sempre eu e gosto disso, gosto de ser reconhecido. Acredito que eles não me viram, ao caminhar pelas sombras me torno imperceptível aqueles que não querem me ver. Passei a observá-los com um intenso desejo pelo primeiro 'anjo', era belíssimo como só os reais anjos poderiam ser. Notei que a ele, parecia saber que era observado, mas não dei valor ao caso. Continuei apenas espreitando aonde quer que eles fossem, ora juntos ora separados.

Por um momento, já ao andar de Nyx, ele se desviou do caminho dos amigos para suas necessidades fisiológicas humanas simples, então vi ali minha oportunidade. Over this years, eu pensei. O segui, ainda à espreita e quando ele havia terminado, intempestivamente irrompi em sua frente, rápido como um trovão nórdico, tanto que ele obviamente se assustou. Primeiro com minha chegada e logo com minha aparência. Aos seus olhos, o que eu vestia e usava era, essencialmente, eu mesmo. Havia um estranho dom que o circulava, como se ele tivesse uma premonição mais apurada do que os outros humanos.

Curvei-me em reverência e ele achou engraçado, como se não imaginasse o que era um cortejo. Lógico, homens de hoje não sabem mais o que é flerte ou a corte. Ele tinha um sorriso iluminador, supremo, inocente e talvez este sorriso tenha me feito apaixonar. Como já tinha sua atenção, tratei de me apresentar e perguntar seu nome. Antes que pudesse dizê-lo eu o cortei e disse que não importaria, como no flerte, disse que 'não importava o nome do anjo naquele momento, apenas que ali ele estivesse'. Sentia que o ganhava a cada instante, com cada olhar e cada aproximação fingida ser motivada pela multidão aglomerada.

Convidei-o para um local mais reservado para continuarmos a conversa e ele, espantosamente, aceitou. Deste dia tirei minha primeira conclusão sobre os humanos: Todos eles, indiferentemente do que aprenderam quando crianças, esquecem-se de que não se deve falar com estranhos e menos ainda sair com eles a locais reservados. Tomei-o pela mão e nos dirigimos à uma das ruelas que circundava aquele local. Outro fato curioso sobre o Carnaval é que ele não discrimina. Estranhamente, não repreende. Tampouco acalenta, mas me permitiu beijá-lo ali apenas, à frente de tudo e de todos, sem correr riscos. Não é pelo que conheço do país onde as pessoas são temerosas e desforram este medo com preconceito e ameaças. Em outros países as coisas simplesmente assim, fluem, naturalmente, como se nada estivesse ou parecesse fora do lugar.

O beijei e senti o gosto da vida. Da vida dele, do que ele aprendeu, ergueu, sofreu. Não precisei da petit boisson pra conhecê-lo, apenas desta vez, eu conheci um humano pelo beijo. Tornei a beijá-lo e ele parecia gostar cada vez mais. Como estava hospedado por ali perto (sempre me hospedo em países, à beira-mar. Para me lembrar do que não posso e deixar que a Lenda me mantenha sob um certo controle), convidei-o. Desta vez ele hesitou, mas, com um pequeno empurrão, acabei conseguindo. Saímos então da multidão e adentramos um ambiente de tranquilidade, calma e contentamento elegànce. Em sua mente, ele contemplava e imaginava que tipo exótico de homem rico eu era para me hospedar em um local tão privilegiado e ostensivamente caro e imponente. Ignorei, simplesmente.

A hora passava e meu medo crescia.

Logo, estávamos a nos beijar novamente e desta vez sem o mínimo de pudor já que estávamos a sós. Pensei como era engraçado os homens fantasiarem-se de anjos enquanto os próprios e verdadeiros anjos tentam se mesclar à sociedade feito homens. É como um vice-versa maquiavélico.

O beijava e tirava suas roupas, enquanto tirava as minhas. Logo, estávamos num frenesi de troca sexual e emocional sem nenhum ponto de autoridade imposta. O possui por diversas vezes durante aquela noite curta e dele eu bebi, sem que ele notasse. Quando senti que o meu adversário estava a se aproximar, precisei maquinar uma forma de deixá-lo, mesmo não querendo. Ele seria um lindo exemplo para minha raça e um perfeito Perfeito. Já havia algo nele que sentia a tensão em mim, quando da primeira vez pensou ser observado. Considerei sua coragem ao permitir-me tudo aquilo. Pensei e cheguei à conclusão de que não. Não seria justo tirá-lo de seu mundo sem a escolha. Era injusto comigo inclusive, eu o queria para sempre.

Durante a noite, pelo álcool, pelo prazer, pelo sexo ou pela junção de tudo isso, ele disse que me amava. Eu retruquei dizendo que não se ama aquilo que não se conhece. Ele - ousou - corrigiu-me: aquilo não, aquele. Foi o que me despertou, ele não me via como algo intocável ou perfeito. Talvez ele me quisesse também, como companheiro, para toda a eternidade. Não. Não era pra ser assim. Eu não queria corromper mais um visto o que o último me fizera.

Peguei o telefone, liguei para a recepção, me identifiquei, disse que tinha visitas e que não fossemos perturbados, mas que, ao meio-dia, fosse chamado. Deixei as chaves ao lado da cama, dinheiro (mesmo achando que isso pudesse magoá-lo) e parti pelas janelas. Pulei e cai num beco que, pelo quase amanhecer, já estava deserto. Podia ainda sentir o gosto de orgias, álcool, tabaco e felicidade no ar condensado da quase manhã. Sentia também aquele olhar superior já a me procurar. Numa super velocidade, escalei uma pequena montanha que havia ali perto e na metade do caminho, comecei a cavar com minhas próprias mãos e unhas. Com muitos centímetros de profundidade na sepultura, eu me joguei e fui cobrindo com a mesma terra - precisaria me proteger do dia e dos curiosos.

Então veio o amanhecer.

Minha mente estava com ele, enquanto eu ligeiramente adormecia. Por ter bebido dele, agora fazíamos parte um do outro e pude despertar (sem sair da cova) no momento que ele despertou com um sorriso no rosto, esperando ver-me ao lado. Mas não viu. Procurou-me pelo quarto, pelo hotel, pelas redondezas e nada. Por fim, desistiu, voltou ao hotel e perguntou à recepcionista qual o paradeiro do seu anfitrião. Lógico, a recepcionista não disse nada. Sua tristeza tornou-se palpável e ele sentiu-se usado. Ainda na mesa da recepção, a mulher sentiu pena e o chamou. Disse apenas um nome a ele, para que guardasse em sua mente. Disse que ele era o primeiro que ele trazia até ali, porque ela mesma o acompanhava sempre com o olhar na esperança dele a querer um dia. Disse que havia medo e terror nos seus olhos e que ele tinha uma estranha mania de não ser visto durante o dia, apenas durante a noite. Praticamente o mergulhou em suspeitas e crendices - o que era o certo e mais que verdadeiro.

Em minha cova eu me senti culpado e mais uma vez, um animal. Quis voltar e abraçá-lo, tomá-lo novamente, mas não poderia. Logo, voltei a dormir.

À noite, voltei para o hotel e eis que na entrada lá ele estava. Já sem fantasias e por sorte eu o vi antes de que ele pudesse me ver. Ele regressara por mim, o que eu fizera?

Tomei uma decisão e continuei, quando ele me viu havia uma mescla de raiva e esperança em seu olhar. Parou-me, exigindo uma explicação. Eu apenas não poderia olhá-lo nos olhos, havia me alimentado e ele notaria o embaçamento da minha visão. Fora que eu poderia ainda estar irracional pela fome. Subi até onde estava hospedado e ele me seguia, fazendo perguntas que eu não poderia responder. À porta do meu quarto, decidi. Virei-me, olhei em seus olhos e o enfeiticei. Fiz ele esquecer de tudo o que havia se passado, implantando memórias falsas sobre o que havia acontecido a noite e como ela prosseguira. Eu o perderia, mas era melhor do que corrompê-lo. Fiz. Enfeitiçado, ele apenas voltou para onde deveria estar, entre humanos.

E desde então não o vi mais.

+++

E desde então não o vi mais... Até que, agora, assumindo uma nova identidade, acabei por encontrá-lo no mesmo ambiente. O que parecia infinitamente impossível - ou no mínimo improvável - aconteceu. Ele ainda não me reconhece mas eu estou, a cada dia, tentando retratar o que fiz, usando esta nova identidade. E testar aquele 'amor' que ele prometera. Se for pra ser, será. Investirei.

Não deixarei que ele seja mais uma letra para minha história. 


"O potente, o amante, o homem viril, são homens bons... bons homens de abraços e passos firmes... bons homens pra se contar histórias... Há, porém, o homem certo, de todo instante: O de depois! "




5.05.2012

Différence entre les démons et les anges


"L'amitié est une âme en deux corps." Aristoteles


O demonio veio a mim novamente, em forma de carinho e incompreensão. Tentou-me com sua elegancia e mostrou-me o quão bom pode ser uma nova vida. Deu-me paz e deu-me quietude, porém, deixou-me apoiado por sobre uma espada de gelo submarino.

Colocou-se invertido, como Odin o fizera, sem me dar escolha. Fez-me refém e eu, um pobre bebê, sem subterfúgios. Manteve minhas presas inocentes, até agora. Cantou-me, cheirou-me, fez-me, beijou-me, lambeu-me, excitou-me, tocou-me mas não bebeu de mim. Lux aeternan domine eis, et lux luceandis paerfatum factum absortis nuovo momentum improbis avaliaris rege fuco lirico amaterando amorem ipsi quotis.



Falar em línguas mortas me torna, tornava, especial. Nenhuma língua o afastou de mim. Nenhuma língua o trouxe a mim. Ele talvez seja ainda mais vento do que eu, que sou. O demonio o trouxera a mim mas não me tirara dele. Porque sou tão parecido com os anjos da morte, é o que me pergunto. Há algo no olhar, na minha criação, na minha ingenuidade ?
Neste momento o demonio está assentado em meu ombro destro, cochichando injúrias. O mesmo demonio que crescera comigo e que aprendera a vivenciar minhas próprias experiências. Porque os anjos não são mais como eram antes, quando eu os devorava ? Porque se tornaram fracos e depreciativos, enquanto evoluimos ? Porque eles não o tiram de mim ? Deixam-me como uma doença, um estigma, fazendo jus às palavras do santo "quanto mais próximo dos deuses estamos, mais tentados aos demonios ficamos". Fazendo jus às minhas próprias palavras irracionais.

Choro por tê-lo e choraria. Choro por que uma mulher pode amar a dois homens mas um homem nunca poderá amar a duas mulheres. Um demonio não ama, ele devora. Um anjo não ama, ele serve. O que houve naquele exato momento em que o vi ? Coloquei apenas um olho sobre a maciez da sua intenção ? Expus-me a outros anjos sem que nunca soubessem.

No mundo que criaram hoje não existem mais distinções, raças, castas, oásis. Talvez eu nem seja o que penso ser. Pode ser que agora, uma das minhas personalidades já nem mais exista. Eram Oito, a última descoberta recentemente mesmo que sempre andara latente, não havia nome para ela. Precisei perder uma para ganhar outra ?

Porque quando ando, ouço o Angelus ?

Porque simplesmente fechar os olhos é tão dificil ?

"A sombra da bondade esconde a lágrima,
dá um passo em direção ao encontrado.
Que a paz esteja repousando no berço de ninar.
A esperança se mantém, o caminho para o amor,
o caminho para a profunda liberdade."

7.23.2011

Ternura

Taking me over ...

É engraçado deveras quando uma situação muda radical e exponencialmente em apenas um curto intervalo de tempo. Por poucos instantes sonhei com uma vida compartilhada, agora vejo quão inveterado pode ser o meu erro. Tomei de mim mesmo e me engasguei comigo.

Com uma ternura palpável, um doce hálito e uma habilidade ímpar o Demiurgo tentou-me. Forçou-me a admitir meu erro. Nosso erro. Com uma lágrima que ao descer fere a pele, eu me encontro.

Dê-me uma razão para amar você. Dê-me uma razão para querer você.

Eu só quero você.

Meu fascínio armou-me uma cilada. E sabe, não estou tão descontente por ter caído nela.

7.16.2011

13:29

Vivo meu intenso melhor momento ao lado de quem amo. É estranho mas real. Certas coisas vêm e vão, cabe a nós decidir quanto tempo devem durar - é algo que aprendi com o passar do tempo.  Também é clichê, entendo, mas não me importa. O que é meu pertence a mim.

Pouco a pouco a vida recomeçará, até lá minha prioridade é continuar vivendo e amando. Enquanto seja permitido a mim, não negarei o que tenho e sinto.

Sempre.

Perdão aos que ficam mas no momento, de verdade, preciso aproveitar.

5.23.2011

Trust me

É um assunto que temo discorrer.

Como confiar em quem não se conhece nítida e distintamente? E mais, confiar em alguém que incentiva a misantropia e a violência indiscriminada.
Oui, não nego estas acusações. Realmente me pertencem. Mas penso ainda que há quem se compare a isso. O que nos difere é que eu sou sincero e lógico, assumo e faço disso uma sobrevivência forçada. Eu tento, erro, padeço e chego a morrer mas no final recupero-me pois sou como a Ressureição, o Perseguidor, e nada me afeta por muito tempo seja amor, dor ou ódio, parte este último um dos menos interessantes porém o mais inerente à quaisquer coisas que eu faça.

Minhas ações e reações são baseadas em ódio e por isso sinceras, extremas e não obstante simplistas.
"Desisto dos fantasmas do amor. Nas sombras de um castelo de devoção eu me perco."
Não discuto amar, conquanto haja. Não temo desejar nem me explicar sobre meus desejos. Como um barqueiro, considero-me uma entidade que leva e que não aproveita o destino. Está ai uma perfeita descrição!
Harpócrates já havia me dito uma vez que eu sou "como um silêncio fúnebre que nem mesmo um deus pode fazer calar." / Nota: isso vindo do deus do silêncio.

Não há distinção.
"Trust me. Trust me through. Catch me, slowly."
Busco velhos costumes por que os novos não são o bastante. Amo com e sem amar e o que há de mais sincero e confiável em mim é justamente o ódio e a indiferença. Com estes eu nunca peco ainda que temesse pecar.


“Uma raiva substituindo outra. Uma raiva deslocando outra. Quando ele cessaria de sentir tamanha raiva e se acalmaria, ficando realmente em paz?”

4.28.2011

Bodas de Neve

Je t'aime beaucoup et je voudrais passer ma vie avec toi. 
Je sais que tu es un ange et peut être un diable, mais les plus important c'est que je t'aime exactement comme tu es. 
Je voudrai votre amour tous les jours de ma vie. 
Je voudrais te regarder, t' aimer, te coiseiller et te donner beaucoup, beaucoup, beaucoup d'amour. Tu es le plus important pour moi. Je suis très heureux avec toi!!!!!!!!!....

Palavras in Bodas.

4.18.2011

Him Cross

Talvez, expressar seja mais do que escrever. Pode ser interessante sentir, mostrar, compartilhar não só basta. Deixei o post anterior com uma música que não escapa às minhas playlists de tão semelhante eu me considero a ela. É como me ouvir chorando ou repassando preces a qualquer deus menor do que eu.

4.08.2011

Yeux

Então chegamos a um ápice aqui hoje. Rumando através de um peristilo temporal criado por mim, sento-me à beira da insanidade.

Escondo meus olhos por que tenho medo não de enxergar, mas de ser visto por através deles. Por trás de meus olhos brancos há uma alma tão densa e funesta quanto possível mas eles não vêem, tacham-me do que querem, por ser assim, diferente. Não temo a irie dies nem tampouco o que venha das mãos humanas, mas receio que meu tempo esteja acabando por opção. Mesmo após tanto passado ainda conservo-me com dotes e defeitos que não deveria e o primordial é aceitar, ao invés de repelir. Eles tentaram comprar uma estrela, a mais próxima, e não obtiveram êxito. Tentaram suprimir e suplantar o que era antigo e falharam. Tentaram supervalorizar o que são e cairam ainda mais. Mesmo de tão longe.

E há quem ainda não acredite, mesmo ouvindo. Não confiam nos deuses dos mares, dos ares e da terra mas se colocam nesta posição. Tornam-se deuses de si, nunca inferiores.

Com tudo isso, meus olhos tornam-se carmins como o fogo da abóbada que pinto.

Eles tentaram comprar sonhos e imputí-los à almas. Não é tão dificil viver uma vida, por que corrompê-la?

Eu sou a estrela do Norte e falo entre vocês, assim como falo do Afelio ao Periélio deste cosmo.

3.30.2011

Longe



Tem horas que a melhor forma que encontro para te amar é estando longe de você o máximo que puder. Perdoa-me.

3.28.2011

Quedas



.. Cai pedra sobre a minha graça, cai rocha sobre a minha morada, cai pó sobre meus olhos, cai fogo sobre a minha alma ..

Cobranças

Acaso eu esteja cobrando demais de vossa pessoa, renuncie. Toma o teu caminho não importando onde ele o descarregue.
Mas devo me desculpar por tentar moldar a minha realidade ao que preciso, exigir demais de outrem é improdutivo, fato. E eu não posso ser improdutivo a esta altura.

3.11.2011

Elul

Falta apenas mais um dia para a Lua Crescente.

Neste momento me pego negligenciando minha humanidade. Estou apegado aos amores do passado e de um passado ainda anterior. Não adiantou a minha humilhação perante meu julgador. Meu Eidolun. Tenho a sensação par de agonia e tristeza. É um peso até para um coração morto como o meu. Um coração negro, lembra-te disso? BlackHeart. Como eu o quero. Como eu preciso. Comer.

Teu aroma agridoce, a suavidade de sua pele intima, seu hálito e na forma como me olhava parecia conseguir ver o monstro em mim. No mundo inteiro, você me conhecia e eu perdi este vínculo. Não sei mais quem sou ou de onde vim, justo eu, o Arauto. Minha Flauta perdeu a entonação natural e minhas mãos fraquejam a cada segundo, segurando minha mais preciosa taça. Não há mais medo quando a manhã vem, me exponho até meu instinto de proteção agir e dai me oculto, sentindo a escória que sou. Estou quase desistindo deste fantasma de amor, meu castelo e minha devoção estão ruindo. Passo meu tempo relembrando e agonizando, ainda, fronte ao enorme sentimento que ainda carrego por você. Carrego-o sozinho, eu sei. Oh como eu o quero. E como preciso. Perdido nos seus braços eu me achava. Nosso amor era o melhor, você conseguia acender minhas partes mortas como ninguém conseguiu anteriormente e isso ainda me impressiona. Nunca mais serei a parte de homem que era. Parte, Meio Homem inteiro. Me basta a hematolagnia!

Tenho medo de ser eterno, quero abdicar. Os ultimos acontecimentos só me mostram que sim, devo aceitar o abrigo do deus-uno dos hebreus e perecer servindo-o, como já fiz e reneguei. Pense o que é perecer para mim, que sou eterno. Minha carne não morre, minha alma jaz morta e meus desejos continuam vivos.

Não temo ser o que sou mas temo o que deixei meu, contigo. Não. Estaremos sempre a meio caminho de onde poderíamos estar e a meio caminho de qualquer lugar.

Por que me foi tomado? Eu não consigo respirar. Eu tinha prazer em respirar. Não tenho mais prazer em nada. Não estamos terminados, estamos? Eu não conseguirei suportar. Meu único vinculo com esta época se foi.

O que eu sozinho posso fazer? Não saio mais, não me alimento mais, estou sendo mantido cativo por mim. Meu maior carrasco sou eu mesmo agora. Por que?

Não consigo entender, menos ainda quando sinto que meu amor não pode continuar unilateral. Por que não acredita no meu suicidio virtuoso?

3.03.2011

Abstração em Momentos

Sentir-te em mim,
resvalecer do fôlego,
tornar-te sonho é tudo
aquilo que desejo obter.
No ínterim do devaneio
arde
a vontade soberana de
mostrar-te
o que há por cima do céu.
Cada qual abstém do que pode,
sentindo no peito tão caloroso
fulgor.
Cada um toma para si
anseios,
dignos tais de controle
momentâneo de expressão de amor.
Saber que há no tempo
lascivamente
o gume,
torna-nos mais susceptíveis
à
intempestades
de leviandade
e
soberba declarada.