6.25.2012
04:04 a.m. ou o Começar de um Novo dia
Pensei em escrever desta vez - e só por esta vez - algo normal. Normal do ponto de vista humano, com coisas normais, situações normais, pensamentos normais. Não falar de amores perdidos ou deixados, não lamentar uma decisão. Apenas ser o homem que eu deveria ser.
Comentar sobre o quanto o trabalho é cansativo porém produtivo, o quanto eu estaria feliz, o quanto eu estou pensando no meu próprio futuro pessoal, profissional e emocional. O quanto de amigos novos eu fiz e, acidentalmente, me arrepender de alguns preciosos que perdi neste meio-tempo por motivos que, para continuar em assuntos normais, não preciso discorrer.
Queria dizer o quão engraçado, cansativo, orgulhoso e curto foi o meu dia, chegar em casa e poder abraçar a quem amo, comer uma comida feita com carinho, tomar uma boa ducha a dois, assistir os primeiros vinte minutos de algum filme e dormir, abraçados. Queria acordar às duas e dezoito somente pra saber se ele está bem coberto, apreciar por um instante seu sono, sentir seu elixir, olhar suas palpebras semi-cerradas de sonhos em REM, passar as mãos por seu pescoço e colo, subir o lençol até seus ombros e voltar a dormir, esperando que o despertador faça seu trabalho às quatro e quatro da manhã (tenho TOC de simetria, então meu horário de despertar sempre é algo parecido a isto). Acordar, acordá-lo, tomar a ducha da manhã para despertar e, enquanto eu escovo os dentes, ele se banha para alternarmos depois. Nos arrumarmos (eu sempre termino antes, coisa de homem nunca escolher a roupa ou o que vestir), preparo a bolsa e confiro pertences (jaleco, estetoscópio, canetas, papéis variados, barra de cereais, loção hidratante para mãos, fones de ouvidos, livro, mini-sombrinha caso o tempo mude e eu precise estar à mercê dele e afins menores e sem importancia). Ele se arruma, se embeleza, se perfuma, olha no espelho tantas vezes que a madrasta da SnowWhite ficaria ocre de orgulho, questiona se está bem vestido, bem penteado, bem perfumoso, se a roupa lhe caiu bem, se o tempo parece que vai mudar, onde deixou a bolsa de couro escuro, cadê as meias - me dá um beijo, corre à cafeteira e traz-me uma xícara fumegante, acha as meias, calças os sapatos, resolve mudar de blusa, pega a bolsa, o dinheiro que deixo sobre a mesa - me dá outro beijo, eu saio de casa e deixo a chave na porta pelo lado de fora, para que ele a tranque, enquanto me dirijo à garagem e o aguardo para deixá-lo no trabalho antes de ir pro meu. Tudo na mais perfeita harmonia normal.
Quatro e quatro o relógio desperta. Era um sonho. Desde o começo, o começo normal, era tudo um sonho. Minha cabeça lateja, viro para o outro lado, sinto o cheiro de chuva que se aproxima, faço outro pacto com os deuses para esquecer este sonho e coloco o despertador em modo snooze, para mais dez minutos de ausência da humanidade.
Eu sempre me senti melhor longe deste mundo, no Mundo dos Espíritos. Lá, a única forma de viver é não ter emoções pois elas atraem espíritos insanos, imundos e devoradores. La indiferénce é a única virtude, a única verdade. Não aprendi ainda a viver deste modo porque tudo me deixa numa catalepsia orgânica e psicológica que, por vezes, sinto que ao implodir e levar metade desta galáxia comigo num típico Buraco de Einsten-Rosen, ainda continuaria só.
Não há como ser normal, há?
6.10.2012
Mais um Jack-sem-Nome
Existe uma loucura que se apossa de mim em períodos de Lua Cheia. Ou Minguante, Crescente, Nova. Inumano, devorador, excruciantemente vermelho e pedante. O que não me permite esquecer um amor que não me quis, algo que literalmente me entorpece. Como um grande autor descreveu "aquela sensação de mariposas ao estômago". Mariposas estas que brotaram, tendo como pai o Vitríolo e a mãe, Estupidez. Até quando se mantém a congruência da dignidade?
"
I'm a poor wayfaring stranger...
I'm only going over Jordan. I'm only going over home."
Não vejo a hora da Liberdade me assaltar, preciso. Preciso dormir placidamente. Preciso novamente poder entrar no Mundo dos Espíritos sabendo que não corro riscos. É um cansaço tão soberano que apetece à alma de um bom martírio. Falei cobre congruências mas nem sei mais onde caibo nesta forma. Valho-me de Neruda e Cardenal, sofro as perdas. Mas será que não é somente a perda mas o que eu ficarei sem, contanto?
Talvez eu nunca tenha precisado de ti, afinal. Talvez minha extensão de mim fosse eu mesmo, insólito. Provavelmente eu errei quando o coloquei em minha vida, dei-te espaço para brincar no meu ego, abasteci seus sentimentos com os meus, dormi contigo, acordei contigo, judiei de meu corpo e no fim não o conheci o suficiente. Amo ao amor.
Acabou sendo mais um Jack, que encontrei pela vida e que me deixou passar, como tantos outros já o fizeram antes.
6.08.2012
Nos chamamos, Nós seremos
De todas as minhas personalidades, a que mais prezo é a única que menos conheço. Chama-se Lean, nome herdado de uma antiga ode grega ao amor.
Afora este, ainda existem mais seis. Cada qual com sua respectiva adaptação ao mundo - material e imaterial. Nem todos conseguem definir quando uma acaba e a outra começa e os que estão de fora nem sempre conseguem reconhecer e separar uma da outra. Não são egos, alter-egos e superegos, são personalidades e juntando a este conceito Jungiano, então somos vinte e um. Melhor, Dezoito. Um de Nós já é o seu melhor e seu pior.
Culpo a todos pelo que acontece.
Caprice e a Felicidade das Fadas, enquanto eu choro
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Lean, do sorriso aparente
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Posto-me a esconder lágrimas de sangue que comprovam a necessidade de Ser, Ter, Estar. Sem destino provável, sem músicas esféricas quando nos virmos, sem mais Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry e suas cativantes frases feitas que fariam Winston Churchill se sentir enojado.
Sem mais encontros, sem mais dedicação, sem mais curtas mensagens, sem mais promessas, sem mais desejos, sem mais amor. Sem ti.
Congelo em noites de Lua clara, como ontem, ao passar por toda ela a pensar no que perdemos juntos. O sono que já era pouco, se fora por completo - não há mais graça dormir acorrentado a pesadelos da sua partida. Ouço Caprice e lamento, as fadas parecem tão mais felizes agora. Saltatio Lors Fatium Lorem Exit.
É incontestável que eu o amo, ainda, e que a melhor e maior de todas as suas mentiras foi corresponder a este amor. Converto palavras, parábolas bíblicas para o teu nome em busca de algum tipo de satisfação blasfema.
Novamente sinto-me como a ave ferida, sem consolo. Oh! Aos que mantém amores e admorii, fujam enquanto há tempo pois se ao final de tudo vós ainda permanecerdes neste controle, ai de ti que amou ou achou que amara pois ai de mi, meio-homem inteiro, ao experimentar esta nova forma dolor de exílio. Era feliz enquanto havia ti, sou murcho sem ti. Tento não fazer disto algo corrompível mas a sanidade me deixa à mercê. Faze-me empírico do que já houve amor, faze-me. Apague de mim o emet e torna-me barro outra vez. Vazio estou, mais ainda do que sempre fora. O que muda agora é que não há sequer vontade.
Porque de todas as raças que vivem pouco, sofre-se também pouco? Será sinônimo de imortalidade a eterna tristeza e a sempre sofrível perda? A borboleta poderia amar, sabendo que viveria somente por um dia? Valeria amar? Porque de todos, os que vi nascer e vi partir, somente eu sofro mais? É a minha força que me torna mais fraco? É meu desespero, meu medo de viver sozinho e minha aparente indiferença aos outros - que não ao meu próprio amor encarnado - que me torna excluído? Todos os que já mentiram para mim, mentiram que me amaram. Eu nunca menti.
Mesmo na minha Quinta Abdicação eu sofro, depois de Quatro. Sinto falta de quando ainda era Enoch.
"De Dezoito em Oito, Mil cairão. Comigo mais Quatro. Sozinho de mim mesmo"
6.07.2012
Camafeu de Madrepérola - ii
***
Peguei o carro, ainda com o pensamento vazio na cabeça: porque ela? Porque citara meu último filho? O que Ela estaria tramando contra mim mais uma vez que envolvesse meu próprio sangue?
No carro, coloquei Daemonia Nymphe para tocar enquanto repensava, e assim me dirigi ao trabalho. Cheguei, tomei meu habitual capuccino sem açúcar com uma médica colega minha, observei o nascer do sol tão espetaculoso que estava surgindo naquele dia, falamos sobre coisas aleatórias e ainda assim, nada disso tirava da minha mente as imagens corrompidas do passado, que a partir do momento em que eu vi minha esposa - ou outrora esposa - começaram a brotar. Café tomado, é hora de começar o trabalho. Fui até minha sala, liguei o computador, comecei a ler emails profissionais, falei com colegas e a parte da manhã estava sendo como de costume. Muito trabalho, pouca conversa, muita provocação espiritual. Algumas ligações e era quase hora do almoço, convidei uma amiga muito preciosa para almoçarmos juntos.
Alguns minutos antes de me levantar para sair até o restaurante, novamente fui tomado por aquela sensação de sépia que só foi diluída quando, do nada, surge uma coruja negra em plena luz do dia na janela, invadindo-a, assustando alguns colegas de sala e levando ao desespero outros. A coruja, após o susto mútuo, entrou e pousou sobre minha mesa, encarando-me com seus olhos âmbar como que esperando um certo reconhecimento. Tentando reduzir o caos armado por esta invasão, tomei-a ao antebraço (tentando parecer calmo e um profundo conhecedor dos sentimentos ornitológicos) e levei-a até a janela de volta mas qual não foi minha surpresa quando ela novamente me olhou nos olhos e me entregou a mensagem: "Tome o enigma, siga à Noroeste. Frente à uma grande muralha há um olho. Um dos que nada vê mas a todos entrega. Sê cauteloso pois a morte que separa de ti à vida está por um fio de conseguir o que quer." E, após mostrar-me isto, se foi até o céu e desapareceu numa velocidade espantosa. Gelei da cabeça aos pés e estático permaneci durante uns segundos eternos.
Tentando me recompor, pensei e orei aos meus irmãos por uma certa iluminação naquele momento. Dez ou quinze minutos depois, continuei e, no elevador encontrei a amiga. Almoçamos, conversamos mas deste assunto eu nada comentei e saímos do hospital. No caminho à uma loja de conveniência próxima, achei tê-lo visto do outro lado da rua, olhando-me. Mais a frente, parecia Ela a me olhar, encarando-me. Senti seu cheiro agridoce mas não ousei evocar aquela figura sabendo do risco que correria com humanos por perto, principalmente humanos que eu gosto. Ouvi o piar da coruja e quando olhei para o alto, lá estava ela, sobrevoando minha cabeça a uns seis pés de altura. Novamente com um piar, ela desceu e suavemente pousou em meu ombro destro. A amiga que estava comigo assustou-se ao mesmo passo que ficou maravilhada. Desta vez, não havia como postergar e, pela confiança que tinha nesta amiga, contei-lhe que a coruja era uma amiga e que precisávamos ir, juntos. Ela entremeou da confiança na minha palavra e desconfiança de minha insanidade, mas quando me viu olhar para os lados buscando sigilo e alçar um vôo tão rápido que se não tivesse me vigiando não teria notado, acredito que - uma vez que não a vi mais - deva ter repensado sua ideia do que pode ser mais estranho do que eu.
Logo, a coruja e eu estávamos nos céus, entre-nuvens, rumando a um lugar que eu não imaginava ainda mas com uma certa confiança de que tudo daria certo.
...
Peguei o carro, ainda com o pensamento vazio na cabeça: porque ela? Porque citara meu último filho? O que Ela estaria tramando contra mim mais uma vez que envolvesse meu próprio sangue?
No carro, coloquei Daemonia Nymphe para tocar enquanto repensava, e assim me dirigi ao trabalho. Cheguei, tomei meu habitual capuccino sem açúcar com uma médica colega minha, observei o nascer do sol tão espetaculoso que estava surgindo naquele dia, falamos sobre coisas aleatórias e ainda assim, nada disso tirava da minha mente as imagens corrompidas do passado, que a partir do momento em que eu vi minha esposa - ou outrora esposa - começaram a brotar. Café tomado, é hora de começar o trabalho. Fui até minha sala, liguei o computador, comecei a ler emails profissionais, falei com colegas e a parte da manhã estava sendo como de costume. Muito trabalho, pouca conversa, muita provocação espiritual. Algumas ligações e era quase hora do almoço, convidei uma amiga muito preciosa para almoçarmos juntos.
Alguns minutos antes de me levantar para sair até o restaurante, novamente fui tomado por aquela sensação de sépia que só foi diluída quando, do nada, surge uma coruja negra em plena luz do dia na janela, invadindo-a, assustando alguns colegas de sala e levando ao desespero outros. A coruja, após o susto mútuo, entrou e pousou sobre minha mesa, encarando-me com seus olhos âmbar como que esperando um certo reconhecimento. Tentando reduzir o caos armado por esta invasão, tomei-a ao antebraço (tentando parecer calmo e um profundo conhecedor dos sentimentos ornitológicos) e levei-a até a janela de volta mas qual não foi minha surpresa quando ela novamente me olhou nos olhos e me entregou a mensagem: "Tome o enigma, siga à Noroeste. Frente à uma grande muralha há um olho. Um dos que nada vê mas a todos entrega. Sê cauteloso pois a morte que separa de ti à vida está por um fio de conseguir o que quer." E, após mostrar-me isto, se foi até o céu e desapareceu numa velocidade espantosa. Gelei da cabeça aos pés e estático permaneci durante uns segundos eternos.
Tentando me recompor, pensei e orei aos meus irmãos por uma certa iluminação naquele momento. Dez ou quinze minutos depois, continuei e, no elevador encontrei a amiga. Almoçamos, conversamos mas deste assunto eu nada comentei e saímos do hospital. No caminho à uma loja de conveniência próxima, achei tê-lo visto do outro lado da rua, olhando-me. Mais a frente, parecia Ela a me olhar, encarando-me. Senti seu cheiro agridoce mas não ousei evocar aquela figura sabendo do risco que correria com humanos por perto, principalmente humanos que eu gosto. Ouvi o piar da coruja e quando olhei para o alto, lá estava ela, sobrevoando minha cabeça a uns seis pés de altura. Novamente com um piar, ela desceu e suavemente pousou em meu ombro destro. A amiga que estava comigo assustou-se ao mesmo passo que ficou maravilhada. Desta vez, não havia como postergar e, pela confiança que tinha nesta amiga, contei-lhe que a coruja era uma amiga e que precisávamos ir, juntos. Ela entremeou da confiança na minha palavra e desconfiança de minha insanidade, mas quando me viu olhar para os lados buscando sigilo e alçar um vôo tão rápido que se não tivesse me vigiando não teria notado, acredito que - uma vez que não a vi mais - deva ter repensado sua ideia do que pode ser mais estranho do que eu.
Logo, a coruja e eu estávamos nos céus, entre-nuvens, rumando a um lugar que eu não imaginava ainda mas com uma certa confiança de que tudo daria certo.
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O que falar do meu Merkabbah?
Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo revolvendo-se nela, e um resplendor ao redor, e no meio dela havia uma coisa, como de cor de âmbar, que saía do meio do fogo.
E do meio dela saía a semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem.
E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas.
E os seus pés eram pés direitos; e as plantas dos seus pés como a planta do pé de uma bezerra, e luziam como a cor de cobre polido.
E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e assim todos quatro tinham seus rostos e suas asas.
Uniam-se as suas asas uma à outra; não se viravam quando andavam, e cada qual andava continuamente em frente.
E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e do lado direito todos os quatro tinham rosto de leão, e do lado esquerdo todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham rosto de águia todos os quatro.
Assim eram os seus rostos. As suas asas estavam estendidas por cima; cada qual tinha duas asas juntas uma a outra, e duas cobriam os corpos deles.
E cada qual andava para adiante de si; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando andavam.
E, quanto à semelhança dos seres viventes, o seu aspecto era como ardentes brasas de fogo, com uma aparência de lâmpadas; o fogo subia e descia por entre os seres viventes, e o fogo resplandecia, e do fogo saíam relâmpagos;
E os seres viventes corriam, e voltavam, à semelhança de um clarão de relâmpago.
E vi os seres viventes; e eis que havia uma roda sobre a terra junto aos seres viventes, uma para cada um dos quatro rostos.
O aspecto das rodas, e a obra delas, era como a cor de berilo; e as quatro tinham uma mesma semelhança; e o seu aspecto, e a sua obra, era como se estivera uma roda no meio de outra roda.
Andando elas, andavam pelos seus quatro lados; não se viravam quando andavam.
E os seus aros eram tão altos, que faziam medo; e estas quatro tinham as suas cambotas cheias de olhos ao redor.
E, andando os seres viventes, andavam as rodas ao lado deles; e, elevando-se os seres viventes da terra, elevavam-se também as rodas.
Para onde o espírito queria ir, eles iam; para onde o espírito tinha de ir; e as rodas se elevavam defronte deles, porque o espírito do ser vivente estava nas rodas.
Andando eles, andavam elas e, parando eles, paravam elas e, elevando-se eles da terra, elevavam-se também as rodas defronte deles; porque o espírito do ser vivente estava nas rodas.
E sobre as cabeças dos seres viventes havia uma semelhança de firmamento, com a aparência de cristal terrível, estendido por cima, sobre as suas cabeças.
E debaixo do firmamento estavam as suas asas direitas uma em direção à outra; cada um tinha duas, que lhe cobriam o corpo de um lado; e cada um tinha outras duas asas, que os cobriam do outro lado.
E, andando eles, ouvi o ruído das suas asas, como o ruído de muitas águas, como a voz do Onipotente, um tumulto como o estrépito de um exército; parando eles, abaixavam as suas asas.
E ouviu-se uma voz vinda do firmamento, que estava por cima das suas cabeças; parando eles, abaixavam as suas asas.
E por cima do firmamento, que estava por cima das suas cabeças, havia algo semelhante a um trono que parecia de pedra de safira; e sobre esta espécie de trono havia uma figura semelhante à de um homem, na parte de cima, sobre ele.
E vi-a como a cor de âmbar, como a aparência do fogo pelo interior dele ao redor, desde o aspecto dos seus lombos, e daí para cima; e, desde o aspecto dos seus lombos e daí para baixo, vi como a semelhança de fogo, e um resplendor ao redor dele.
Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do SENHOR; e, vendo isto, caí sobre o meu rosto, e ouvi a voz de quem falava.
Ezequiel 1:4-28
Sonhos, pt VIII
Tenho medo do que escrevo porque me substanciam ao desespero. Desperto, insólito, após um sonho estranho de vergonhas e destinos cruzados. Quem era aquele que eu tomei durante a noite?
Lembro-me do seu calor e da sua falta de pudor. Recordo-me do atrito. Não era aquele que eu perdi, era outro. Outro que meus Basanos não me afirmaram ainda quem possa ser. Fechei-me aos olhos da corrupção emocional, desde a última e quero que seja assim. Amor com amor se vende, se troca com dedicação, mescla-se à emoção mas não sobrevive sem perseguições.
Formas e palavras vem e vão, intactas. Minha mente se conforta em lembrar não em sentir. Beber de ti como um sifão.
Ora a chuva cai ora permanece somente em mim, meu coraçãozinho negro e morto se exaspera. Sinto um suave cheiro de mudanças que estão para acontecer.
Dos meus sonhos nada trago a não ser a dor de ter de acordar.
6.05.2012
Perdas: E o que me deixou para trás
Vou precisar falar. Vou precisar morrer. Vou ter de renascer para esquecer parte da dor que me aflige, que me desencoraja, que me apetece à meticulosidade da criação de um veneno bárbaro para dar fim a esta imortalidade imcompleta.
Eu o perdi.
Perderia mais cedo ou mais tarde mas não estava pronto. Não sei agora como prosseguir, não sei como viver, não saberei desfazer os planos que já havera feito.
Definharei por sobre minha morada e Nove vezes Nove eu chamarei seu nome ainda enquanto durmo e acordarei durante a noite assustado por não estarmos mais unidos. Teu cheiro, tua pele, teu contato. Tudo o que você era, atrelado a mim, unindo dois. Toda a conversa sobre amor duradouro não passou de mentiras.
Ou talvez o amor permaneça mas amor precisa de amor para se alimentar e isso, não vejo acontecer. Aquele que despreza perde, em dobro por se tratar de mim. Perdi para si e perde para os outros, que não chegarão nunca mais.
Fechei-me para amores, para grandes novos amores. Basta perder algo tão recente para se flagelar de forma tão intensa a ponto de ferir a alma, que desfalece, em carne maculada viva e sangrante, aguardando mais uma ânfora de água salgada a ser derramada sobre o corpo frágil do atormentado.
Oro pela minha sanidade, que já quase está a me deixar. Oro para deuses-irmãos que desconheço. Não vejo uma promessa de retorno - ou de vida - e vejo apenas um consolo a me deleitar nas palavras de Walt Whitman. Temi meu corpo. Temi meu coração. Afugentei meus medos para poder estar com você. Não me calcei de certezas e desfiz a maior parte do que chamava sobriedade e meu retorno foi mais medo. Não medo meu. Abasteço-me de Péricles agora "pois, ao me enganar uma vez deveria sentir-se envergonhado. Porém, ao me enganar duas vezes, devo me reduzir em meu erro".
Agora ouço vozes que me induzem ao desespero, o sorriso foge-me ao rosto, constantemente brotam lágrimas que sou obrigado a beber para que não vejam o sangue que as acomoda.
Ele era algo que eu estava começando a amar de verdade e perdi. Perdi-o de mim e para mim mesmo, agora não há volta. Ele me perdeu e não terá outro como eu, jamais. Eu nunca terei outro, outra, alguém, algo. A cada dia tenho mais certeza da Troca Equivalente pois nunca uma hora viu tão longo sofrimento quanto ao começar a perder tudo o que amo, no menor prazo e sem motivo derradeiro. Torno-me algo que perde a sanidade quando menos espera, o mundo gira e permanece o mesmo, minha mente se esvai de mim e sobre um certo desconforto emocional pela memória.
Porque me abandonou? Porque me deixou à margem? Porque colocou palavras em minhas presas?
...
Sinto tua falta.
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