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6.14.2014

Conceito de sábado pela tarde, quase já sem energia pelas tarefas



Faz algum tempo que perdi o elo mais importante da minha existência com este mundo. Logo, as coisas começaram a desmoronar catastroficamente. Dias de angústia, dor, sofrimento, pesar e desconforto são seguidos, um após o outro. Percebo que a pouca luz que havia em meus olhos e cabia em meu coração está esvaindo, a passos largos. Não vejo um porto seguro onde possa afogar minhas desilusões, um contêiner de lamúrias eu me tornei – claro, sem que deixasse perceber aos outros. O mais forte sempre precisa de algo forte o equivalente para poder se manter, vejo que não consigo encontrar este poder em mim.

Os dias estão me passando desconsolados, fúteis, incólumes de amores e esperanças. Sinto que há uma queda abrupta nas minhas emoções, ainda mais o que havia antes. Perdi um longo amor, meu melhor amigo, minha matriarca, meu zelo pelo mundo e, a cada dia mais, ganho mais temor pelo meu iminente e perigoso descontrole. Fato que não estou mais conseguindo ludibriar minha sede e que isso pode me gerar um grande problema futuro, cogitei a ideia.

Há algum tempo eu não me importava em ser o ouvinte, o acalentador, o conforto, o padre, o psicólogo das pessoas. Era altruísta e isso me refletia bem. Via uma certa recompensa neste meu esforço sobre-humano. Agora não mais. Não me sinto bem tendo a obrigação de confortar as pessoas, me irrito fácil, sou um estopim curto prestes a inflamar e levar tudo comigo. Talvez eu sempre fora assim, agora eu apenas esteja menos centrado. Talvez. Lembro-me das altas horas passadas ouvindo problemas alheios e criando soluções, satisfazendo desejos, me anulando e consolando, sempre na expectativa de que isso acabasse ajudando de alguma maneira ao meu próprio caso. Hoje, eu percebo que não consigo a merecida retribuição daqueles a quem me dispus. Eles ainda me veem como o porto que não quero mais ser e isso me entristece deveras. Cansado estou de fingir algo que não preciso mais, que não tenho mais forças para seguir.

Não sou aquele homem bom, calmo, perseverante, que gosta de ajudar e se sente bem com isso. Sou egoísta, fúnebre, esgotado, irracional, livre de emoções e com uma grande tendência ao isolacionismo. Sou feio, bruto, rude, descrente, introspectivo, sexualmente extremo e impoluto. Sou meio maior medo e meu pior pesadelo, agora. O Alex bom deu lugar ao Alex mau, isso eu percebo com evidência.

Também há algum tempo, no auge da minha juventude e quando recebi de herança a loja de desejos, eu quis testá-la. Desejei ter meu maior amor junto a mim para todo o sempre e a magia deu-me. O preço foi parte dos meus próprios poderes uma vez que para viver junto dele – pensava eu – eu precisaria abandonar o mundo de qual eu venho. Ledo engano, eu nunca seria aceito. Meu desejo foi atendido apenas para que eu compreendesse que uma vez assumida a responsabilidade, eu precisaria abdicar de todo o resto. Uma vez perdidos, meus poderes não são mais os mesmos de antes e minha maneira de continuar com meu maior amor foi impregnar-me de magia natural (como já descrevi anteriormente). Sinto-me como se me faltasse um membro mas aprendi e desta maneira conceituo melhor os desejos feitos, e, com esta cicatriz, eu desenvolvi o discernimento necessário para prosseguir. Bom, viver tudo isso apenas me deixou mais susceptível a querer continuar desta forma: isolado, sozinho, independente. Confesso que sinto falta de um consolo, um conforto, um colo para me aquecer sendo eu tão frio mas sei também que preciso abdicar destes benefícios se quiser continuar ser eu mesmo. Enfim, prossigo minha etérea jornada pelo mundo humano ciente de que não encontrarei respostas e sim mais perguntas do que havia antes de começar. Ciente também estou de que a cada degrau, os desafios se tornam mais intensos e menos polidos, logo, devo me preparar para o futuro e anteceder as experiências se quiser continuar existindo – ainda que desta forma.

Perdi o desenvolvimento do que pretendia declarar, continuo quando retomar.

Cheguei numa fase da minha vida que vejo que a única coisa que fiz até agora foi fugir, fugir de mim mesmo, do meu nada, e agora não tenho mais para onde ir, nem sei o que vou fazer, fui péssimo em tudo.// Velho Buk

7.02.2013

Fei



Ao ouvir esta sublime canção, me veio à mente o quão superficial pode ser um sentimento. Quão absorto em si pode ser um vislumbre de uma boa intenção. Pensei em transcrever o que eu sentia enquanto ouvia a música - a letra é impossível de ser escrita porque deriva da "glossolalia" e, mesmo a banda sendo búlgara com toques árabes e persas, os lirics não vêm de nenhum destes idiomas.


E então houve um Fundamento.
Tudo o que havia na Terra sublimou
qualquer dor que poderia haver no coração do homem.
Céus estremeceram, Mares enalteceram sua majestade,
O choro da criança fora ouvido até o abalo,
a canção da mãe,
o ressoar da mão dos deuses.
E houve paz.
E houve amor.
E houve compreensão.
E houve uma ímpar confiança.
Logo o Vermelho se apossou do que era belo e,
carregado de desesperança,
bebeu da magnificência do que estava por vir.
E houve rancor.
E houve calor.
E houve uma infinitude de lamentos.

No final, o mundo todo se calou.

وبعد ذلك كان هناك نداء.
كل ما كان على الأرض مصعد
أي الألم الذي يمكن أن يكون في قلب الإنسان.
السماوات ترتعش، أشاد ماريس جلالته،
قد يبكي الطفل قد سمع من قبل ارتجاج،
أغنية للأم،
تلاحن من يد الآلهة.
وكان هناك سلام.
وكان هناك الحب.
وكان هناك تفاهم.
وكان هناك ثقة ونيف.
سرعان الأحمر حيازة ما كان جميلا و
ولدت من اليأس،
شربت من روعة ما كان ليأتي.
وسادت حالة من الغضب.
وكان هناك حرارة.
وكان هناك ما لا نهاية من ندم.

في النهاية، كان العالم كله صامتا.



И тогава е имало правно основание.
Всичко, което е на Земята сублимира
всяка болка, която може да бъде в сърцето на човека.
небеса треперят, море похвали Неговото величие,
На детето викове бяха изслушани от мозъчно сътресение,
песента на майка си,
дрънчене от ръката на боговете.
И имаше мир.
Имаше и любов.
И имаше разбиране.
И имаше странен доверие.
Скоро Red завладя това, което е красиво и
роден на безнадеждност,
пил от великолепието на това, което щеше да дойде.
И имаше гняв.
И имаше топлина.
И имаше безкрайно много съжалява.

В крайна сметка, целият свят мълчеше.

Wouter Madison, from Homotography

6.23.2013

Hoje eu acordei sem muita vontade de despertar


Existe um descontentamento em mim que se manifesta da forma de indiferença para com o mundo. Não apenas descontentamento, é uma revolta, uma rebeldia, a aceitar que as coisas precisam ser da forma dos humanos e não minha. Consigo expressar um interesse surreal quando me comovo, me excito com alguém ou alguma coisa, porém da mesma forma que esta intensidade vem, ela vai. Contrariando as expectativas de todos os envolvidos. Confesso que consigo me desapegar com mais facilidade - acredito que seja esta a forma natural das coisas - quando sou excluído. Amores vem e vão, o que sobra é o tormento e a aflição de ter cometido algum engano.

Quer seja com novos relacionamentos, novas ideias, empregos, atividades, afins. Tudo. Não consigo me recordar de algo que tenha prendido minha atenção por mais de um semestre.

Lidar com humanos de uma forma geral é muito complicado. Tanto que por vezes me abstenho de fazê-lo. Seus gostos, suas necessidades, suas preferências, suas virtudes, suas fraquezas, nada disso compensa. O prazer de acompanhar uma vida tão efêmera dá-se pela quantidade de mistérios que podem ser revelados naquela emoção, afora isso, não existe mais o quê se afeiçoar.

Vejo que muitas coisas acontecem em minha vida - até mais do que deveriam - e quando eu preciso de apoio, força, conselhos, reconhecimento, bom, não tenho com quem contar. Não tenho amigos afinal, nem amores. Tenho amados mas deles sempre espero a posição platônica como sempre tivera. Entendo que eu sempre preciso ser o porto seguro, a fortaleza, o conselheiro mas que, ao depender de alguém em minha vida, não obtenho a mesma resposta. Quase todos os dias, inclusive, sou perseguido por problemas alheios como se eu os procurasse. Preciso ser cauteloso ao conversar, aconselhar e mais, vejo que as pessoas me tomam como alguma espécie de ser ausente. Alguém que "vê as coisas de fora", como já me disseram. Este meu calculismo e frieza é assemelhado a ausência e necessidade. Quantas não foram as vezes que já ouvi um "- Ah, isso não acontece com você" ou "- Mas você não passa por isso" ainda um "- Mas você não precisa disso por que tem aquilo".

Por mais que eu esteja fora de algumas esferas racionais, ainda compartilho o mesmo mundo que todos. Por que então não haveria de passar pelo mesmo? Aqui sim faço um adendo ao contraditório. Minha bolha é imensa, admito, mas ainda assim ela está gravitando ao redor do mesmo sol. Queria só contar algumas poucas vezes com apoio, carinho, recompensa, retorno, conselhos, tudo o que conscientemente ofereço aqueles que confiam no meu julgamento. Nada mais. Queria poder compartilhar uma alucinação, uma história, uma matemática, um pensamento, um sonho, um desejo, um livro, uma cama, uma vida ainda que curta e vejo que isso não está nos planos do Cosmos.

Percebo que minha aflição por estar "fora" não é intencional, eu sou excluído mesmo. Não crio aqui um pedantismo ou fraqueza, mas sim, um sentimento de querer participar. Não é destino, carma ou punição - acredito eu - mas não consigo entender tampouco o que possa ser. Vejo as pessoas cobrando minha atenção, carinho, cuidado, mutualismo como se realmente oferecessem este mesmo bem em troca.

Levo a crer que Kung Fu Tzu estava certo ao declarar que devemos ajudar sem esperar recompensa, mas também não existe divindade conhecida que não esperava ao menos reconhecimento, seja entre os pagãos, os da fé cristã, os alternativos ou os agnósticos.

Passo meus longos dias e noites em prol de outrem, esperando que um dia eles perguntem como estou, porque pareço triste, como foi o meu dia, como reagiria se, o que penso para amanhã... E nunca vejo este retorno. Nunca. Mas vejo as cobranças se acumularem, isso sim.

Meu mundo é meu, infelizmente, e a cada dia que passa percebo que devo continuar nele sem poder sair ou desconcentrar. Talvez seja a minha obrigação viver em resignação e subserviência a quem sequer para perguntar se o fardo é pesado demais.




Sou a única pessoa no mundo
que eu realmente queria
conhecer bem. // Wilde, O.