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6.01.2013

Passa-se entre o Médico e o Monstro, mas não a original - ou em partes


"Se cada um pudesse habitar numa entidade diferente, a vida se libertaria de tudo o que é intolerável. O mau poderia seguir o seu destino, livre das aspirações e remorsos do seu irmão gêmeo, a sua contraparte boa. E esta caminharia resolutamente, cheia de segurança, no caminho da virtude, fazendo o bem em que tanto se compraz, sem se expor à desonra e à penitência engendradas pelo perverso. Constitui uma maldição do gênero humano que esses dois elementos estejam tão estreitamente ligados; que no âmago torturado da consciência, continuem a digladiar-se." / Robert Louis Stevenson

Realmente há algo que incomoda o monstro que se abstrai dentro do médico. Algo real e sólido, que mesmo ele atemporal é capaz de farejar. Algo que incomoda não na carne mas na essência. Tão estranho é o fato do monstro sentir que o médico vê a eloquência da situação.
É como sentir um espinho sendo cravado lentamente na jugular. Um espinho feito de resignação sem doses de resiliência. É como saber que há um fim permeável após todos estes anos. É como antever uma máscara caindo e que, mesmo depois da festa, insiste em permanecer galvanizada.

O monstro sente, vê e fala com o médico. O médico reage mas não toma uma atitude.
O monstro grita e pede clemência da presença, o médico se exalta sem mexer um músculo.
O monstro gira em torno de si e se agarra à lembrança mais antiga e fundamental da memória compartilhada, o médico a considera supérflua e a desintegra com um acenar.
O monstro geme, enrijece, tenta destoar do ambiente-alma em que padece por estar revolto, o médico sorri diante de um espelho ignorando-o de completo.
O monstro alterna entre as faces que possui na tentativa de chamar mais atenção, o médico reconhece cada uma delas e rompe a maldição.
O monstro se aliena e deita por sobre o próprio comprometimento, o médico se enaltece por haver vencido.
O monstro se vê aterrorizado diante da queda do seu ente pensante e chora. Chora por uma vida de cativeiro e o médico, simplesmente jaz fulminado ao chão por balas de prata encrustadas de sangue coagulado.


Logo, não há mais médico e o monstro está novamente liberto.
"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você." / Nietzsche


3.16.2013

Personal Renewal, um ponto relevante recém-aprendido


Fato, resolvi não insistir mais em algo que não me levaria a qualquer lugar. Optei por me retirar, cavalheirescamente, antes que meu mundo novamente caísse. Não, não foi uma decisão covarde. Apenas uma tática de combate visando a proteção integral do pouco que sobrou do meu coração.

Era de suma comprovação que não nos pertencíamos. Eu escrevia mas não via respostas. Eu pensava mas não sentia o mesmo. Perguntava mas nunca precisei dar uma satisfação sobre como eu estava, ou sentia, ou vivia, ou planos. Fiz meu melhor e tentei mostrar meu melhor para que desse certo, mas não deu. Logo, a melancolia se tornaria minha fiel amiga, mais uma vez, sendo da última vez a dispensei por míseros abraços injustos e uma frustração ímpar que é, hoje, digna dos maiores arrependimentos. O renomado psiquiatra diz que:
"Por vezes buscamos mais a companhia do que a pessoa em si. Nos vemos por elas, com elas, mais poderíamos estar muito melhores sem elas. Porém, quando elas se vão, o vazio volta. O vazio pelo que fazíamos para elas, com elas, por elas. Não sentimos falta portanto da companhia e sim dos hábitos que adquirimos. Tão importante quanto é a presença: quanto mais longe, menos se pensa."1 
Devo concordar com ele, uma vez que nos víamos em dias alternados já não mantínhamos algo salutar (o que é estranho pois suas palavras discorriam justamente sobre isso: a aproximação) imagina agora que não nos vemos!

Não por falta de desejo meu, já os deixei expressos. É aquela famigerada sensação de plenitude inicial, acompanhada pelas malditas borboletas que brotam no estômago mas que dada a ausência de alguma forma de carinho ou compensação, acabam mortas, devoradas pelo ego que preenche todo o vazio corrompido mais o ácido estomacal acompanhado do veneno que engolimos enquanto vemos a pessoas que tanto queremos, ir embora. Não quero mais que ninguém vá embora por minha causa.

"O que se aprende na maturidade não são as coisas simples, como adquirir habilidades e informações. Aprende-se a não voltar a ter condutas autodestrutivas, a não desperdiçar energia por conta da ansiedade. Descobre-se como dominar as tenções e que o ressentimento e a autocomiseração são duas das drogas mais tóxicas. Aprende-se que o mundo adora o talento, mas recompensa o caráter. Entende-se que quase todas as pessoas não estão a nosso favor nem contra nós, mas absortas em sí mesmas. Aprende-se, finalmente, que, por maior que seja nosso empenho em agradar aos demais, sempre haverá pessoas que não nos amam. Trata-se de uma dura lição no início, mas que no fim se mostra muito tranquilizadora."2

font site homotography.blogspot.com

1. Nietzsche
2. Gardner, J. W. in Personal Renewal