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3.02.2014

Eis que eu preciso passar por cima de mim mesmo, por cima de meu amor próprio


Num delicioso crepúsculo de um dia que havia sido agradável, algo se movimentava no ar de maneira a querer demonstrar que eu deveria me preparar. Logo, seria convocado e precisaria exercer minha autoridade. Bom, havia muito que eu esperava esta oportunidade mais uma vez.

Lembro bem de já estar ciente quando meu celular notificou uma mensagem de texto dizendo somente “SOCORRO”. Não era um número conhecido mas eu sabia a quem pertencia. Era alguém a quem eu havia oferecido meu coração, muito tempo antes e que agora já não me pertencia mais. Alguém que eu realmente amava e que agora disporia de outro em sua cama, sua vida, sua essência, sua compreensão, sua cumplicidade, sua admiração e seu amor. Eu precisava aprender a lidar com isso ainda. A mensagem pedia socorro mas eu sabia que não era pra ele, diretamente. Há muito também eu havia criado o alfabeto simpático e dessa maneira, saber o que estava passando desde a saúde à atividade emocional desse ser. Me despi e me marquei, deixando assim indelével em mim sua magnitude. Tratei de responder à mensagem com um “Já estou indo, aguarde-me defronte ao portão de sua casa. Sei o que se passa”. E sabia, por isso ele me convocara em ajuda.

Esse seu novo consorte havia sido vítima de um incidente brutal, violento, nas ruas. Havia sido ferido por sua opção e seu meio de vida, depredada a sua dignidade, marcado seu corpo e fundamentalmente sua alma dilacerada havia sido a pior parte. Ele havia sido encontrado violentado, agredido e semiconsciente e no âmbito da sua pouca razão, pedia socorro com seus olhos encharcados de sangue. Como havia sido encontrado pelo seu próprio amante, meu outrora, a única opção seria evocar esse mal – que vos escreve – para ajudar. Médicos curariam as feridas externas, gradualmente, disso sabemos. Porém, tanto ele quanto todos – e aparentemente seu novo consorte – sabiam que eu poderia mais. Talvez minha reputação me precedesse indistintamente. Bem, eis que ele havia sido levado até à casa de meu precioso amor e lá estavam todos, a aguardar. Nesse ínterim de ler a mensagem e responder, eu já me preparava para ter com eles. Um caminho que naturalmente levaria uma hora eu faço em dois minutos, apenas por vaidade, por querer aproveitar sempre da beleza noturna que preenche e desloca. É fascinante perceber que ano após ano, século após século, minhas estrelas continuam imparciais e imóveis levando a crer que somente os que estão aqui embaixo se percebem mudar com o tempo.

Mensagem enviada, pego um casaco, me deixo cair do sexto andar que moro para o chão, diretamente, mas sabendo que antes mesmo de chegar à altura do quinto andar eu já havia ascendido, na mesma velocidade que o vento ganha do tempo na curva. Lá do alto as coisas são vistas como realmente são: pequenas e sujas. Despreocupado durante todo este tempo, eu apenas flutuei até onde deveria e, como sabia que estaria a me aguardar impacientemente onde eu havia mandado, pousei à uma certa distância – segura o suficiente para não ser atormentado. Ele, ao me ver e em seu próprio estado de pranto e dor, conferia sua confiança no olhar e eu me alimentei daquilo como uma seiva dourada da Cidadela Prateada que há muito eu não via. Deixei-me inebriar por aquele aroma, aquela delicadeza, aquela fragilidade, tudo aquilo que outrora fora meu e que agora pertencia a um humano frágil e que dependia da minha benevolência para continuar vivo. Eis a prova da dignidade e condescendência que me sempre é aplicada!

Fomos juntos até o seu quarto, onde repousava um corpo quase dormente de um jovem homem que eu já acompanhei durante uma noite, para observar atitudes e hesitações. Um homem comum, que não era em nada especial a ninguém, nem a si mesmo mas que agora era ao meu amado. Um molde de barro como todos os outros. Barro quebrado que eu, controversamente, precisaria consertar. Era uma lástima vê-lo tão ferido e ensanguentado e mesmo nesse frenesi eu não pensava em outra coisa a não ser em meu amor. Esse pedaço de barro estava realmente machucado em todos os locais que eram alcançáveis pelos olhos, ainda que pelos mais despreparados, mas havia uma falha em sua alma que seria o pior a ser reparado. Havia já uma necessidade de pedir pela morte – como sempre, humanos são fracos o suficiente para desistirem da luta antes mesmo de conhecerem um por cento da dor – algo que eu não permitiria acontecer. Sim, eu desejava me livrar daquilo mas sabia o quanto isso ia magoar aquele que amo. Não há aqui humildade, não, há apenas egoísmo em querê-lo bem e feliz mesmo que para isso precisasse passar por cima de mim mesmo. O amor é algo engraçado, a gente ama mesmo quando não é amado e sabe que, mesmo que não seja retribuído, faria tudo por esse amor. O amor é tolo ou tolos são os que amam?

Pedi que nos deixássemos a sós, apenas aquela peça quebrada e eu, no quarto. No seu nível de consciência eu sabia que poderia agir como quisesse que não seria observado, retaliado ou julgado. Pedi que meu amor nos deixasse também porque não aguentava mais ver o sofrimento estampado naquela bela face que eu beijei tantas vezes pela noite e outras tantas pela manhã. Deitado lá, aquele homem apenas esperava sua vez no trem que sobe aos céus e eu precisaria ser o condutor de volta dele.

Tirei todas as suas roupas – ou o que sobrara delas, farrapos e sangue coagulado – peguei uma pequena compressa que havia ao lado da cama e limpei a testa dele, para remover todos os traços de sujeira que havia ali. Ele ardia e palpitava, além de esforçar para permanecer respirando. Era sim, confesso, uma visão lastimável e ao mesmo tempo belíssima de como compreender a humanidade: um homem quando agride um homem, passa a ser mais homem? Mais poderoso? Mais parecido conosco?

No seu corpo débil havia tanta ferida quanto era possível perceber, ossos quebrados, marcas, manchas, escoriações, sujidade. E mais, em sua alma havia sede de plenitude. Nesse momento percebi e perscrutei que não seria capaz de pedir ajuda para esse feito, como já havia feito antes. Teria de agir sozinho para nossa própria proteção e porque não poderia dividir esse peso, nem mesmo com meu melhor amigo que sempre me acompanha onde quer que eu vá. Decidi o que haveria de ser feito, remoldado, criado, consertado e o fiz, passando minha língua por todo o seu corpo, fechando as feridas, desmarcando as áreas marcadas, desfazendo o mal. Em poucos minutos o corpo havia sido completamente reabilitado e não havia mais um vestígio sequer da violência. Porém, sua alma continuava reclusa em algum canto escuro onde não pretendia sair. Precisei então invadir sua alma, com uma pequena palavra eu abri seu coração e sua mente e entrei, vendo tudo o que havia acontecido, seu passado, seu presente, seu futuro, suas intenções. Tudo o que eu deveria ter evitado eu precisei enfrentar para consertar aquela criatura. Desci até esse canto encoberto e o peguei pela mão, trazendo-o de volta à luz, desfazendo memórias e medos. Assim ele voltou a si, ainda debilitado pela intensidade mas já fora de risco e então pedi para que os outros entrassem novamente e se portassem a cuidar dele, mas que não havia com o que se preocupar e eu não poderia fazer nada mais – ou melhor – do que havia já feito. Percebi nesse momento que havia me exposto e que, consertando a peça quebrada, eu jamais teria meu amor novamente e, ao mesmo tempo, percebi o quanto ele amadureceu e aprendeu. Lógico, essa depressão instalada em mim precisaria ser sanada brevemente. Deixei-os todos com o paciente e sequer perceberam quando eu sai.

Havia em mim ainda a raiva por ter sido fraco, complacente com aquilo tudo. Teria sido eu o salvador de uma nova vida e o destruidor da minha própria, eu havia sido meu maior inimigo mais uma vez. Toda aquela fúria havia se instalado em mim e a dor era semelhante à própria instauração de Virgo e pensei haver somente uma maneira de desprender tudo: vingança, morte, sangue. Foi o que fiz, aproveitando-me das memórias que eu havia retirado daquela pequena criatura, persegui aqueles que o deixaram entre a vida e eu. Não muito longe dali os encontrei, se gabando de terem elevado um nível em sua humanidade.

Criaturas ainda mais débeis, belicosas, superficiais, imundas. Havia quatro deles, sentados no capô de um carro moderno, conversando e bebendo algo sujo. Nenhum deles teve tempo suficiente para saber o que aconteceu. Como um raio eu desci, despedaçando o chão, o carro, um deles que estava mais próximo. Os outros perceberam tarde demais o fogo em meus olhos e quando um deles se apressou em correr, interceptado foi por mim, esmagando sua cabeça com uma de minhas mãos. Dois haviam partido, o terceiro ousou sacar uma arma de fogo e o medo instalou-se nele quando notou que não havia efeito em mim aqueles projéteis. Esse eu queimei, da cabeça aos pés, com apenas uma palavra também. Não somos feitos de Fogo e Tempestade à toa, afinal. Então sobrara um, o líder aparente deles, com o qual eu me diverti por sua fragilidade, fazendo-o sofrer da mesma maneira que havia feito o outro sofrer ou talvez mais, porque minhas mãos afligiam também sua alma. Tenho a mais absoluta certeza de que esse sofreu, e tanto, que os anjos devem ter tapado os olhos e ouvidos para não verem-no ou ouvirem-no berrar, tamanha era minha audácia. Percebi que não ali muito distante, dois anjos observavam a cena, com um misto de pavor e curiosidade mas isso não vem ao caso agora. O importante é que o jovem estava curado, não guardara memórias sobre o que havia acontecido, seus entes estavam agradecidos por sua cura e meu amor, bom, meu amor não se importou em como eu estaria naquele momento. A vingança havia sido concretizada, ainda que não pedida e assim eu me acalmei um pouco, o suficiente apenas para poder chegar em casa e terminar minha noite.





"Ama-se a vitória difícil, porque a derrota lhe preenchia quase todo o espaço possível. E foi com o que restava que se venceu em todo ele." Vergílio Ferreira
"Em uma grande vitória, o que existe de melhor, é que ela tira do vencedor o receio de uma derrota." Friedrich Nietzsche


2.10.2013

"O vinho entra, a verdade sai..."


Já diz o ditado citado.



Cinco anos se passaram. Cinco anos mortais desde que nos falamos pela primeira vez. Cinco anos e algumas horas, eu consigo contar o tempo por mais que diga que não. Meus cabelos e minhas unhas cresceram, assim como meu ego e minha saciedade de plenitude. Muita coisa aconteceu, entre boas e ruins restaram algumas a serem lembradas: os passeios, os beijos públicos, o companheirismo de outrora, a libido (que mesmo após o segundo ano parecia não ceder à maturidade conjugal) e a confiança depositada.

Criei um diário, registrei momentos incompreensíveis inicialmente, guardei memórias, traições, desejos repreendidos, insanidade, luxúria. Mantive a mim mesmo cativo por este amor. Amorem.

Tornei-me parte de meu próprio veneno e segui minha vida como um rélis humano masculino.
"Quando eu era menino agia como menino, falava como menino, sentia como menino e discorria como menino. Hoje eu sou um homem e deixei para trás as coisas de menino." I Coríntios 13.11
Cinco anos depois, minha vida se fragmenta. Pedaços inteiros caem de mim enquanto ando, penso, falo. Bebo de almas mortas tentando reverter meu envelhecimento mas é fato que não conseguirei. Ficarei velho, fraco, sozinho e apenas o vinho me manterá vivo enquanto houver. Vivemos tempo demais para estarmos sozinhos, a cada era tocamos um humano para que ele nos guie. Tem sido assim há tanto tempo que nem me recordo o primeiro. Mentira, recordo sim do primeiro que tirei do mundo mortal. Recordo-me também da maneira como tive de desprezá-lo antes que se tornasse perigoso. Este, de agora, era tão dócil, tão afável, carinhoso, amável, limpo. Um verdadeiro Chevalier da Alta Sociedade Nobre, mas, este também se foi.

Hoje, escrevo sobre suas virtudes que desdenhei até ontem. Hoje, sinto falta de algo nele que, mesmo me incomodando, dava a certeza da sua presença. Hoje, me tornei menos homem do que era quando comecei esta jornada. Hoje, me tornei mais fera. Hoje eu me sinto novamente como o deus que foi criado sob a Estrela da Solidão e que foi lapidado de mármore vermelho das vestes do demônio-primordial. Hoje, toda uma floresta se tornou pequena para conter minha ira contida. Hoje, os espelhos se partiram ao me ver - sendo eu algo nunca visto por eles. Hoje, eu apresento minha dor ao mundo.
"Sei que sou sólido e são,
para mim num permanente fluir
convergem os objetos do universo;
todos estão escritos para mim
e eu tenho de saber o que significa
o que está escrito." Walt Whitman
 Sei que minha dor é infundada, admiti que sua felicidade superaria à minha. Penso, mas não existo, porque aprendi a ser egoísta como o homem que me criei. Não encontro uma palavra da minha vasta coleção de idiomas que possa refletir sequer um décimo do que estou sentindo. Não tenho sono, não tenho sede ou fome, não tenho prazer. Não tive vontade de me servir esta noite, sorver o ambiente e ir à caça para me manter. Penso em voltar à dormir por mais cem anos. Não posso morrer à esta altura mas posso me retirar da sociedade mais uma vez. Existe uma música que reverbera na minh'alma que me acalenta enquanto escrevo. E penso. Uma música que me pede para ser forte mesmo nas horas mais escuras, que me induz a ser bravo mesmo nos momentos de insensatez, que me elogia pela sobriedade. Uma música que deve ser um primor dos deuses-irmãos que não me permitiriam mais estar entre eles e que precisam me manter neste mundo.

Matei muitos homens, mulheres e até crianças. Matei porque precisei, antes de aprender. Tão somente hoje queria que todos eles pudessem voltar e me levar. Nesta noite eu busco a morte que não poderei encontrar.
"Não temas a morte - quanto mais cedo morreres, mais tempo serás imortal." Benjamin Franklin
Para cada pena há um desejo. Para cada desejo, algo meu é consumido. Para cada pena que cedi, me tornei elo com o que foi realizado, seja bom ou mau. Me tornei a cólera, a febre negra, a política. Mas, também me tornei a vacina, o fogo e a justiça. Vivi tanto tempo caminhando sobre a Terra que não posso mais. Não com esta forma, mais. Mudarei e isso é resoluto, como sempre fora. E quando a Tempestade acabar, poderei ser eu novamente. Cinco anos. Cinco anos e repenso minha existência por completo. This is fear?

Por cinco anos eu o amei em vislumbre. Por outros milhares de anos eu o amei enquanto esperava que ele fosse feito. Por mais milhões de anos o amarei e o deixei partir. Começarei a contar o Tempo em eras, esperando pelo próximo retorno dele e quem sabe, da próxima vez eu também faça tudo certo e possamos ficar juntos.

Epílogo:

Perdoa-me! Perdoa-me e aos meus desejos depravados. Às minhas loucuras e meus devaneios. Toma-me novamente em seu coração. Toma-me. Ame-me, ame a mim da mesma forma que há cinco anos atrás me amou. Be my man. Seas mi hombre. Eu amei tanto as estrelas porque tinha medo de estar sozinho e de volta à solidão...
"Os homens tropeçam por vezes na verdade, mas a maior parte torna a levantar-se e continua depressa o seu caminho, como se nada tivesse acontecido." Winston Churchill

1.26.2013

Eu adoraria...


Adoraria dizer que estes quinze dias foram os piores da minha inteira existência. Queria poder dizer que senti tua falta, que meu coração estalava de preocupação, que minha alma pedia a presença da tua, que meu ar havia sido tomado com a sua partida.

Queria poder dizer que não aprendi muitas coisas, que meu mundo não girou, que a neve não caiu sobre minha morada, que meus estimados amigos não se foram.

Queria - Não - Imploraria para que meu próprio coração não tivesse ido embora. Que minhas asas não houvessem florescido...

Porém, não posso. Não suportaria dizer mentiras tais que me fariam mal.

Tu fostes e não te importara com o que deixara para trás, seguiu seu sonho, sua vontade momentânea. Eu fiquei para esperar. Esperar não sei o quê, que viria não sei de onde. O Conhecimento da Partícula me permite saber o que você está a fazer neste exato momento e devo confessar que não gosto.

Muitos vieram e Todos partiram, exceto um. O que farei com ele quando você voltar?

"Ou talvez o "Final Feliz" seja isto, saber que mesmo com ciúmes e brigas, com ligações sem retorno e corações partidos, com todos os erros estúpidos e sinais mal interpretados, com toda a vergonha e todo o constrangimento, você nunca perdeu a esperança e continuará alí, pois isso tornou-se essencial em sua vida, ele está ali junto e isso é o que importa."

 ...


7.08.2012

Hagia Sophia


Outrora Sheraphim.



Não é volatilidade ou volubilidade, é apenas uma questão de perder o encanto. Por algo, por alguém, por uma fração do segundo que se segue. Acontece sempre, para cada felicidade da paixão existe uma alegria pela perda desta obsessão. Ama-los não é nada, permanecer amando-os sim. Não precisam de muito para me deixar em êxtase.
Existe uma estória oculta no meio de todas estas entrelinhas que não convém.

Basta dizer que uma de minhas personalidades caiu por amores por alguém, que não correspondeu. Uma outra personalidade quis insistir, mesmo descompromissada. Uma terceira personalidade afirmou - categoricamente, como ele sempre faz - que isso não daria certo. Uma quarta personalidade permaneceu submissa. A quinta neutra. A sexta brigou e a sétima ouvia música enquanto tudo isso acontecia. Agora, Todas pagam. Tudo por uma estrela cor-de-bosque. O trabalho do sol foi feito, o ouro voltou a ser carvão e agora, ainda que prometendo não chorar, chorarei. Não de mágoa, talvez de raiva pela minha ainda evidente ilusão de que a humanidade de hoje é como a de antes. Peco e pago pela minha sinceridade, Fei.

في نفس الطريق، وسوف تدفع به.

Minha lucidez voltará em breve, quando a Noite cair e começarem a lamentar pelo calor que era a luz do dia. Passo-a-passo eu vou mudar, crescer, evoluir, conhecer o auto-comedimento, passar a falar menos, agir menos, ser mais eu mesmo e evitar ser alguém que não sou para agradar. Mesmo sabendo que, em suma, não posso assumir o que sou. É como o Juramento, anterior. Não há como espaçar a forma humana. É quase como li, certa vez, numa ficção.

Não basta apenas conhecer o demônio que há em você, é preciso domina-lo, coagi-lo, revertê-lo. Assumi-lo somente quando convier um holocausto. Meus cabelos e meus olhos inflamam com labaredas de discórdia, rancor e violência bruta - Não posso permitir que isso aconteça pois, uma vez aberta a anêmora do demônio, ela não pode ser fechada com tanta facilidade.


Ι’

«Πέθανες στα δεκαεφτά σου, ερωτοπαθής.»

Είμαι ελεύθερος, μαζί σου, καλέ μου φίλε,
ελεύθερος από κοινότοπες, ηθικές συνήθεις:
θωρώ το ωχρό σου πρόσωπο, αγένειο,
ανάμεσα σε άσπρα λουλούδια· χλωμός βρίσκομαι
και σε λυτρώνω, χωρίς καμιά επιφύλαξη,
για απόλαυσή μου και γοητεία, μεταγενέστερες.

Συγκινημένος, χωρίς την ματαιοδοξία του θρήνου,
με συγκρατημένο ενθουσιασμό, αιθέριο,
μια που ο πολύς ενθουσιασμός κρυσταλλώνει
και, ο λίγος, σκοτώνει, μαρασμός είναι.

Σε φιλώ στον αποχαιρετισμό, χωρίς να με βλέπουν.

Ούτε καν σε γνώρισα, κι όμως το σώμα σου
τώρα μ’ ανήκει, αν και χαμένο, αιώνιο.

Defino tudo o que é amor como algo que se mantém e amorem, do latim, como algo que veio e - unicamente - partiu.

1.15.2012

Eu, que seja o que sou


Se este sou eu, não há mais o que dizer. Se hei nome Cavaleiro é porque o mereci. Se hei nome inverdade é o que fiz de mim. Se estarei à sua espera é porque de ti preciso. Previ muitos dos acontecimentos que a mim afligiram, mas, não pude prever o amor que sentirias por ti. Tu hás nome Cavaleiro, fazes parte de mim. Tu herdarás o meu amor que sempre fora teu. Nada do que sou independe, nada do que és seja subjugado.  

Apenas sinto amá-lo enquanto este mundo nasce e renasce em mim.

1.01.2012

Réveillon


Para que serve o réveillon?



Entendo que era para festejar a passagem de ano e os novos votos, mas para que ele serve realmente? Talvez eu esteja frustrado porque o meu não rendeu os frutos que eu esperava, admito. Há quatro anos eu acompanho este processo de fireworks e hugs a desconhecidos e a cada ano parece que as coisas mutam de uma forma desordenada. Neste de ontem então, nem se fala. 
Eu poderia ter ido mais longe, poderia ter assistido de cima, da melhor vista mas me entreti junto aos outros - maldita hora. 

Acredito que se eu, naquele momento, tivesse mostrado um décimo do meu dom não estaria eu aqui agora, desorientado por ter perdido um grande amor. 
Cada cor que subia ao céu iluminava parte do meu coração, porém, passado este maravilhoso espetáculo, cada cor desbotou e se associou à mágoa e insanidade, tornando-se algo violentamente arrebatador. 

Eu o abracei mas não o beijei. Fiquei devendo-lhe o primeiro beijo do ano de Dois Mil e Doze naquele clima perfeito. Parte por vergonha parte por exposição. Não são todos que, mesmo em pleno século XXI e em terreno público, admitem beijos entre homens. Principalmente quando a família está nas proximidades, é aquele medo mesmo sabendo que eles sabem de tudo. 

Porém eu o abracei, vanglorio-me! Fiquei abraçado durante os dezessete minutos em que explosivos iam ao céu e se tornavam sonhos. Cores misturavam e tingiam o mar logo abaixo. E aquele calor, aquele cheiro, aquela sensação de proteção, Tudo aquilo me exauriu da forma mais bonita que eu pude perceber posteriormente. Então eu estraguei tudo, com minha sutileza de um patrono elefante idoso prestes a morrer.

Dei as costas a ele e parti, após uma acalorada discussão. Nunca deveria ter feito isso porque além de desrespeitá-lo eu o ofendi. Dei as costas a quem amo e aquele gesto significou minha despedida do seu coração. Perdoa-me, Céus, pela insanidade e Poe nunca fez - paradoxalmente - tanto sentido. Tenho vivido na Loucura acreditando ser realidade e quando me estabeleço são, ela se rompe.


Agora, que não passei pelo teste, envolvo outras almas enquanto falo. Não poderia amá-lo menos, seja reveillon ou qualquer outro dia. Perco-me no que sou quando não estou com ele. Amar é estar com o outro onde quer que ele esteja.




Ad amorem est infinitum


"There is no remedy to Love but To Love more."
Thoreau


O amo.

Não há nada mais preciso em mim do que o amor que consigo dispender a Ti.

Tu que me encanta, define, ensina, refrigera, acompanha, carrega nos braços do amor e mensura meu universo que carrega consigo. Preciso de Ti. Mais do que de mim mesmo. Canso-me de ser eu mesmo quando distante estou de Ti. Nunca precisei de razão para amá-lo, bastou conhecê-lo. Meu coração sempre sentiu que este momento chegaria mesmo que tardio.
No começo eu era o melhor amante, romântico, sensível, doce e preocupado. Mas o Tempo passou e acabei calculista e atento demais. Foi neste momento que Tu deixara de me amar. Tentei consertar mas acho que já era tarde, não imagina o quanto eu lamento. O perdi por algumas poucas vezes, a última parecia que seria definitiva. Graças aos deuses que habitam o céu e o mar, reatamos. Novamente eu criei promessas de um mundo novo e amores eternos.

E novamente eu cai no meu pecado.

Passei a contar os momentos contigo e a tratá-lo como algo que seria eternamente meu. Como um casal completando bodas de prata éramos, ultrapassando alguns momentos preciosos de nossas vidas. Considerava-nos este casal eleito que estaria junto sempre e assim, acabei ignorando algumas Leis de convivência com quem se ama. Passei a negligenciar muita coisa, a ser indiferente e ouvi-lo cada vez menos, remeti à frigidez e o romantismo seguiu vida na sarjeta.

Pereci enquanto estava com você, desejei dos piores venenos e das mortes mais épicas. Passei a viver sem mim. Longe de mim.

O mundo mudou, desculpas não são mais válidas. Novamente eu o perco e sem chances de retornar. Não há empecilhos, estão sendo ignorados. Meu longo amor antigo regressa ao meu coração, despejado do Teu. Livrei-me dos que me queriam mal. Mau, inclusive, e agora eles não mais serão sobressalentes à minha posição de pássaro meio-Homem inteiro a ruir. Nada me importa mais agora, nem perdões nem augúrios. Não há mais que se preocupar com ipsis custodietis ipsi custodis.

Ele está indo, eu permaneço. Nossa conversa não tem mais aquele tom de alegria porque sempre é carregada de queixas e invólucros de questionamentos. Não sorrimos mais com tanta frequencia e agora, então, não poderemos mais sorrir juntos. Nunca mais eu poderei sorrir porque além do nosso compromisso, você levou de mim seu amor. O meu continuará sempre disposto e ignorando outros corações além do seu.

Nunca mais amarei outro. Nem penso nisso.

Al Perderte
Ernesto Cardenal

Al perderte yo a ti
Tú y yo hemos perdido:
Yo porque tú eras lo que yo más amaba
Y tú porque yo era el que te amaba más.
Pero de nosotros dos tú pierdes más que yo:
Porque yo podré amar a otras como te amaba a ti
pero a ti no te amarán como te amaba yo.



11.06.2011

Um possível adeus


Eu sinceramente pensei que este amor daria certo. Talvez esteja e eu novamente estou enlouquecendo na fabulosa Síndrome de Otelo que me persegue. O fato é que, neste momento de confissões dolorosas, eu sinto que estou perdendo. Perco para a minha mente doentia, perco para algum outro homem e perco a confiança que depositei no que amo.
"I used to live alone before i knew you."
Tenho medo de estar sendo injusto, afinal quem errou anteriormente fora eu. Penso estar confundindo algo que preciso e algo que quero, temo estar mantendo esta situação apenas pelo bem que ela me oferta. Admito que estou brutalmente infeliz mas não pelo relacionamento e sim pelo que eu o estou tornando. Mas, ao mesmo tempo, sinto que há algo realmente diferente no ar. Pode ser - novamente aqui admito minha culpa - meu ego ou algo que pareça um ego, mas o fato é que estou com a alma em frangalhos. Torno-me prisioneiro de minhas paranóias até então, claro, considerando que sejam paranóias mesmo e não realidade. Temo que seja realidade.

Outrora eu era Vermelho, agora não tenho cor.

Temo estar confundindo alegria com felicidade, carinho com necessidade e amor com amizade dedicada. Sinto que estou perdendo algo muito importante, inclusive enquanto escrevo, pois não tenho mais a confiança que tivera. Na verdade, não tenho mais confiança alguma. Nenhuma. Em todo momento fico vislumbrando cenas de traição e desdém, sequer elas existem. Poderia eu estar mantendo esta situação apenas pelo que considero perder? - Realmente não compreendo. Não compreendo exatamente quando isso começou, tenho apenas um palpite.

Talvez quando nos separamos da última vez, pensamos que seria em definitivo. Eu acabei minha vida naquele exato momento, desfiz antigos juramentos, bebi do meu veneno escondido, definhei, estive à beira da inanição humana e por um mísero instante, não atingi o meu êxito letal. Ele simplesmente seguiu a vida e me substituiu. Assim. Conheceu (ou já conhecia) um outro rapaz que não cabe aqui, a mim, definir o caráter, e seguiu a vida. Viveu com ele o que antes vivera comigo. TUDO! Dos carinhos silenciosos à cumplicidade. TUDO. Penso que neste momento eu caminhei à margem da humanidade tão fortemente que por pouco não consegui retornar. E também neste momento a minha crença e confiança caíram comigo porque, desde então, eu não consigo mais confiar em pequenas palavras. Sinto uma necessidade tremenda de vigiar e possuir. Enlouqueço sozinho em cantos escuros esperando noticias enquanto confabulo com meus melhores amigos (Harpócrates e Evangeline) o que poderia estar acontecendo. Inclusive estes amigos sempre o apóiam, inocentando-o - o que eu acho particularmente estranho. Meu alter-ego sente sede de sangue e meu super-ego quer dominar e conquistar, destruir e matar. No Muro das Lamentações eu ergui um sobressalto com lágrimas e lascas de fibra de coração, retirados de mim.
"10.000 miles or more."
Por isso escrevo e por isso choro. Por isso consulto os meus Basanos que sempre me escondem sentimentos. Por isso peço aos deuses que me livrem deste fardo, que me livrem desta vida pois quando assumi o Sangue Negro não imaginaria que sofreria tanto por um homem comum. Não fazia parte do acordo ou ele omitiu para que pudesse me tomar. Confesso que dois terços da minha vida são sombras e névoa, mas o meu melhor terço eu compartilho com ele e me sinto rejeitado, tratado, desta forma vil, ainda que ele seja realmente inocente.

E mais, esta incongruência me persegue. Há muitas Luas e muitos Sóis que não pude aproveitar. Não sei o que fazer, não adianta desforrar a raiva e a dor em quem não merece, mesmo não sendo assim tão altruísta quanto posso parecer. Fato que amo matar e amo beber, amo aprender quando o sangue escorre até às vísceras que um dia tive, sinto-me absorto quando posso ingerir este néctar e dentro de mim ele esvanecer, arrastando consigo muitas almas, mas não considero esta singela cena algo digno de ser representado agora. O que consta é que estou definhando, preso ao teto de minha humilde morada, enquanto ele vive e posterga desta forma, minha lancinante sinfonia de adeus.

Adeus a ele, à Terra, à pequena humanidade que criei para mim, ao amor, ao ódio, aos deuses.


8.25.2011

Síndrome de Otelo - Ou ciúme patológico


Escrevo apenas pelo que sou, e sinto. Tão obstante de me conhecer.

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Todos nós cultivamos certo grau de ciúme (Almeida, 2007). Afinal, quem ama cuida. Mas, como este desvelo pode variar na interpretação de uma pessoa para a outra, de forma análoga, o ciúme também o variará. Portanto, desenvolve-se quando sentimos que nosso parceiro não está tão estreitamente conectado conosco como gostaríamos (Rosset, 2004). (+)

O conceito de ciúme mórbido ou patológico, também chamado de Síndrome de Otelo, em referência ao romance shakeasperiano escrito em 1964 ("Otelo – O Mouro de Veneza" de William Shakespeare. Em sua obra, o autor considera o ciúme como o "monstro dos olhos verdes". Nesta história, o protagonista Otelo, envenenado de ciúme pelo astucioso Iago, deixa-se levar por um ciúme doentio do seu melhor amigo com sua esposa, acaba matando a honesta, terna e doce Desdêmona) compreende várias emoções e pensamentos irracionais e perturbadores, além de comportamentos inaceitáveis ou bizarros (Leong et al, 1994). Envolveria muito medo de perder o parceiro(a) para um(a) rival, desconfiança excessiva e infundada, gerando significativo prejuízo no funcionamento pessoal e interpessoal (Todd & Dewhurst, 1955). (+) Nesta variação excessiva do ciúme há a possibilidade de algumas pessoas interpretarem conclusivamente evidências de infidelidade a partir de ocorrências irrelevantes, se recusam a mudar suas crenças mesmo frente a informações conflitantes, e tendem a acusar o parceiro de infidelidade com muitas outras pessoas (Torres, Ramos-Cerqueira & Dias, 1999; Vauhkonen, 1968). O ciúme patológico pode ser diagnosticado ainda que o parceiro considerado infiel realmente o seja ou o tenha sido (Kingham & Gordon, 2004; Soyka, Naber & Völcker, 1991). Dessa forma, segundo Kebleris e Carvalho (2006) o diagnóstico desta psicopatologia não está na avaliação dos fatos em si, mas sim na leitura realizada pelo indivíduo que acredita ter sido traído pelo parceiro. 

Ocorre, freqüentemente, que o parceiro infiel coloca o outro em dúvida de suas próprias percepções e memórias (Hintz, 2003). Conseqüentemente, o que mais incomoda ao indivíduo ciumento é seu parceiro negar a existência de outra pessoa e fazer com que acredite que ele está imaginando coisas e que sempre foi fiel. Há casos que, após o parceiro ciumento descobrir que de fato foi traído, irritar-se mais com a mentira, fazendo-o acreditar que ele próprio estava errado ou ainda mesmo doente por imaginar coisas do que a própria infidelidade. Dessa forma, a infidelidade pode não ser a pior coisa que o parceiro faça ao outro, ela é apenas uma das mais perturbadoras e desorientadoras porque é capaz de destruir um relacionamento, não necessariamente pelo ato sexual, aliadas as mentiras e segredos que passam a distanciar o casal.

Nas palavras de Mira y López: 
“Na realidade, o ser ciumento trava uma batalha consigo próprio, e não contra quem ama ou contra quem cobiça o bem amado. É no próprio núcleo do amor “ciumento” que se engendra a inquietação e cresce a biotoxina que o envenena” (Myra y López, 1998, p. 174).
 “O indivíduo ciumento permanece ambivalente entre o amor e a desconfiança de seu parceiro, tomando-se perturbado, com labilidade afetiva e obcecado por triangulações” (Hintz, 2003, p.48). 
Pessoas ciumentas podem se tornar obsessivas com detalhes de seus rivais (Guerrero & Afifi, 1999). Tipicamente a pessoa ciumenta precisa de constante reafirmação de seu amor-próprio. Em geral, esta desconfia de seu próprio valor e, por isso, tende a julgar que não é tão importante e nem bastante amada.

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* Prof. Thiago de Almeida é psicólogo e pesquisador do Instituto de Psicologia (USP) - Departamento de Psicologia Clínica e autor do livro “Ciúme e suas conseqüências para os relacionamentos amorosos” (disponível pelo site: http://www.editoracerta.com.br/ciumes.asp).

8.10.2011

Mundo X Percepção


Este não é o mundo que você deseja, mas é um mundo que eu posso dar-te, integralmente, sem escolhas ou renúncias ou ainda devaneios inconstantes. Martirizo-me por só ter este para oferecer mas reconsidere: é o melhor mundo que você poderia ter pois nele encontra-se todo o amor que houver nesta vida, essencialmente, expresso da melhor forma possível para engrandecer e tornar digno o carinho que me é manifestado quando em sua presença. Este é mundo que adaptei para que nossas conversas sejam eternas, nossos sorrisos sempre os mais puros e cristalinos, nossos choros condensados em vida para a natureza, nossas almas entrelaçadas, o calor sempre presente e calidamente apreciado, o aroma sempre o mais doce, o andar sempre seguro e as decisões sempre íntegras. Não é um grande mundo em extensão, mas é o maior mundo moldado em entrega que se pode ter. Não é um mundo tampouco etéreo, na verdade ele será bom enquanto durar. Enquanto quisermos que ele dure. É um mundo onde nos vemos sempre, nos tocamos sempre e sem medo, satisfazemos nossos desejos desde os mais singelos e sempre somos o que queremos ser. É o mundo que não nos mede. É o mundo que nos aceita. É o mundo que precisamos agora mas é o mundo que irá nos esperar o tempo que preciso for. E que irá nos seguir para todo o sempre, nos desejando.

Em suma, este mundo é meu coração ofertado a você, meu maior amor.


8.07.2011

Minha promessa


"Ci sono frammenti
che spazzano via
gli interi."
Corde Oblique - My Promise 

Não adianta dizer o quanto eu te amo, qualquer que seja a conjuntura das palavras não será tão digno dizer. Ou pensar. Talvez - não, é certo - apenas sentir já basta. Basta para mostrar de todas as formas expressáveis possíveis o quão grande pode ser. Não é somente amor, é tudo mais o que ele retribui. É presença, constância, verdade, companheirismo, sedução, fidelidade, compreensão, virtude, fundamento, cultura, aprendizado, mutualidade, espírito, corpo, alma, sangue, presas, vítima, predador. É tudo o que sou, essencialmente. É o que eu ainda posso ser, integralmente. É mais do que já fui antes, vazio.

É ouvir música onde há paixão, cor. É sentir calor na Rússia Setentrional em pleno inverno. É se recordar de quantos idiomas fala mas não achar em nenhum deles sequer um espelho do que precisa dizer. É ser tolo, boçal, incauto, apaziguando seu lado soberano divino.

Amar é ser e estar, amar nem sempre é ter.

Faz dois séculos e meio que não toco em meu violino, pois ele havia se perdido há outro tanto tempo. Lembro-me do tempo em que pleiteava atenção pois tudo o que eu tocava era desarmonioso, nefasto, pútrido em ação e reação. Tudo antes era como uma película em preto e branco, num mundo carmim e opulento de cores douradas brutalmente esculpidas. E passado este ínterim, eu toco virtudes e amores, sejam eles retribuídos. Lecionei a Orphíos e aprendi com ele, mas isso é mais antigo do que quero mostrar agora e não convém (mesmo que havera prometido esta história). Meu violino era parte de mim, era a minha séptima asa.

Os dias não são tão efêmeros quanto eu pensara, mas, as flores ainda nascem e murcham. Hoje, eu vejo que é necessário. Certas intenções precisam de seu eflúvio mortal para que outras floresçam. Para que eu floresça!

Nove vezes nove eu definhei e cai. Dez águias de tempo se passaram até que me reestabeleci. Leões, águias, peixes, visco, vitríolo e dragões vermelhos e verdes - Todos estes são meus amigos. Meu amor é meu amigo. Nós somos um e somos todos.

Tento dizer o quanto te amo, não sei se consigo. Tento mostrar meu valor diariamente, espero estar sendo o bastante. Mas lembre-se, não sou apenas o que vê.

7.19.2011

Condições Familiares esclarecidas ou O Teor de magnitude existencial

Nunca pude ser o que nunca tive. Não é a melhor maneira de explicar o que quero.

Porém, ao passo vagaroso da efêmera estrela-marinha, algo está mudando e exponencialmente sendo adaptado, quer seja subentendido quer seja evidente em documento de ordem judicial incontestável.

Confesso que estes artifícios humanos não costumam evocar nada em mim. O que estaria acontecendo portanto? Ultimamente sinto-me forçado a assumir um compromisso, um relacionamento, algo escrito, pensado, sacramentado, religiosamente consciente e claro, preferencialmente eterno enquanto dure. Me pego pensando em um lar compartilhado, lençóis,  travesseiros afofados e juntos, café da manhã, cheiro de banho quente com alecrim, seda e amanhecer. Coisas que até então considerava uma utopia cinematográfica contemporânea surreal e - inclusive - aborreciva. Não mais, não por enquanto.

No momento, quero o prazer masculino de chegar em casa depois de um estafante dia de trabalho humano e sentir o peso de ser o responsável, o mantenedor, o acolhedor. Preciso sentir o cheiro da comida humana - ainda que não coma - e sentir o calor de quem me espera. Serei o braço forte para suportar tudo isso e ainda poder amar, ser desejado, sentido. Poder ter uma longa noite de amor, ouvir juras e confidências, trocar segredos, fazer planos, dormir, fazer mais amor, acordar e ter a nítida sensação de que tudo é mais um sonho. Lógico, fazer mais amor ainda (confesso que se de algo humano restou em mim foram o desejo e apetite sexual).

Um adendo: e se me excedo em adjetivar algumas características como 'humanas' é porque sai desta condição há algum tempo.

Ou seja, após ter experimentado de tudo um pouco, de muitas condições e muitos planos desfeitos, sinto-me inclinado a perseverar. Progredir, procriar. Evoluir e morrer. Ao menos metafóricamente. E quando parecer que está no fim, recomeçar, para poder ter o mesmo prazer novamente.

E quem me acompanha nesta aventura?


7.04.2011

Aparente ausência

Confesso que ando ausente, alheio à minha própria necessidade de fluir e expressar esta mesma fluidez. Muita coisa tem acontecido e parte delas é de minha responsabilidade. A parte que não me compete é justamente a melhor parte.
Têm sido dias (e noites) bons (e boas) para introspecção, depois de dias (e noites) ótimos para serem vividos.

Passei muito tempo ao lado de um amor incondicional.

Aos poucos, tentarei voltar à rotina. Por hora, deixo esta mensagem de retorno e uma belíssima obra de Mestre Henryk Górecki que me acompanhou durante todo este tempo. Tempo que passei chorando. Tempo que passei passado. Tempo que não vi passar.

6.20.2011

Positividade

Nunca fui adepto à positividade em relação à concepções externas de Felicidade ou Tristeza. Em suma, nunca conheci a Felicidade da forma como ela é sugestionada em diversos veículos. Porém, confesso que estou experimentando algo novo nestes últimos dias, refiro-me talvez, à alegria.

Tenho passado mais tempo sorrindo do que ausente e isso fascina-me deveras.

Vejo pessoas e falo com elas, elas me respondem. Não sou mais tão invisível quanto antes. Ou talvez nunca fui, sentindo que os ignorava. Tenho dificuldade em ser bom, acho que já deixei bem claro.

Nestes últimos dias, mais precisamente (e ainda mais, noites) de sexta-feira até hoje, sinto-me renovado por um espírito de concordância. Desperto para uma realidade tão desejada e gosto do que vejo. Nunca pensei que companhia seria algo tão agradável, vejo-me enganado também quanto a isto. Consigo controlar toda esta Obsessão (descubro esta palavra encantada) até um certo nível e dali em diante tenho ajuda tão preciosa. O que ainda não posso dar-me a mim, consigo de fora e aparentemente de forma altruísta. Será? Não duvido ou desdenho por ora.

Ora-pro-Nóbis.

Como as coisas são, agora, enquanto escrevo sinto falta. Trocaria toda este momento literário por mais um pouco desta droga que chamam amor. Mas não devo cambalear quando me sentir agredido de alguma forma, amo-me mais do que amo o que vem de fora e junto com toda esta dedicação existe a necessidade de retribuição no mesmo valor. Não faço nada que não precise ser recompensado e minha furtiva (e alucinada) mente (Übermensch) vagueia aqui e acolá, procurando por algo que precise ser punido. Se nunca experimentei estas sensações, ainda não posso declarar se realmente gosto delas. Sinto-me inclinado, concordo, porém de inclinações o inferno está cheio.

6.05.2011

Libera me (ii)



"
Oh when you´re cold I'll be there to hold you tight to me.
Oh when you´re alone I'll be there by your side."

Não consigo mais me suportar.
Estes ciúmes, esta angústia, este medo bruto de estar sendo subjugado e eventualmente substituído. Tudo está me eviscerando vivo em sentimentos impuros e sujos, desprezíveis e afastando meu maior amor.
Meu pavor vago de conhecer mais do que me é mostrado me coloca na pior das posições e estou farto disso.

Farto de mentiras simples e verdades complexas, cansado de estar sempre além das possíveis limitações, castigado por pensamentos irrelevantes me coloco ao precipício amoroso a cada instante. Ouço falar num real amor que por hora me parece tão longínquo quanto minha salvação e por vezes o tenho em mãos mas não consigo reconhecê-lo. É deveras intrigante saber como enxergo melhor de longe ou quando perco. E mais causticante ainda saber que este é meu único e melhor amor.

Fico me imaginando como um deus-menor, sempre, se mostrando superior a tudo e a todos em busca de alguma provação ilimitada ou algo que possa me desafiar, não deveria desafiar o amor porém. Se houvesse algo que me fosse permitido pedir seria perdão.

Perdão meu maior amor, por ser justamente o oposto do que você precisa.

5.04.2011

Malum

Entre dois males, escolho o menor. Não por medo de encarar mas por que este menor pode ser característico, intenso, fulminantemente mais interessante de ser encarado. Não se mede absolutamente um conceito, impossível, mas eu posso fazer uma opção e julgá-la correta. Não posso?
Hesitar não devo, julgar ainda é cedo, enfrentar é necessário e perder a batalha, bom, não está nos planos.
"Se no fim de tão longa-curta vida de vós me inflamasse inda o raio vivo por bem teria todo o mal que passo."¹ 

4.28.2011

Bodas de Neve

Je t'aime beaucoup et je voudrais passer ma vie avec toi. 
Je sais que tu es un ange et peut être un diable, mais les plus important c'est que je t'aime exactement comme tu es. 
Je voudrai votre amour tous les jours de ma vie. 
Je voudrais te regarder, t' aimer, te coiseiller et te donner beaucoup, beaucoup, beaucoup d'amour. Tu es le plus important pour moi. Je suis très heureux avec toi!!!!!!!!!....

Palavras in Bodas.

4.05.2011

Fallen

They try to catch a fallen star.

É saber que estou com a você a todo momento, é sentir, ouvir e presenciar cada fato importante do que acontece em nosso mundo colidido. Coeso, incoerente, fronteiras quebradas e corações margeados de uma mata espetacularmente projetada para delimitar a razão. Consolo da emoção. Cofres e eflúvios, sendo deus de mim mesmo. Parte besta e parte homem.

É estar quando você estiver, aquecê-lo quanto estiver gelado e elevá-lo quando estiver cabisbaixo pois não há nada na Terra mais precioso do que você. É ser ao seu lado. É querer um filho seu. É enumerar os motivos para não nos preocuparmos com o amanhã estando ele ainda num espaço desconhecido. É saber que minha história será escrita pelo meu sangue e que você permanecerá, adiante, para sempre, mesmo que eu me vá brevemente.

É tentar pegar uma estrela cadente sem ter a noção de que ela vive. Fazer prisioneira uma alma partida e tentar cativeiro a quem precisa de proteção.

Eu hei nome Cavaleiro e tu hás nome Margem Alva do meu Conhecimento. Desejando e antevendo, perseverando, esforço coletivo, mútuo, presença e ausência, desconexão.

3.30.2011

Longe



Tem horas que a melhor forma que encontro para te amar é estando longe de você o máximo que puder. Perdoa-me.