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10.16.2012

Fuga


Não sei o que dizer, tentarei mostrar enquanto reuno forças e engulo o veneno que tomei de mim, para mim, comigo, sozinho, livre de mim mesmo e cheio de outros em minha cabeça. Porque me deixei? Porque o deixei? Porque?



E não há nada de errado em não ser como vocês. Nada. Porquanto sou melhor, maior, mais poderoso. Contanto que seja visto, senão perco. Corro atrás de homens desesperados pela morte, para dar-lhes. Corro eu mesmo atrás da minha morte, que foge de mim a cada contar de Luas no Céu. Passa-me o tempo, passa-me a vontade. Há um bolor que escoa pelo canto de minha amável e admirável boca. Um veneno que busca a si mesmo, que me faz querer quebrar as presas, por ódio simples e puramente ódio. Ver-te, ler-te, desejar-te: Tudo isso precisa me ser proibido! Vós sois uma Luz que admira e eu Treva que me abasteço. Não quero mais, não preciso mais. Nove vezes Nove eu prometo que minha vida será mescla de ódio e pesar porque, por cada dia de infelicidade que vivi, haverão cem dias de desgraça aqueles que me deixaram infelizes. A começar por ti. Depois por ti e além, ti. Nomes não são importantes, sabemos de quem falamos. É uma promessa que faço pelo meu sangue, não pelo meu sexo. Minhas presas não mais tocarão, minha pele não mais será abrigo, minha luxúria será comovida e tampouco às minhas vistas terá imagem. E que o pecado original seja contemplado mil vezes de dor se descumprir mais esta promessa.

2.05.2011

Hello Brother

Devaneios. Me perco em devaneios.
Pois já não sou o que era e não sei como recuperar. Perdi minha aliança e minha folha, meu corpo não mais se eleva e somente o tolo pode me ver. Não sou o que busquei ser e não posso mais voltar. Há muito deixei para trás o molde, meu molde, de como encarar uma monção.

Há uma Tempestade e não posso voar nela, não posso ver.

Posso sentir cada gota de chuva em minha áspera pele e manchadas penas, voo para tentar me completar, vejo no Céu um trovão rasgar. Meu coração arde pequeno em meu peito, minha voz sufoca e todo o calor se esvai de mim. No momento somos um, a Tempestade e eu, reinando na cinza etérea acima. Não há mais canto, não se ouve nada e nem o vento suspira baixinho. O único rouco amor que poderia exponenciar cada sensação, ainda está abafado. Delirante.

Cálidamente atravesso a monção e noto que muitas penas foram perdidas. Minh'alma é tomada por um acesso de choro e agora posso ouvir o mundo ao meu redor. E dentro de mim. Consigo ver minha alma gêmea sobrevoando o céu junto a mim, meu eidolum. 


Do mais alto podemos ver o que está nos afligindo. Miséria, dor, sofreguidão e linguas lascivas são só o começo. Há Treva e há ódio, há desilusão e pesar, há fogo e sombra. Minha alma gêmea e eu perduramos no céu e acima de nós ainda há mais a alcançar. Com os olhos fechados sente-se, vibra-se, eleva-se...

Cada suave momento é compensado com a brisa Zéphyr, cada intenção aqui em cima não é subjugada e cada apelo ouvido. O silêncio se fora e meu coração delira, resfolegando, cansado, impassível. Meu irmão me acompanha sempre de perto, o mais perto que pode estar. Por um momento penso que não há outro ali, somente eu, e que minha alma gêmea não existe sendo apenas um fruto da instabilidade extrassensorial a que pertenço. Porém isso não me desvia o caminho, não. Tendo a noção de que não há quem me alcance, penso em subir o mais alto, mais alto, sempre mais alto, até a primeira estrela que eu conseguir tocar e ir além, ir até os deuses vestido com minha face de ave-de-rapina branca de olhos brancos e ser alimentado pelas almas eternas.

Esta é minha intenção e subo. Mais acima. Para o alto, impulsionado pela coragem e ganancia...

Em redor da ionosfera começo a perder a força, minhas asas não respondem, minha visão turva, meu coração congela e não sinto o ar. Me mantenho abraçado à vontade mas isso agora não me basta. Minha lancinante pressão incomoda e minha alma se desprende, no eflúvio dos deuses... Meu corpo retorna à Terra como uma estrela cadente, ardente numa aura protegida e em alguns segundos chega à superfície, de encontro ao meu ninho...

Não há mais nada agora, consegui empreender minha missão com sucesso. Minh'alma pertence novamente ao meu reino e meu corpo ao dele.

Este sou eu mas não sei ainda por quê estou aqui.