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5.30.2015

Eu espero que essa mensagem chegue onde precisa

Era sábado, resolvi criar um perfil numa rede social qualquer para poder distrair a mente com infantilidades e casualidades que de nada me acrescentam. E assim, acabei ratificando minha má decisão de fazê-lo. Porém, acabei conhecendo alguém muito interessante neste intervalo.

Fizemos amizade e aos poucos fomos nos conhecendo, ao longo daquela semana. Soube de sua profissão, seus hábitos diários, sua família, sua história de casamentos anteriores e suas tragédias. Apresentei-me pouco durante este tempo, é sempre a ênfase de conhecer, nunca de apresentar por si só. Falamos e falamos, confidenciamos, trocamos fotografias inocentes e íntimas, enfim, criamos uma base ainda que instável. À esta altura ele já parecia apaixonado, pelo que dizia e pelo que fazia. Criamos planos para nos encontrarmos no próximo fim de semana. Também o fizemos.

Na última sexta-feira nos encontramos em um shopping conhecido, comemos em um bistrô japonês de má qualidade, conversamos mais, assistimos um filme no cinema e por fim nos beijamos. Nos beijamos mais durante a sessão e na hora de despedir ele me convidou para sua casa. Havíamos combinado que deixaríamos isso mais pra frente, pra nos conhecermos melhor, porém não conseguimos aguentar a tesão nem a tensão que haviam se instalado em nós. Fui com ele até sua casa por um caminho que até então eu já conhecia de relacionamentos anteriores.

Chegamos, continuamos agora já na intimidade. Transamos, conversamos, rimos, tomamos banho, fizemos planos. Passei a noite em claro ouvindo sua respiração, abraçado a ele. O dia amanheceu e lá estávamos nós, ainda unidos. Conversamos mais, transamos novamente. Tomamos banho, café, assistimos televisão, conversamos. Verdade, houve bastante conversa entre nós desde o começo. Dada a hora, precisava voltar para minha própria casa. Fiz o caminho ainda na expectativa, na esperança de que isso fosse real. Aqui eu já sentia que alguma coisa teria de dar errado.

Cheguei em casa, agi minha vida. Mantivemos contato durante aquele dia. O sábado se foi e o domingo veio. Mantivemos um contato mais esporádico naquele dia até porque havia compromisso na minha agenda.

A segunda-feira veio e ele sumiu. Não deu sinal, nem se preocupou um bom dia. Falei, fui ignorado, insisti e por fim obtive resposta, já na terça-feira. Ele havia desistido porque ainda se sentia atraído pelo ex namorado. O mesmo que atrasou boa parte da sua vida, que o fez chorar, se machucar, se corromper. Apaixonado por um lixo humano (que não é exceção, afinal) e eu fui descartado, com a falsa promessa da amizade que perduraria. Não nos falamos desde então.

Aqui eu crio um eixo porque o que me machuca não é a rejeição per se e sim a idiotice humana chegar a esse nível. Fato, depois de umas conversas com meus demônios, soube que a história pode não ser tão simples assim e que na verdade esse ex pode não ser ex e eu apenas fui um objeto de corrupção – como já fui anteriormente e continuarei sendo. Fixei-me no pensamento e nas lembranças de ter dito algo errado, feito algo errado, querendo assumir toda a culpa pelo que aconteceu e cheguei à conclusão de que não sou culpado. NÃO SOU O CULPADO!

Contabilizando este, seria a terceira vez que sou tratado como corruptor e, logo após essa conclusão, aconteceu novamente.

De fato preciso me distanciar mais ainda da humanidade.


Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece a existência. Quanto mais elevado é o espírito mais ele sofre. //Arthur Schopenhauer



6.12.2013

Vinho; e a estranha sensação de que não há verdade numa taça e sim hedonisno


Houve um sonho recentemente que envolvia estranhos sentimentos. Perturbados até eu diria. Confesso que a confusão deriva-se da necessidade de consumar algo que ainda não fora, mas que, simultaneamente, sabemos que não devemos. Após uma conversa breve, eis que a permissão para contá-lo havia sido dada. Talvez não o desenhe mais com tanta exatidão, ater-me-ei aos fatos mais interessantes.

Era começo de noite, mas, com uma certa cor crepuscular pareando com o horizonte. Algo belo de se ver, que costumamos esnobar por ser tão efêmero. Havia uma enorme janela colonial de vidros delicados, por onde Nix era aguardada e observada. Do lado de fora, um enorme ipê-roxo exalando seu aroma inebriantemente tóxico, uma relva baixa e um pequeno lago ao fundo. Uma típica casa semelhante àquelas do interior dos países bascos, mas, pela flora identificado como não pertencente aquele local. No interior, móveis singelos, de madeira clara e cheirando a chá de condoendro. Notas músicas saiam pensativas e envergonhadas do aparelho de som, Ingrid Kertesi - a soprando - cantando Händel de forma divina. Sob a janela, no interior, dois homens conversavam, enquanto jogados na cama de lençóis vermelhos e, aparentemente, nus em pelo.

Havia uma intimidade palpável entre eles - não só pela questão de estarem nus, não - que chegava a impressionar. Eles eram amantes mas acima de tudo, amigos. Notava-se pela forma carinhosa que um falava com o outro e como um olhava para o outro. Eram ligados por mais do que apetite e isso era evidente. Após uma pequena afirmação que fez os dois gargalharem, um deles levantou-se da cama e, ainda nu, dirigiu-se até uma pequena mesa marmorizada que havia em um canto, tomando duas taças altas rubras e uma pequena ânfora, encaminhando-se de volta à cama e servindo-os então de vinho, que o outro acabou tomando. Poucos goles e ambos colocaram suas taças no chão, paralelo à cama e então, o que havia permanecido deitado aninhou-se no peito do que havia levantado.

Então a noite caiu por vez toda, cobrindo aquelas terras com seu manto e sua proteção. Não que eles precisassem, mas, deveras belo de se acompanhar.

Após um breve sono, o que estava aninhado deitou um beijo no peito do outro, despertando-o com sua delicadeza. O outro acordou sorrindo e retribuiu o beijo, elevando sua cabeça até sua altura, na cama. Da forma como os amantes fazem, os beijos delicados deram lugar a algo mais sensual, caótico, desesperado e num frenesi inconstante de lábios, línguas e mãos. Logo, o primeiro estava por sobre o corpo do outro, enquanto suas mãos abriam caminho para sua boca, no corpo alheio. Percorrendo cada espaço conhecido e desconhecido, cada pequena dimensão, lascivamente saboreando aquela carne e deliciando-se com aquele cheiro.

Com o limiar da tentação sendo alcançado, o primeiro então colocou o segundo numa posição confortável na cama, deitado com seu dorso apoiado em sua mão, espalmado bem acima do cóccix e o admirava por cima. Admirava seus olhos desejosos, sua boca delineada, sua pequena interrogação marcada no peito. Delicadamente pressionando sua intimidade com a própria e sentindo então a pulsação que deriva de corpos apaixonados. Tomado por aquela necessidade de consumir (então descrita anteriormente), ele suavemente ajeitou seu parceiro, apoiando bem sua sinistra espalmada e com a destra, tateando a coxa rija e exercendo sobre ela uma pressão para ajustá-la à sua recepção tranquila.

Naquela posição, inicialmente, o outro fora possuído, olhos nos olhos. Altercando calma e severidade, gemidos, risos abafados, pedidos, suor e saliva. Então, outras posições foram adotadas e em todas, a intensidade estava presente. Longos momentos se passaram até que, como que magicamente, ambos chegaram juntos ao ápice do prazer e misturaram suas essências. Com menos agitação, postaram-se um ao lado do outro e então sorriram, como se esperassem por aquele momento já há algum tempo. Tomaram mais de suas taças e se preparam para a longa noite que ainda estava por vir.

Provavelmente, esqueci-me de algum fato. Essencialmente, o que me recordo era isso. Talvez pela minha inconstância insone eu não tenha o aproveitado mais e agora me arrependo. Teria sido válido retomar o sonho, lógico. Quisera eu poder fazê-lo. Contei os fatos como me recordava, mesmo tendo sido uma narrativa breve que deixo agora, portanto, à sua avaliação.



4.17.2013

Last Night - Kazaky



"Tutto cambiò il giorno in cui la conobbi..il cielo cadde sulla terra e io mi sentii senza peso. Scesi come pioggia bianca e sapevo che tra la folla esistevamo solo noi. Non ho chiesto il suo nome, senza dubbio, si chiamava, Amore.
Il mondo delle illusioni non è eterno, presto conobbi il suo nome, Passione. E' così che la chiamano. Viene da me quando vuole, e lasciandomi strappa un pezzo dal mio cuore. Ho provato a sciacquar via il suo profumo dai miei palmi, ma mi segue, ovunque. Non posso farci nulla, l'unica cosa che posso fare è stare a guardare il mio corpo affondare lentamente nel suo sangue." - Last Night / KAZAKY, The Hills Chronicles

 Amor. Paixão. Como diferenciar tais sentimentos? Como saber onde um acaba e o outro começa, vice-versa? Como elucidar um mistério-arcano? Claro, se compensarmos que Feras podem amar.