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7.19.2014

Luta de sábado à noite


Algumas vezes eu penso que só me sentiria bem após lutar ferozmente contra um demônio.

Digamos que eu não tenha mais nada. Não seja mais nada. Não esteja desejando mais nada. O que me sobraria além do nada? Rancor? Provável. Ao pensar que não adquiri a experiência necessária para evitar (ou ao menos postergar) uma nova morte em vida, posso começar a pensar em punição. Dias e horas passam devagar, enquanto divago sobre um novo horizonte inalcançável. Cometerei os mesmos erros novamente, isso é evidente. O que eu faria diferente desta vez? Foi-me dito que um monstro só paga pelos seus próprios crimes mas não creio que seja a mais pura e real verdade, afinal, pagamos pelos erros que cometem contra nós e cometem por nós – até exponencialmente mais severo.

Pensei não haver vestígios da mágica em mim e assim me enganei mais uma vez. É fatal essa atração! Pensar que eu posso realizar qualquer desejo daquele que me procura mas não posso realizar o meu próprio.

Em um mundo perfeito eu teria companhia, cumplicidade, afeto, carinho, retribuição e conforto. Neste atual mundo real eu não tenho nada e ainda tenho responsabilidades. Quando me coloco a observar-me por outros olhos vejo o quão assustadoramente atractivo eu sou. E isso me refrigera a alma. Em um mundo perfeito eu poderia voltar atrás e desfazer todo o mal que eu acidentalmente cometi e não precisar pagar o preço agora. No mundo real eu pago, infinitesimalmente mais caro. Num mundo perfeito, cada pessoa teria sua própria opção e eu não estaria envolto nestas escolhas. No mundo real eu sou um pilar e um foco para as decisões alheias, como se em mim houvesse uma bússola cósmica que mostra as direções de cada destino – ainda que a contragosto. Em um mundo perfeito eu não precisaria estar escrevendo para o vazio, poderia estar conversando com alguém que se importaria em devorar até a última palavra do que eu dissesse.

Não há muito perfeito afinal, Buer já me dissera certa vez que "o mundo perfeito seria aquele em que as pessoas percebessem que não veem a si mesmas e sim suas sombras apenas".

E eis que então eu sofro sozinho mais uma vez.

6.05.2012

Perdas: E o que me deixou para trás


Vou precisar falar. Vou precisar morrer. Vou ter de renascer para esquecer parte da dor que me aflige, que me desencoraja, que me apetece à meticulosidade da criação de um veneno bárbaro para dar fim a esta imortalidade imcompleta.

Eu o perdi.

Perderia mais cedo ou mais tarde mas não estava pronto. Não sei agora como prosseguir, não sei como viver, não saberei desfazer os planos que já havera feito.
Definharei por sobre minha morada e Nove vezes Nove eu chamarei seu nome ainda enquanto durmo e acordarei durante a noite assustado por não estarmos mais unidos. Teu cheiro, tua pele, teu contato. Tudo o que você era, atrelado a mim, unindo dois. Toda a conversa sobre amor duradouro não passou de mentiras.

Ou talvez o amor permaneça mas amor precisa de amor para se alimentar e isso, não vejo acontecer. Aquele que despreza perde, em dobro por se tratar de mim. Perdi para si e perde para os outros, que não chegarão nunca mais.

Fechei-me para amores, para grandes novos amores. Basta perder algo tão recente para se flagelar de forma tão intensa a ponto de ferir a alma, que desfalece, em carne maculada viva e sangrante, aguardando mais uma ânfora de água salgada a ser derramada sobre o corpo frágil do atormentado.
Oro pela minha sanidade, que já quase está a me deixar. Oro para deuses-irmãos que desconheço. Não vejo uma promessa de retorno - ou de vida - e vejo apenas um consolo a me deleitar nas palavras de Walt Whitman. Temi meu corpo. Temi meu coração. Afugentei meus medos para poder estar com você. Não me calcei de certezas e desfiz a maior parte do que chamava sobriedade e meu retorno foi mais medo. Não medo meu. Abasteço-me de Péricles agora "pois, ao me enganar uma vez deveria sentir-se envergonhado. Porém, ao me enganar duas vezes, devo me reduzir em meu erro".
Agora ouço vozes que me induzem ao desespero, o sorriso foge-me ao rosto, constantemente brotam lágrimas que sou obrigado a beber para que não vejam o sangue que as acomoda.

Ele era algo que eu estava começando a amar de verdade e perdi. Perdi-o de mim e para mim mesmo, agora não há volta. Ele me perdeu e não terá outro como eu, jamais. Eu nunca terei outro, outra, alguém, algo. A cada dia tenho mais certeza da Troca Equivalente pois nunca uma hora viu tão longo sofrimento quanto ao começar a perder tudo o que amo, no menor prazo e sem motivo derradeiro. Torno-me algo que perde a sanidade quando menos espera, o mundo gira e permanece o mesmo, minha mente se esvai de mim e sobre um certo desconforto emocional pela memória.

Porque me abandonou? Porque me deixou à margem? Porque colocou palavras em minhas presas?


...

Sinto tua falta.

10.15.2011

Milk Way


"Em cinco bilhões de anos, a Galáxia de Andrômeda vai colidir com nossa Via Láctea. Um novo e gigantesco mundo cósmico irá nascer."

O que será feito quando a decisão pedir a hora? Como permanecer e o mais importante, como aprender a reconhecer os prodígios que ainda hão de vir?
Eu hei nome Liberdade do Cemitério tão falado, pouco visto. Não há recomeço provável ou o que há não perdure. Não há uma estrada margeada de flores saltitantemente lustrosas ou ainda animais acompanhantes.
Há somente uma Treva bárbara que se torna presente ao pestanejar, sonhar com a amante cravejada de jóias raras ofertada como sacrifício.
Conquanto haja desgosto, suor, sangue e mácula fá-me-ei senhor do que mantenho.

Aos outros minha bênção.


3.29.2011

Vergonha, Inveja e Raiva

Confesso que me sinto envergonhado ao revelar algumas de minhas fraquezas e inveja é uma delas.

Eu observo como as pessoas ditas normais conseguem estabelecer uma associação com seus semelhantes tão amistosa, fidedigna e sem recompensas e isso me é estranho em essência. Eu perdi o ponto Linear onde os homens aprenderam isso? Provavelmente. Muitos ainda não sabem se comportar mas os outros parecem não se importar, também. É mais comum a reunião nos dias de hoje? Talvez. Talvez seja por ajuda do veiculo que eu mesmo agora uso.
Não.
Tenho certeza de que não é só isso já que eu estou presente na sua maioria mas ainda não consigo perceber meu papel entre eles. Pode ser por incompetência minha? É certo. Neste mesmo ponto que os homens aprenderam que estão juntos, nós, aprendemos a nos separar. Passado este tempo eu lamento.
Lamento estar sendo ainda responsabilizado por algo que tenha feito há muito tempo. Consolos? Era minha opção, na época. Não é mais. Não há como reverter?

Conjuntamente a esta inveja surge a raiva, ocasionada pela imaterialidade do que possuo de concreto para ser barganhado com quem quero. O que poderia eu oferecer além de histórias antigas e um amor embolorado? Mais conhecimento? Ninguém mais preza conhecimento e não se trata de um ephebós e seu mestre. Trata-se de uma figura masculina em busca de toda e qualquer espécie de prazer que possa ser oferecida neste terra, seja ele sexual, amoroso, humano, organoléptico ou neurossensorial estimulável.

Vejo simples gêneros de vida que valem tão mais do que eu sempre tive. Belos e jovens expressionistas atuais que mesmo não conhecendo seu passado conseguem estipular um paradigma para si tão avant-garde, como fazíamos. Rapazes que estão aprendendo a viver mas já com um absolutismo fascinante, com uma virgindade que me excita deveras mas com uma sede que eu não posso aplacar. Não sem revelar um pouco de Les Mystères, coisa que não posso ainda.

Eu, irmãos, tenho entre os meus, lindos exemplos destes jovens que eu falo. Um ou dois sempre preenchem meus pensamentos nos momentos de ostracismo. Fato que eu desejo este um ou mesmo os dois, porquoi non? E mesmo considerando que eles não exigiriam nada em troca talvez eu me considere no dever, já que meu interesse começa na vergonha e parte para a raiva, culminando no real desejo de consumação. Torço para que seus deuses nunca os permita estarem comigo, seria letal para ambos.

Eu não tenho a quem apelar já que sou meu próprio deus.

Ephebós: aquele que atingiu a puberdade, moço,
moço entre os dezoito e os vinte anos de idade, que, em muitas cidades-estado da Grécia antiga, recebia instrução militar e treino de ginásio, como preparação para a cidadania plena.

3.01.2011

Besta

Falemos mais desta Besta, que é Pássaro e que não é Homem... ou deixemos de lado, já que não é nada...

Falemos deste Peixe que é Homem e que é Anjo... ou não falemos nada, agora não precisa mais falar...

Enfim, não falemos mais nada enquanto houver Treva.

E se eu sobreviver a isso, posso não sobreviver ao esquartejamento, mutilação espiritual, queima dos restos e enterro de cada peça separada em terreno santo. (Romanovs ainda viventes, falo isso por nós)