7.29.2012

Weird Creatures


"Existe um momento na vida de todo vampiro quando a concepção de existência, se torna, momentâneamente, insuportável." - Rice, A. in The Vampire Lestat.

Talvez eu esteja passando por este momento agora, quando as lágrimas me vêem à fronte, dilúvio de sensações, anestesia do corpo e as vistas embaralham. Sinto como se perdesse parte de mim sem saber, sinto-me estranhamente denso. Algo como se fizesse parte de um plano maior que esteja sendo desenrolado e me incluindo. Mesmo nunca tendo sido incluso em nada. É como se meus irmãos deuses estivessem com pena de mim, pelo meu estado atual e estivessem intercedendo. Me mantendo seguro e - obstinadamente - são.

Reconhecendo minha dor.


"Uma estranha criatura" - literalmente - se comporta de forma insana no espelho mas outra permanece deste lado. Toda a raiva contida, a luxúria, a escassez de bondade, a fortaleza, a indiferença...

Weird Creatures - Eluvium

All love in life is formed in greater things than me
In and of the world I'm finally now remembering
Weird creatures begin to settle in my mind
Weird creatures are supple in the morning light
These sequences drift in and out of sleep
These sequences will come to me

Estranhas Criaturas

Todo o amor na vida é formado em coisas maiores do que eu
Dentro e fora do mundo eu finalmente estou me lembrando
Criaturas estranhas começam a se estabelecer em minha mente
Criaturas estranhas são mutáveis na luz da manhã
Estas sequências derivam dentro e fora do sono
Essas seqüências virão a mim

E eu, de fora do mundo, apenas tento me observar enquanto realizo minhas proezas e declino, à infantilidades e desespero, porque amei tanto as Estrelas com medo de ficar sozinho.



7.27.2012

Safe & Sound

Azure Ray


With every word i live again
Through the eyes of another
We'll meet at night wet from the rain
And surprise each other
With how we take away the pain
Could you be the one to find me safe and sound
Love is how it's lost not how it's found
I don't know those eyes
But i see beauty there always
I know it's wrong to love you from afar
But it's a craze
You recognize my pain
Could you be the one to find me safe and sound


Não me preocupei com este título


***

É noite de sexta-feira. Harmoniosamente quente e enquanto ouvia como permanecer são e salvo, com headphones, senti o frio catalisador. Senti como se, começando por uma brisa, a mudança brusca seguinte daria inicio a uma noite de desafios e desafetos.

Notei como que, falando com amores antigos, eu me sentia frágil e isso entristeceu-me deveras.

Fechei meus olhos e imaginei-me no tempo bom em que, semente, eu era homem e não me preocupava com homens. Lembrei-me do tempo em que somente com uma cartola e magia, podia-se criar um mundo perfeito, intransponível. Minha raça me desmente, fato.

Lembrei da noite em que me descobri, sentado em um bosque na Gália. Nesta mesma noite, conheci três valorosos amigos que me seguiram durante toda uma eternidade, até padecerem recentemente. Lembrei-me de antes, quando as terras eram pouco habitadas. Lembrei-me de ainda antes, quando o mundo se partiu pela primeira vez. Percebi que nunca fui tão triste e pedante como estou sendo agora, depois de tantas eras. Ouço as mesmas músicas, vejo os mesmos filmes e faço sempre as mesmas coisas. Choro ainda, ao ver um bom amor se partindo - Nunca estive tão emotivo.

Talvez minha vida esteja chegando ao seu fim.

Cadente


"Oh homem que engoliu uma estrela cadente. Oh homem sem compaixão. Em breve o seu coração perdido será meu..." - O Castelo Animado / Jones, Diana Wynne


Elevium, riscum ompurii dei ate mani.
Sopriem, facti.
Omboro ombreom nuctus sanctuario.
Mostar decamonodizantupos krataia.
Fractii mon pedant limpitum nosotro,
Calarameinós finalis sata.


2 meses, 29 dias


E uma vida inteira desperdiçada por que ele simplesmente prefere viver sem amor.

7.21.2012

Nothing compares to You


Sonhei com você noite passada, novamente. Vi sua estrela, suas asas, seu violino. Vi tudo em você que me completava. Revi nossos momentos juntos - os sexuais e os emotivos - e chorei quando acordei. Não havia imperfeição, até que meus amigos interferiram em meus sonhos. Logo, você se tornou uma sombra etérea que me perseguia e precisei de feitiços para me livrar de você. Até os deuses estavam lá, alguns deles. Lágrimas, eram muitas.

Meu ego o livrou de mim?

Como eu amava esta estrela. Como ainda a amo. Como não posso passar por certos locais que me lembram você e como meus amigos, ao se recordarem de ti, ainda me ferem pois, não posso dizer a eles o que realmente aconteceu. Como eu pude ler que você "procurava um casamento" e que um "Lisso" poderia ser o seu fortúnio! Oh, deuses, porque me apego à coisas que não existem buscando fundamento para o que existe? Escrevi - e escreverei - minhas memórias aos mortos.

Quando acordei, eu vi isso e me emocionei porque desde ontem sinto uma vibração no ar.


Nothing compares 2 U - Sinead O'Connor

It's been seven hours and fifteen days
Since you took your love away
I go out every night and sleep all day
Since you took your love away
Since you've been gone I can do whatever I want
I can see whomever I choose
I can eat my dinner in a fancy restaurant
But nothing, I said nothing can take away these blues

'Cause nothing compares
Nothing compares to you

It's been so lonely without you here
Like a bird without a song
Nothing can stop these lonely tears from falling
Tell me, baby, where did I go wrong?
I could put my arms around every boy I see
But they'd only remind me of you
I went to the doctor and guess what he told me?
Guess what he told me?
He said: girl, you better try to have fun
No matter what you do
But he's a fool

'Cause nothing compares
Nothing compares to you

All the flowers that you planted, mama
In the backyard
All died when you went away
I know that living with you, baby, was sometimes hard
But I'm willing to give it another try

Nothing compares
Nothing compares to you

E isso foi EXATAMENTE o que aconteceu comigo. Lógico, isso e outras tantas desarmonias. Eu ainda o amo, sempre amarei. Mas o esquecerei, como sempre os esqueci. Falo pelos outros seis e principalmente por Olívia, que ainda teme este amor comprometer minha sanidade. 


Olívia, minha cara, eu já sou louco. E como diria Harpócrates "- melhor um louco que ama do que um são que nunca conheceu o amor". Tu teme amar, eu sou teu oposto. E estou com uma vontade insana de raspar minhas cabeça!

Por ti, amarei. 
Por ti, sofrerei.
Por ti, calarei.
Por ti, mandarei minha razão à Casa do Tolo.
Por ti, ALWAYS.


7.15.2012

Goodbye - The Painkillers


Goodbye - The Painkillers

Estou morto por dentro, mas ainda vivo
Minha alma sangra, internamente
Sedento por um gole de seu sorriso
Um ano atrás, como ontem
Senhor, tu sabes o quanto eu rezava
Para fazer você ficar aqui por mais algum tempo

A vida era melhor com você aqui
Eu sei que isso vai levar algum tempo para cicatrizar completamente
Antes de nós podermos dizermos adeus

Mudanças indesejadas estão se seguindo
Se apegando a tudo
Apenas para ser seus pensamentos por algum tempo
Um ano atrás, como ontem
Senhor, tu sabes que eu daria qualquer coisa
Só para tê-lo aqui mais uma vez

Mesmo enquanto eu mentia, achando que eras meu...


7.14.2012

"At seventeen I died, spoony"

I '

"At seventeen I died, spoony."

I'm single, with you, my dear friend,
free from trivial, ethical standard:
I can see your face pale, beardless,
between pale white flowers; am
and redeems, without any reservation,
to my delight and charm, later.

Excited, without the vanity of grieving,
a moderate enthusiasm, essential,
a lot of excitement in the crystallization
and the short, kills, is wilting.

In the farewell kiss, without being seen.

Not even met you, yet your body
Now me is, though lost, eternal.


7.08.2012

Hagia Sophia


Outrora Sheraphim.



Não é volatilidade ou volubilidade, é apenas uma questão de perder o encanto. Por algo, por alguém, por uma fração do segundo que se segue. Acontece sempre, para cada felicidade da paixão existe uma alegria pela perda desta obsessão. Ama-los não é nada, permanecer amando-os sim. Não precisam de muito para me deixar em êxtase.
Existe uma estória oculta no meio de todas estas entrelinhas que não convém.

Basta dizer que uma de minhas personalidades caiu por amores por alguém, que não correspondeu. Uma outra personalidade quis insistir, mesmo descompromissada. Uma terceira personalidade afirmou - categoricamente, como ele sempre faz - que isso não daria certo. Uma quarta personalidade permaneceu submissa. A quinta neutra. A sexta brigou e a sétima ouvia música enquanto tudo isso acontecia. Agora, Todas pagam. Tudo por uma estrela cor-de-bosque. O trabalho do sol foi feito, o ouro voltou a ser carvão e agora, ainda que prometendo não chorar, chorarei. Não de mágoa, talvez de raiva pela minha ainda evidente ilusão de que a humanidade de hoje é como a de antes. Peco e pago pela minha sinceridade, Fei.

في نفس الطريق، وسوف تدفع به.

Minha lucidez voltará em breve, quando a Noite cair e começarem a lamentar pelo calor que era a luz do dia. Passo-a-passo eu vou mudar, crescer, evoluir, conhecer o auto-comedimento, passar a falar menos, agir menos, ser mais eu mesmo e evitar ser alguém que não sou para agradar. Mesmo sabendo que, em suma, não posso assumir o que sou. É como o Juramento, anterior. Não há como espaçar a forma humana. É quase como li, certa vez, numa ficção.

Não basta apenas conhecer o demônio que há em você, é preciso domina-lo, coagi-lo, revertê-lo. Assumi-lo somente quando convier um holocausto. Meus cabelos e meus olhos inflamam com labaredas de discórdia, rancor e violência bruta - Não posso permitir que isso aconteça pois, uma vez aberta a anêmora do demônio, ela não pode ser fechada com tanta facilidade.


Ι’

«Πέθανες στα δεκαεφτά σου, ερωτοπαθής.»

Είμαι ελεύθερος, μαζί σου, καλέ μου φίλε,
ελεύθερος από κοινότοπες, ηθικές συνήθεις:
θωρώ το ωχρό σου πρόσωπο, αγένειο,
ανάμεσα σε άσπρα λουλούδια· χλωμός βρίσκομαι
και σε λυτρώνω, χωρίς καμιά επιφύλαξη,
για απόλαυσή μου και γοητεία, μεταγενέστερες.

Συγκινημένος, χωρίς την ματαιοδοξία του θρήνου,
με συγκρατημένο ενθουσιασμό, αιθέριο,
μια που ο πολύς ενθουσιασμός κρυσταλλώνει
και, ο λίγος, σκοτώνει, μαρασμός είναι.

Σε φιλώ στον αποχαιρετισμό, χωρίς να με βλέπουν.

Ούτε καν σε γνώρισα, κι όμως το σώμα σου
τώρα μ’ ανήκει, αν και χαμένο, αιώνιο.

Defino tudo o que é amor como algo que se mantém e amorem, do latim, como algo que veio e - unicamente - partiu.

Once Kings - Caprice



In misty dreams and shadowed memories
Of fabled cities I have dwelt apace-
And from strange lakes set round with Guardian Trees
Have slacked my thirst, and scornful of the face
Of harshful reality have stooped to trace
Dark figures on the sands of alien quays.

In crystal splendor I have spanned the seas
And clothed myself in legendary grace...
In Idris I have dwelt where Serpent Stones
And flowers of dusty violet merge to form
A glimmering gate of wonder, whereto bones
Of a warrior dead are gathered in a storm
Of whirling clouds and cauldron flames and roar
Beneath the sky where great ravens …



Caprice.

7.06.2012

Meu doce amigo Buer e como encontramos o menino perdido


Era noite e eu estava deitado, refletindo sobre meu dia exaustivo de trabalho. Cama com lençóis brancos e vermelhos, incenso de mirra queimando e uma garrafa de merlot aberta, jogada aos pés da cama, já pela metade. Isso, umas duas da manhã, aproximadamente, de uma mudança de sexta-feira para sábado.

Sozinho. Absolutamente sozinho. Bebi para poder parar de ouvir e dar valor à minha inapta Necromancia. Ou talvez se houvesse alguém eu não lutava em vê-lo. Passada uma meia hora, ouço burburinhos ao meu redor. Vozes pequenas, que geralmente indicam que vozes reais estão a me chamar e como o local onde moro não é privilegiadamente próximo à exterioridade, tenho certa dificuldade em ouvir se me chamarem ao portão. Ser necromante, nestas horas, é melhor do que ter uma campanhia ou um vigia de portões.

Era. Era meu nome que chamavam incessantemente.

Levantei-me, vesti-me afinal estava apenas com uma cueca branca que costumo usar na intimidade e fui atender. Em desespero, a mãe de um amigo meu que por sinal tinha um irmão menor, pedia por minha ajuda na busca deste. Talvez pela minha (má) fama registrada pelo amigo, ela sugestionou de que eu pudesse ajudar de alguma outra forma que não levando-os à polícia e perguntando a esmo - como todos fazem. Senti pena do desconsolo da mãe e decidi usar da (má) fama, portanto. Convidei-a a entrar e se acalmar, deixei-a no hall de estar e fui até meu quarto.

Não existe entidade mais poderosa neste mundo - nem mesmo eu - capaz de encontrar coisas e pessoas perdidas como o demônio Buer é capaz. Evoquei-o. Precisava. Trouxe-o oferecendo sempre o que ofereço e pedi sua ajuda. Como eu já descrevi anteriormente, as feições de Buer são como as de leão, mas ele pode falar, e possui cinco patas de cabra ao redor do corpo que o permitem andar para todos os lados sem precisar mover a face de posição. Além disso, ele é mestre em Medicina e artes mágicas naturais. Não havia, literalmente, ninguém mais capaz de me ajudar neste momento. Algo que ainda melhora, é que ele só pode ser visto por pessoas especiais - ou seja, somente eu o veria durante sua ajuda, tanto que não houve sequer um petit frisson quando eu voltei de meu quarto, já vestido, com aquela imagem ao meu lado que somente eu podia ver. Éramos nós quatro, Buer na frente, me guiando até onde o menino estaria. A mãe sem entender como eu era tão categórico sobre que posição tomar, o filho mais velho - meu até então amigo - temeroso e o último da fila. Não pudemos tomar o carro, Buer não é afeiçoado à máquinas humanas. Tive de explicar isso delicadamente aos parentes do sumido.

Andamos por aproximadamente oito ou nove quilômetros, entre ruas e ruelas, pistas, planícies e planaltos e por fim, debaixo de uma árvore semi-morta, estava o corpo estendido do menino. Ensangüentado com uma evidente ferida em sua testa provocada por algo maciço. Uns dois quilômetros antes, o próprio menino já nos acompanhava, ciente de sua morte e de certa forma, velando por seu pequeno corpo inerte, vítima, ainda não sabendo do que e porquê. A mãe quando pressentiu, caiu novamente em prantos e o filho mais velho tentou consolá-la. Eu simplesmente considerei meu trabalho feito e, enquanto agradecia a Buer e o libertava do meu feitiço, o filho mais velho veio até mim, interrompendo-me.

- Pára, eu sei que você pode mais do que isso. Você não acharia meu irmãozinho aqui somente por intuição e sei que não foi você quem fez isso com ele, afinal ele também já foi seu irmão mais novo. - Em prantos - Por favor, pelo amor que você tinha por mim e que eu ainda tenho por você, faça alguma coisa por ele. Minha mãe, meu pai, meus familiares e ninguém mais do que eu pode viver sem ele. Você acha justo o que fizeram?

- Acalma-te - Eu pedi - Não trata-se aqui de uma questão de justiça. Trata-se de feito e desfeito. Uma vez eu cedi a tudo por você e levei milhares de anos pra recuperar. Me pede agora para arriscar novamente tudo o que tenho?

- Deixe que o risco seja meu. Eu morreria no lugar dele. Se é o que quer saber, pode trocar. Troque-o, por mim, não é assim que "vocês" fazem?

Voltei-me a Buer, que já chorava.

- Quem nos trouxe aqui esta noite não fui eu, foi um grande amigo que tenho muito antes de seus primeiros pais pensarem em nascer. Ele chora pela morte do seu irmão e chora por ver o seu sofrimento. Talvez ele chore ainda mais ao poder prever o que eu pedirei a ele que faça. Ele é o Mestre no que faz e somente ele, agora, pode me ajudar a ajudar seu irmão.

- Amigo - Dirigi-me a Buer - Preciso da sua ajuda pelo meu grande amor. Tu que és o mestre nas artes médicas, há algo de humano que possa ser feito pela ferida e pelo corpo morto? Da alma eu posso cuidar, sabes.

- Meu senhor - Ele a mim - Há ainda uma maneira mas dependerá mais do senhor. Teu sangue, por sobre a ferida pode curá-la. Minha saliva, pode unir as peças ruídas e o corpo restaurado. Mas será que a alma vai querer voltar?

- Nem que eu precise arrastá-la e brigar com Lúcifer novamente, eu farei. Meu medo é que ele deixe de ser humano, sabemos que corremos este risco.

Eu falava, na visão do amigo e de sua mãe, com um nada sem-forma. Ela, de tanto chorar, já beirava à insanidade então minha preocupação era menor. Ele, por me conhecer e aos meus prodígios, temia, tremia, chorava.

- Ele será um humano diferente, sabes. Mas vale a pena correr o risco? Dependerá somente do senhor - Foi a decisão de Buer.

- Vale, comecemos.

Em direção ao corpo, afastei a mãe e pedi que seu filho mais velho a acolhesse. Com a unha do anelar direito, cortei parte do meu sistema venoso do antebraço esquerdo e deixei que algumas gotas de sangue fluíssem até diretamente a marca protusa da contusão que havia sido criada na face tão imaculada da criança. Vítima. Em questão de segundos, a ferida fechou e o sangue parou de escorrer. Buer veio em nossa direção, sempre sem se virar e com sua língua enorme e grossa, lambeu a ferida. Sua saliva com meu sangue reconstruíram toda a deformidade que havia sido criada. Pronto, corpo refeito. A alma acompanhava-nos sempre surpresa por nunca imaginar tal feito. Virei-me pra ele e perguntei:

- Você quer voltar? Não pela sua mãe ou pelo seu irmão, mas por tudo o que você ainda pode fazer? Ou prefere descansar como um doce anjinho ao lado do seu Senhor e de seus pais? - Ele ficou em dúvida por alguns instantes - Mas não temos muito tempo, logo, meus irmãos virão buscá-lo e não podem me ver aqui, fazendo o que estou fazendo.

Ele só meneou a cabeça, afirmativamente. Pedi sua mão e uni à mão do corpo sem vida. Cantei uma música antiga de uma só nota, os humanos não puderam ouvir, Buer continuava a chorar.

- Mi Lorde, desde mil anos não o ouço. Desde aquele outro que o senhor trouxe. - Falava, chorava, rugia de uma forma ensurdecedora - mas os humanos não ouviam ou viam aquela belíssima imagem.

A criança deu alguns espasmos, abriu os olhos e chorou. Levou a mão à testa e chorou ainda mais. A mãe e o irmão mais velho o abraçaram tão fortemente que temi pela vida da criança novamente. Ambos, ajoelharam-se e declararam seu agradecimento a mim, eu, recusei. Disse que não fizera tudo sozinho e que se deveriam agradecer a alguém, este alguém era a Seu Deus e não a mim. Deixei-os sozinhos, aos prantos e retirei-me, caminhando com Buer. Não me virei sequer.

No caminho de volta, pude andar na minha velocidade então em menos de dois segundos já estava de volta. O demônio ainda me acompanhava, o agradeci imensamente e suas palavras foram as mais humildes possíveis sobre como amigos ajudam amigos. Por fim, ele se virou e partiu do meu encantamento. Tomei nova ducha e voltei à minha meia garrafa de merlot, isso já quase clareando o dia.

Quando o sol nasceu eu já não via mais nada, adormecido.



***

Não mais vi a família, soube que se mudaram do bairro. Talvez por medo, talvez por medo de mim. O meu velho amigo e outrora amante ainda tenta se corresponder comigo por emails mas eu ignoro. Aprendi a ser sozinho e para aqueles que não me compreendem e me temem, eu só tenho meu lamento. Não gosto de aparências falsas. Meus amigos de verdade estão em toda parte, basta que eu os chame. E eles a mim, sempre.

FIM.

7.01.2012

Juramento



"Abandona-te Homem, abandona-te. Abandone as impurezas da carne pois no peito de fogo o coração arde. Abandona-te a forma humana, a vilã. Erga-se o demônio."