11.06.2013

Canta per me - Yuki Kajiura


Canta Per Me
Canta per me ne addio
Quel dolce suono
De' passati giorni
Mi sempre rammenta

La vita dell'amore
Dilette del cor mio
O felice, tu anima mia
Canta addagio...

Tempra la cetra e canta
Il inno di morte
A noi si schiude il ciel
Volano al raggio

La vita dell'amore
Dilette del cor mio
O felice, tu anima mia
Canta addio...


“Reticenticidades”


Palavras são correntes, você não pode escapar delas. Uma vez ditas, não podem ser recolhidas. Uma vez ditas, se tornarão verdade, quer queira ou não. Conhecimentos aprendidos, mesmo que em locais improváveis, se mostram eficazes e duradouros, além de edificantes. Eis que o passado retorna, o futuro não deixa brechas para um recomeço. Penso nas decisões, enquanto me delicio ouvindo Azam Ali e sua voz etérea, sem, por isso, deixar de ser marcante. Não são músicas para serem ouvidas com os ouvidos e sim com o coração, são para serem sentidas.

Penso em escrever nova carta ao meu amigo mas não sei bem o que dizer. Não posso dizer que muita coisa mudou, que estou sendo amado, que estou amando outra pessoa. Não posso discorrer sobre meu progresso, quer seja no mundo material ou espiritual. Mesmo que as coisas andem estagnadas, não significa que seja uma coisa boa. Também não posso dizer a ele que estou tentando mudar, não pretendo mentir. Posso dizer que aprendi sobre as palavras, sobre as decisões que tomamos em nossas existências, as companhias que tomamos como nossas, o que nos reflete neste e nos outros mundos, no que entregamos a alguém quando somos sinceros e dizer o que aprendi sobre retaliação e retorno. É, posso dizer que tenho aprendido bastante mesmo com meu silêncio profundo. Talvez seja bom dizer que minha alma, pela inabilidade e inaptidão ao mundo real, pode ser considerada apaziguada. Não acontece nada de bom nem de ruim, logo, nada acontece, logo, isso deve ser uma coisa boa. Posso dizer também que estou pensando em rever minhas últimas decisões, sobre quem amava e quem prometera amar e ainda poderia incluir o porquê dessas colocações – claro, sem lhe parecer pedante como de costume pois também notei que o pedantismo cai melhor nas pessoas pobres e fracas de espirito, não em deuses. Contar-lhe-ei que conheci novos poetas, novas canções, novos sentimentos (que não pretendo usá-los), novas receitas e a importância do que eu falo, para algumas pessoas em particular. Talvez até deva-lhe isso. Devo muita coisa.

A estagnação tem sua maneira positiva de dizer que você está caminhando para uma construção melhor, visto que, como diz o ditado “não se mexe em time que está ganhando”. Fora isso, nada muda. Nada nunca muda a não ser quando há um incentivo. É uma conjunção de Leis Físicas, Mentais, Espirituais, Cármicas e Pessoais.

Ou não devo dizer nada e guardar para mim estas desnecessárias experiências.

11.02.2013

Dia Dois - Sonhos


Estávamos meu avô e eu, o que eu perdi há aproximadamente nove anos, sentados em um sofá. Ambos ríamos, ele me contava algo, parecia quarenta anos mais jovem (ele falecera aos setenta e seis anos de idade). Acordei com meu terço de prata embolado na mão esquerda, sem saber como ele fora parar lá.


Havia uma grande sombra negra, alada, seis pares se não me engano, bem defronte a mi. Elevada, a uns seis pés de altura, enorme, exaltada, ameaçadoramente infringindo em mim, medos. Por um instante eu cedi e encolhi, mas, recobrei minha essência e ascendi à mesma altura, desgarrei meus trinta e seis pares de asas cobertas de olhos e encarei a sombra. Ela não parecia tão assustadora neste momento. Ela vergou suas asas, como uma concha e se tornou etérea. Eu a assombrei quando verguei as minhas ao máximo e por um instante parecia que do espaço se veria a sombra que eu causei graças a este esforço. A sombra se fora, eu retornei a mim.

Despertei.


Estava em um campo aberto, com o chão coberto de barro e lama, uma dama loura, alta e elegante falava comigo sobre alguém ao mesmo tempo que me encarava e intimidava. Era a Morte. Não a figura da morte, encapuzada e esquelética. Era a Lady Morte, a que fora criada pela mão dEle, antes de tudo. Ela portava uma foice de cabo preto e lâmina prato-cristalizada, falava comigo no nosso antigo idioma e não me ameaçava diretamente. Falava comigo sobre um homem – que supondo eu deveria conhecer – e aconselhava-me sobre ele. Recordo do nome mas não crio expectativa de saber quem é, o único homônimo que conheci jaz há alguns anos e era um dos meus melhores amigos nesta vida. Lembro que num acesso dela, por eu não reconhecer, decidiu um duelo. Ela com sua foice, eu com uma extremamente semelhante, como uma sombra, apenas sem o brilho e a magnitude da que ela própria portava.

Ela estancou para cima de mim, desviei, ela sorriu. Dissera algo sobre eu não haver mudado muito desde “aquela época”. Novo ataque, novo recuo meu, nossas foices se encontraram e o ruído abriu uma tormenta no chão de barro e lama. Ela, se aproveitando da distração, se mesclou à sombra, no chão e tentava me imobilizar. Ciente e destro, usei o bico da lâmina prato-fosca da minha foice para pregar aquela sombra ao chão e foi onde eu venci. Selei sua sombra, com a ponta da lâmina.

Não havia mais foice, a Lady estava defronte a mim, sorrindo, me incitando a recordar do nome e fazendo uma reverência como quem termina um duelo.


Estava com uma vassoura em mãos, percorrendo meu apartamento novo. Não recordo se a vassoura estava fazendo o seu trabalho, mas havia uma quantidade de insetos razoável.

Acordei perturbado.


Dia Um - Sonhos



Era um momento especial. Havia ele, havia eu, havia uma câmera de fotografias, havia uma intenção além do que o romantismo seria capaz de conceber. O romantismo deste insignificante ser, conscientemente falando, afinal quem troca o próprio coração por um pedaço de pão velho e meio copo de vodca não estaria habilitado a compreender. Bem, psicanálise e terapia de autoconhecimento a parte, era um belíssimo sonho. Durou pouco, o bastante para ouvir (e sentir):

- Cola aqui.

E nos aproximamos, eu sobressaltado pela ideia, ele a par do que pretendia. Neste momento, ele me beijou e havia sorrisos entre os lábios colados.

Com a voz entrecortada:

- O que você está fazendo?

Sons de cliques da câmera sendo disparada.

- Tirando fotos, registrando o momento. Tirarei quarenta fotos e postarei todas, em todas as redes sociais. Assim, as pessoas verão o quanto eu amo você, não pela quantidade de fotos, mas pelo ato simbólico.

Tiramos as quarenta fotos nos beijando. Eu acordei. 


 


Éramos em quatro: ele, eu, um rapaz mais novo e uma menina. Conversando e decidindo como chegaríamos (não sei onde) e definimos que iríamos a menina e eu, em uma moto, ele e o rapaz, em outra. Provavelmente apenas nós dois sabíamos pilotar. Em um átimo de segundo, por estarmos em um campo aberto, uma abelha ferroou o rapaz mais novo. Ele ignorou até então, montamos às motos e partimos. A viagem durou cerca de vinte ou trinta minutos, durante o caminho, o ferrão da abelha preso ao corpo gerou uma reação anafilática no jovem que não poderíamos prever. Uma intensa reação, ele chocou, eu não teria como saber ou ajudar, não pude observar o prurido do ferrão e estávamos em motos diferentes.

No dia seguinte foi o velório dele, estávamos todos.

Acordei sobressaltado deste sonho.