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6.05.2012

Perdas: E o que me deixou para trás


Vou precisar falar. Vou precisar morrer. Vou ter de renascer para esquecer parte da dor que me aflige, que me desencoraja, que me apetece à meticulosidade da criação de um veneno bárbaro para dar fim a esta imortalidade imcompleta.

Eu o perdi.

Perderia mais cedo ou mais tarde mas não estava pronto. Não sei agora como prosseguir, não sei como viver, não saberei desfazer os planos que já havera feito.
Definharei por sobre minha morada e Nove vezes Nove eu chamarei seu nome ainda enquanto durmo e acordarei durante a noite assustado por não estarmos mais unidos. Teu cheiro, tua pele, teu contato. Tudo o que você era, atrelado a mim, unindo dois. Toda a conversa sobre amor duradouro não passou de mentiras.

Ou talvez o amor permaneça mas amor precisa de amor para se alimentar e isso, não vejo acontecer. Aquele que despreza perde, em dobro por se tratar de mim. Perdi para si e perde para os outros, que não chegarão nunca mais.

Fechei-me para amores, para grandes novos amores. Basta perder algo tão recente para se flagelar de forma tão intensa a ponto de ferir a alma, que desfalece, em carne maculada viva e sangrante, aguardando mais uma ânfora de água salgada a ser derramada sobre o corpo frágil do atormentado.
Oro pela minha sanidade, que já quase está a me deixar. Oro para deuses-irmãos que desconheço. Não vejo uma promessa de retorno - ou de vida - e vejo apenas um consolo a me deleitar nas palavras de Walt Whitman. Temi meu corpo. Temi meu coração. Afugentei meus medos para poder estar com você. Não me calcei de certezas e desfiz a maior parte do que chamava sobriedade e meu retorno foi mais medo. Não medo meu. Abasteço-me de Péricles agora "pois, ao me enganar uma vez deveria sentir-se envergonhado. Porém, ao me enganar duas vezes, devo me reduzir em meu erro".
Agora ouço vozes que me induzem ao desespero, o sorriso foge-me ao rosto, constantemente brotam lágrimas que sou obrigado a beber para que não vejam o sangue que as acomoda.

Ele era algo que eu estava começando a amar de verdade e perdi. Perdi-o de mim e para mim mesmo, agora não há volta. Ele me perdeu e não terá outro como eu, jamais. Eu nunca terei outro, outra, alguém, algo. A cada dia tenho mais certeza da Troca Equivalente pois nunca uma hora viu tão longo sofrimento quanto ao começar a perder tudo o que amo, no menor prazo e sem motivo derradeiro. Torno-me algo que perde a sanidade quando menos espera, o mundo gira e permanece o mesmo, minha mente se esvai de mim e sobre um certo desconforto emocional pela memória.

Porque me abandonou? Porque me deixou à margem? Porque colocou palavras em minhas presas?


...

Sinto tua falta.

9.03.2011

The Crown





Representação da Coroa de Cori.

"Odes Quebradas" - Coroas e achados


E então a coroa mágica de Cori ele usa.

Porém ela não o tornou especial, somente diferente. E isso faz tanto tempo quanto possível. Talvez lá pelo tempo em que ele havia sido banido do céu, pelas ordens-prior do seu Próprio Criador. Talves depois, quem sabe de verdade? Nem ele mesmo sabe.

O que ele sabe é do fardo que carrega, com esta coroa deposta. Ombros largos, opulência e uma questão incondicional do que ela o fez. A coroa o ensinou a orar, o fez mais forte, mais decidido, menos ilusório. Ele trocou, portanto, as asas pela coroa. Mas o que a coroa o deu?
Bom, a coroa o deu tudo o que ele quis. Estranhamente, deu-lhe novas asas dotadas de trinta e seis mil pares de olhos criados em cada centímetro.
Deu-lhe poder, razão, constância, amor. Deu-lhe uma vida nova. Trouxe de volta uma outra vida.

Hoje, eles não conhecem mais a Lenda da Coroa. Não sabem mais o que significa usá-la. Uma história, uma frase, nada mais. Hoje eles o vêem como louco.
Não sabem que ele pode ser anjo, um demônio, uma alma antiga, um feiticeiro, um padre, um homem, uma mulher, um animal, um índio Lakotan, um árabe... Pode ser tudo. Todos. A qualquer hora, pela Coroa. Ele inclusive pode ser nada e estar em qualquer lugar. Pode ser muitos em um. Pode conhecer tudo. Ele é um deus-menor que aceita seu posto, com potencial para ser uno, Trimegisto, mas que não quer mais pesares e perdas. Conquista-se um novo mundo, então, perde-se o antigo.

A Coroa é algo divino, feita de aura e gelo submarino, ornada com pedras desconhecidas na Terra, algo que a aproxima do diamante, só que negro. Todas as pedras incrustadas nela são foscas, e todas em cores leitosas, azuis, vermelhas e verdes. Não se pode olhar por muito tempo para ela e ainda assim ela passa imperceptível. Ele a usa sempre mas poucos a vêem, geralmente os mais extremos: os mais dimensionais ou os menos conectados. Ela pesa mais do que a Terra, ele a carrega sentindo-a leve. Ela o torna um nefelibata, mas ele aceita. Ela o tenta e então, ele quase nunca escapa.

" - Ela o torna mais fraco quando ele está mais forte."

A Coroa é algo que ele quer compartilhar.