Mostrando postagens com marcador L.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador L.. Mostrar todas as postagens

9.02.2013

Dá-lhes a eles, o valor deles

 
Noite.
Calidamente mudando os ventos, chuvas por virem breve.

Setembro, 2013.
Estava eu, apenas sendo eu mesmo, após uma série de ocorrências de desestímulo emocional e orgânico, sentado em minha poltrona favorita, ouvindo toda a coleção de R&B que eu achei ter esquecido depois de 1990 - entre as joias, Simone, Franklin, Fitzgerald, James e conterrâneos. Tomei meu telefone e disquei, parte subconscientemente, para minha irmã. Ela atendeu do outro lado:

(Pallas) - Tava preocupada, você não dá notícias desde cedo.
(L.) - Você bem sabe que têm sido dias difíceis.
(Pallas) - Eu sei. Pode vir. Não contei, Ingrip colocou ovos depois deste tempo todo, acredita? Pode vir, apenas ela está aqui.
(Eu) - Tô indo.

Telefone, chaves do carro, chaves do apartamento.
Durante todo o pequeno trajeto pensei no que me ocorrera nas últimas vinte e quatro horas e estava, enumerando os acontecimentos para maior fluidez ao falar. Doze, talvez quatorze, minutos depois lá estava eu. Numa interseção de dois mundos, batendo à porta da minha irmã mais ouvinte e protetora.

(Pallas) - Oi.
(Eu) - Kaliçpéra. Esqueceu os bons modos, Pallas?
(Pallas) - Não é porque você é mais velho que pensa que pode me corrigir, n'ai?
(Risos)
(Eu) - É bom te ver novamente.
(Pallas) - Verdade, entra.

Pallas era minha adorada desde sempre, minha alma gêmea mesmo sendo minha irmã. Uma querida que ajudei a surgir e desde então nos adaptamos um ao outro. Tínhamos gostos semelhantes, logo, não era difícil. O que nos diferenciava porém era a necessidade dela por ser vista enquanto eu optava por permanecer incógnito.

(Pallas) - Tu quer um chá? Não tem mais daquele que você gosta, mas tenho Earls e Ceilão. Ah, e um novo que ela trouxe dia destes, desde que veio ficar comigo este tempo. Já estamos na época? Aliróthe! Como passa.

(Eu) - Me dá qualquer coisa de beber ai, eu preferia alcoólico.
(Pallas) - Ambos sabemos que você não pode, abusado.
(Eu) - Eu sei, você não sabe de nada.
(Risos)
(Eu) - Vai este novo ai mesmo, vontade de provar coisas novas esta noite.
(Pallas) - N'ai. Senta lá na sua azul. Ainda está lá pra você e ninguém mais se senta nela.
(Eu) - Puxa, Pal. Não acredito que você ainda mantém aquela porcaria velha.

Minha poltrona favorita desde sempre, azul, com bordados de grandes feitos históricos muito antigos. Me sentei e me confortei com anos de bondade e alívio. Fiquei apenas um instante, ao me recordar, fui parabenizar Ingrip pelos ovos. 

(Eu) - Até que enfim, Ingrip. Achávamos que você nunca mais ia se decidir.

Falei para mim mesmo, a coruja apenas me contemplou e assentiu, como se entendesse. Bem, ela entendia mesmo.

(Eu) - E dois desta vez? Tem certeza disso?

Parei no momento em que minha irmã vinha com duas xícaras, torrões de açúcar mascavo e uma pequena jarra de creme de leite cremoso, numa bandeja antiga, com logicamente nosso chá.

(Eu) - Acredito que você já esteja ciente do que está acontecendo.
(Pallas) - Sim, mas preferia que você me contasse. Duas pessoas, ainda que no mesmo lugar, ao mesmo tempo, nunca contarão a mesma história da mesma maneira. É fascinante ouvir as versões. E você sabe, ela não fala muito. Só chora e bebe chá, desde que chegou.
(Eu) - Acha que devemos falar com ela?
(Pallas) - Não, melhor não. Deixe-a ruminar mais um pouco.
(Eu) - Mas Pallas, já faz milhares de milhares de anos.
(Pallas) - Você sabe bem, irmão, como dói. Graças que eu nunca passei por isso.
(Eu) - Nunca? Tem certeza?
(Risos)

Nos sentamos na varanda, noite fresca, lua boa para conversar. Eu, na minha poltrona favorita desde sempre. Minha irmã na dela, um pouco mais moderna e bruta do que a minha, com a mesa de chá entre a gente.

(Eu) - Bem, mais cedo eu passei por algumas "chatices humanas", como você chama.
(Pallas) - Tu ainda se porta a isso? Achei que depois daquele dia você estivesse fora de novo.
(Eu) - Nada, menina, é interessante e deveras intrigante. Não venha me dizer que está fora disso também, por favor.
(Pallas) - Bem, você que sabe. E ai a revista...
(Eu) - Sim, a revista. Ou você fala sozinha ou me deixa falar, ainda não perdeu este hábito?
(Pallas) - E tu ainda não perdeu o hábito de ser estressadinho? Estamos quites.
(Eu) - Então, a revista. Eu estava lá, do nada, esperando o atendimento e peguei aquela revista para passar o tempo. Uma destas que você adora ler e que eu passo longe.
(Pallas) - "Meninas com coisas de meninas". Parece que é um costume que você também não perdeu.
(Eu) - Posso continuar? Então. Peguei a revista e, folheando ocasionalmente, adivinha quem eu encontro lá? Estampado? Numa propaganda de roupa masculina de praia? Espera, não adivinha. Ele mesmo.
(Pallas) - Então ele está indo de vento em popa? Que bom hein.

E então ela fez aquela cara de que não dava a mínima, para me proteger afinal, ela sabe o quanto eu sofri e por conseguinte ela, pelo que aconteceu. Tentando não demonstrar interesse, para me poupar.

(Eu) - Pois é, Pal. Parece que sim. Fico feliz.
(Pallas) - Que seja.
(Eu) - E, como sempre, acabei causando uma infelicidade que me acompanhou durante o dia e o motivo da minha vinda aqui.
(Pallas) - Irmão, tu és meu irmão. Não é filho do meu pai ou da minha mãe, nem cria dos meus avós, mas é meu irmão desde que eu cheguei aqui, do Oceano. Tu fora meu amigo, meu companheiro, meu mentor, meu instrutor e meu salvador por várias vezes. Tu nunca precisa de motivos para vir me ver, mas por tua distância prefere não fazê-lo.
(Eu) - Pal, eu sei. Posso continuar e você voltar aos tempos modernos, efcharistó?
(Risos)
(Eu) - Continuando. Vi a foto dele e notei que ele não mudou nada. NADA, desde o acontecido. Fiquei tanto com aquilo na mente que acabou não sendo surpresa quando meu celular tocou e era ele. Diz ele que "me ouviu chamando" - claro, era verdade - mas eu não daria opção. Conversamos alguns instantes poucos a ponto apenas de me reiterar com o que acontecia, elogiar pelos trabalhos recentes, ele dizer que havia voltado para o pais há uma semana e que estava pensando em me convidar para um jantar informal, nada demais, com os pais, como fazíamos antes, pelos velhos momentos. Recusei de cara - e me arrependi.
(Pallas) - Nem acredito que você atendeu ao celular.
(Eu) - Não me julgue, apenas me ouça.
(Pallas) - Eu achei que você queria seguir em frente, irmão. Tu já não está seguindo? Não tem uma coisa nova?
(Eu) - Coisa não, um homem. Sim, tem.
(Pallas) - Também humano, eu sei.
(Eu) - Não me julgue, eu disse. Você além de velha está surda?
(Pallas) - E você além de velho está burro.
(Risos)

Tempo de beber mais uma xícara de chá, um gosto exótico, abacaxi com alguma coisa.

(Eu) - Bom, ai conversamos mais alguns instantes e eu acabei dizendo que sim. Ia encontrá-lo breve. Ele perguntou de você também.
(Pallas) - Aliróthe, culpa sua. Eu disse que era melhor esquecer tudo.
(Eu) - Nada, ouve ai. Terminamos de falar, eu fui atendido, fiz uns exames, chegamos à uma conclusão e acabei lá por mais um tempo, tomando algumas poções.
(Pallas) - Tu ainda realmente se sujeita a isso, não? Cada ano passa e você está mais imerso nisso tudo, não sei nem se o verei no próximo milênio se continuar como está. Quando é que você vai parar de viver na sua cabeça?

Havia uma complacência na sua voz, uma condescendência que eu não esperava. Minha irmã estava realmente preocupada comigo e à nossa maneira de falar, ela descobriu como eu mesmo me causava tanto mal. Tive de admitir.

(Eu) - Falei com ele, irmã, apenas. E o suficiente para que os anos viessem todos a mim de uma vez.
(Silêncio)

Durante cerca de meia hora apenas bebemos nosso chá, calmamente, sem uma palavra. Apenas ouvia-se o piado de Ingrip, orgulhosa da cria, mais nada. E então, Pallas recomeçou:

(Pallas) - Falaram e então vão se ver?
(Eu) - N'ai. No próximo final de semana. Preferi não dizer onde estava na hora da ligação e nem citei que estava mal das vísceras, apenas deixei o assunto de anos fluir.
(Pallas) - Entendo. E quais seus planos? Esquecer da coisa que está vivendo e voltar como se nada tivesse acontecido? Mais uma vez? Depois de tudo que passamos?
(Eu) - Não. Não sei... Não sei.

Verdade que eu não sabia como me sentia após aquela conversa. Notei que nunca pensei muito no que aconteceu, apenas segui adiante. Sofri bastante na época e não posso dizer que porque era uma criança, nunca pude ser uma criança. O que talvez eu tenha sentido foi remorso, pelo que matei em mim quando vivemos juntos e quando infelizmente tive de deixar de viver. Fiz muitas coisas na minha existência de não me arrependo, a não ser aqui. É uma longa história.

(Eu) - Por isso vim até você, querendo ajuda.
(Pallas) - Não posso tomar a decisão por você, sabe bem.
(Eu) - Mas é você quem governa a inteligência, não?
(Pallas) - Inteligência, não decisões. Posso mostrar o que será melhor mas não decidir por você. Nunca pude. Ainda mais com você, que é infinitamente mais velho que eu. Não confunda, irmão.
(Eu) - Eu sei, Pal. Era apenas brincadeira. Parece que sua seriedade também precisa ser trabalhada. E depois eu sou o antissocial.
(Risos)

Neste momento, nossa irmã acabou se aproximando.

(Art) - Tu, aqui?
(Eu) - Hei. Como você está? Não quis incomodar.
(Art) - Pal, por que não me chamou?

E me abraçou carinhosamente. Ainda havia lágrimas aos olhos e seu cabelo exalava tristeza e apreensão.

(Art) - Já entendi. Parece que, tirando esta daí (se referindo à Pallas) parece que nós temos o mau hábito de sofrer por amor.
(Pallas) - Hei.

Todos rimos, afinal.

(Eu) - Junte-se a nós, irmã. Estamos tomando um chá e conversando aleatoriedades.
(Art) - Não me diga, ele de novo?
(Eu) - Sim, ele.
(Art) - Pal, sirva-me. Ainda sou mais velha que você, mesmo não sendo a mais velha da sala.
(Pallas) - Se idade fosse posto...

Todos tomamos chá no fim, acabei adormecendo na minha poltrona, sonhando com acontecimentos antigos. Acordei no meio da madrugada, apenas para perceber - e me emocionar - que estávamos os três adormecidos, cada qual no seu “reino", como era antes do novo mundo. Levantei-me, cobri ambas em suas poltronas, peguei as chaves do carro e do apartamento e voltei. Não sem antes deixar uma mensagem que dizia apenas obrigado, para as duas. Sentia-me mais leve, disposto, determinado e corajoso. Havia deixado minha armadura silenciosa por lá mesmo, porém, mal sabia eu o que ainda estava por vir.

Quando a filosofia pinta cinza sobre o grisalho,
uma forma de vida já envelheceu e, com o cinza
sobre cinza não se pode rejuvenescer, apenas reconhecer;
A coruja de Minerva alça seu voo.

Magia
Presságios
Espaço e tempo.
A verdade emergira
Da luta silenciosa
Dissipando a ilusão?
Pássaro da Cura Sagrada
.
 
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1830)



 

3.23.2011

Rooted away

Talvez seja interessante, após o comment sobre raízes, alertá-los sobre algumas origens comuns em contos vampíricos (ou na nossa realidade). É notório que temos grandes 'colaboradores' na divulgação de uma certa necessidade expressiva cautelosa, como chamamos. Os seres humanos têm em si um enorme temor pelo que não conhecem e este fator pode ser a ruína para entidades sobrenaturais. Mostrá-los mínimos décimos do que somos os tornam cúmplices. Fato.

Logo, pequenas almas que pensam conhecer nosso reino falam sobre fórmulas mágicas e feitiços - Todos brutalmente antagônicos à realidade. Porém, destacáveis almas conhecem em nível intermediário a essência deste Mal. Portanto, certos protocolos serão seguidos por outros que apreciam o trabalho e a introdução nesta cadaveria subsistencial. Métodos de transformação, locais, presenças, anatomia e até nomes poderão ser compartilhados, o que não torna o contexto uma cópia e sim uma outra versão do que acontece. Outro fato extremamente conhecido e confortável é o dinamismo com que histórias são adaptadas ao emissor e tão impelidas ao receptor final. Reitero, só por que fatos simplórios são citados não significa que a obra deva ser acusada ou que o fato deva ser negligenciado.

Ouvem as Grandes almas os que se assemelham, do lixo que sobra queremos distancia.

Mantenho minha observação ao mundo e sempre aguardando novos sinais. Apareçam, apareçam, sejam vocês quem forem.

3.18.2011

NightStar - O Conto do recomeço - Cap. i

Capítulo Uno:

No conhecido cemitério Les Morem Admorem, localizado em Nova Orleans, desperta uma alma antiga. Um vampiro há muito adormecido conhecido em seu tempo como Estrela Noturna. Conhecido digamos mais pela sua fama – outrora tida como alegorias – do que por sua pessoa em suma. Entre sua raça imaginavam-no como um conto, uma entidade desconhecida e até mesmo negligenciada. NightStar há muito não vivia entre os não-vivos conhecidos. Sabia-se que o enclaustro – se é que realmente existia este vampiro – havia sido há muito. Nighstar ainda deitado em sua alcova, lembra de fatos anteriores à sua inanidade assumida porém sabe que não é o momento de compartilhar ainda sua dor. Sabe que é hora de acordar e tomar novamente seu posto e desta forma tornar real seus antigos sonhos além do que mostrar que realmente existe, esta entidade.

Com sua destra remove a tampa do seu altamente ornado leito de mármore branco manchado de negro pelo desgaste. Mesmo em sua oculta cripta havia sinal humano de outras épocas. Escolhera bem o local e seu repouso, ciente de que qualquer mão humana jamais poderia revelá-lo. Muitos foram os que tentaram e desistiram, talvez por sua força expressa nos medos humanos quando tentavam, alucinando em suas mentes seus piores medos quer seja pelo ainda desgaste espiritual em que se encontram alguns jovens, temerosos em expressar sua crença ainda no sacrossanto. Removido o claustro e pela primeira vez em 300 anos, sente novamente o ar vivo, mesmo que em extremo diferente de quando havia inspirado pela última vez. Automaticamente começam os ruidos modernos deste novo mundo afligirem seus ouvidos. Buzinas, chiados, mentes humanas descontroladas, tudo isso chega simultaneamente à sua mente limpa e poderosa. Usando seu antigo truque, impede que isso o enlouqueça porém ciente de que o mundo mudara mais do que poderia imaginar. Levanta-se, tem uma rápida percepção do seu atual estado que acidentalmente dispara o estopim para lembranças e isso tudo rápido o suficiente para que ainda não tenha se movido o ponteiro dos segundos do relógio. Nightstar é um homem de porte, alto, com a pele clara aveludada, cabelos curtos castanho-escuros, olhos que mesclam cores como uma pedra furta-cor dependendo da luz que se instala e do movimento rápido de pestanas, poucos pelos à mostra inclusive em sua face a marca da barba por fazer, sinal de que se tornara vampiro no auge da idade e da masculinidade. Herdada as características da especie antiga, a cada ano que passa sua tez torna-se mais marmorizada e suas unhas lampejam como vidro vivo. Vestia-se com uma calça justa de couro escuro, blusa de linho caro branca, colete de um vermelho rubro que a idade ainda não conseguia esconder, sapatos empoeirados envernizados e um sobretudo gasto pelo tempo mas ainda assim uma bela figura apresentável. Mesmo seu corpo coberto de uma espessa camada de pó é um elegante homem.

Com um ligeiro espanar, Nightstar se livra da aparente inanição e dirige-se à entrada da capela onde adormecera há muito. Diante dela, apenas o ranger das fechaduras é ouvido e de forma natural as portas consumidas pela ferrugem se abrem, permitindo a saida de nossa imagem espectral. – O mundo muda mas Nova Orleans sempre tera o mesmo cheiro. Vejo imagens e sinto presenças porém o mundo mudara de uma forma tão exponencial que até mesmo para mim será complicado me adaptar.

Nighstar caminha pelo cemitério e ouve um pequeno ruido de vozes humanas, presentes. Consegue captar a fragrancia há muito negligenciada e sua sede instantaneamente surge em sua face desprovida de cor ou emoção. É sangue. Fresco, sujo e inocentemente voraz. Algo dispara em suas visceras e uma pressão lhe sobe pela espinha medular – se é que tais materiais organicos habitam aquele involucro antigo e pernicioso. Dirige-se aos sonhos e entende esta nova lingua automaticamente. É um novo inglês sendo pronunciado, algo vulgar e com expressões desconhecidas porém fracamente carregado da antiga lingua-mãe de Nova Orleans. Jovens, em seu ritual de auto-flagelação consumindo todo e qualquer tipo de alcool e drogas, rebeliando-se intimamente mas coletivamente reunidos, ouvindo um som estranho e rejubilando-se de sua juventude. Todo o cenário atrai nosso vampiro que de forma furtiva aparece junto aos reunidos. – Todos vocês são tão bonitos – engrandece Night. Os presentes assustam-se com a figura mas o assumem como parte do grupo, afinal estão quase todos no mesmo patamar de inconsciência provocada. – Ei, irmão, junte-se ao Filhos da Noite aqui neste cemitério – diz um dos jovens, completando com uma risada esclarecedora e elevando sua bebida em direção ao monstro. – É, então vocês são meus filhos – completa Night. Os jovens ou os que ainda estão de certa forma despertos, acham graça do que ouvem. Night ignora a oferta da bebida e novamente de relance aparece por trás do jovem, que fica espantado, enquanto Night com a mão esquerda segura sua cintura e com a direita sente o calor vindo de sua arteria aorta. O jovem sente que não pode se mexer então lhe sobe uma pressão aos olhos, lacrimejando mesmo sem saber o porque. Night fala bem perto ao seu pescoço – seu cheiro. É cheiro de quem sabe viver. E o beija. Os outros jovens oscilam entre a ignorancia e a contemplação da cena. Uma jovem de olhos bem marcados, vestida infimamente com um vestido negro rasgado e um par de meias dilaceradas acha graça. – Monsieur, não o tome. Tome a mim que sou mais apetitosa – diz, não entendendo a gravidade da situação em que se coloca, imaginando ser tudo uma atuação. Night vira seus olhos a ela e, no mesmo interim, surge por trás da dama colocando suas mãos em seu rosto. Novamente a pequena plateia alucina porém mais temerosa.

De repente, Night sente uma estranha ressonancia e desvia seu olhar à Lua ainda mantendo as mãos no rosto da jovem. Tem um estranho pressentimento e isso o deixa agressivo, sem sequer notar que emprega força demais nas mãos, sem notar o rugido da jovem que segura e sem perceber que este impacto acaba de esmagar o cranio da jovem em suas mãos, enquanto os outros reunidos começam a chorar e a correr feito ratos da luz, alguns pranteando a morte e outros apenas preocupados em escapar pelas suas vidas. Night sequer nota o ocorrido, ainda virado à Lua e, antes que virasse totalmente seus olhos agora assumidos num tom avermelhado, desaparece do cemiterio por completo.



Continua...

NightStar - O Conto do recomeço - Prólogo

Prólogo:

- É chegada a hora – diz o vampiro antigo, conhecido pelo nome de NightStar (Estrela Noturna). Ciente das muitas ocasiões em que poderia ter despertado do seu sono secular. Deitado lá, em seu antigo jazigo e vendo que o mundo mudara desde seu último despertar, sente que é hora de se juntar novamente ao seu povo. Durante seu sono, já havia ouvido algumas histórias de como seu povo estaria mudado, moderno, com novas concepções e caracteres dominantes. Precisava ver. Em sua mente monstruosa, talvez, não estivesse preparado para o choque que o seu sangue teria quando encontrasse a nova geração.

1.29.2011

Consequências

Começo agora a dizer palavras insanas de um coração corrompido...

Eu assumo que havia prometido não me apegar, mas não pude cumprir. Todo e qualquer mísero sentimento (chamo de mísero pela intenção e não pela intensidade) me trás à tona uma verdade absoluta e oculta: eu, como outrora homem, preciso de afecto.
Como se não bastasse, as imagens ainda me povoam a mente. Toda aquela Felicidade, Carinho, Consideração, Tudo explicitamente convocado, desde o começo, os planos, a dedicação, a vontade, a realização e por fim a concretização do que eu mais temia. Eu errei quando comecei isso desta forma, mas não quero redimir este erro encerrando meu trabalho. Preciso é manifestar de outra forma este empenho que ainda sinto em fazer com que tudo dê certo.

É deveras irracional pensar assim, agora, a esta altura mas não há outra forma. Não há mais músicas no mundo que aplaquem minha Fúria e nenhuma Graça ou Górgona que me mantenha inerte. E mais, é um fardo que eu decidi carregar sozinho.

Tu, em teu castelo, não sabe o que os imortais passam enquanto este vosso mundo prolifera gentilezas inescrupulosas e toma teu feito como simplório, não imaginando como isso pode ter impactado no coração pedregoso de uma alma pesada e insana como a minha. Tu, em teus trejeitos, não compensa qualquer intervenção que possa ser gerida ou que tenha sido coagida para os teus próprios méritos. Tu, em tua abstracção de sentimentos, não compromete-te a amar ainda mais a um desconhecido, tido como a criatura "mais incrível que conhecera". Tu, em tua distância dita segura, não recebe - ou não se permite - que meus hinos e louvores possam acalentar vosso coração confuso e reprimido. Tu, com tua obsoleta vida, não toma as rédeas e controla tuas atitudes, disciplina equívoca és o que segue e talvez tua mente liquefeita não admita a própria Felicidade desde que não esteja acompanhada com os ícones que conhecera e aprendera a assumir pra si.

Por um momento, pareceu-me reconhecê-lo de um passado breve. Tua alma, tua marca, teu corpo, tua intenção, tua vontade e tua subtil intensidade. Teu jeito temerário e desejoso de mim.

Neste exacto momento preciso controlar-me para não exagerar nos ditos e feitos, antecipando qualquer atitude ou me perdendo em caminhos desconhecidos. Todos os deuses conhecem minha atemporalidade e todos a temem. Eu mesmo a temo.

Poderia discorrer sobre tudo, a começar da criação e terminar na sua volta. Mas não devo, atento-me ao fato que narro.

Eu preciso de você. Não para constatação mas para minha própria segurança. Comentara sobre meu porto-seguro? Ele não existe. Melhor, ele sou eu e minha real distância do que persigo.

Eu realmente preciso de você.

1.11.2011

Compose

Citei Lestan na postagem anterior e isso me gerou uma duvida: Lestan trata-se de ego, alter-ego ou super-ego?
Me pego pensando...

Lyric

Não sei se estou certo quando penso que mais facilmente me expresso com letras de músicas do que com palavras espontâneas. É impressionante a minha habilidade de me assemelhar com todo o contexto de algumas obras. Parece que as palavras fluem de mim e para mim, para tal deveria arrecadar todas para mim? Não. O direito de autoridade legal não me permitiria isso. Mas não podem me impedir de me identificar. Ou podem?
Passo mais tempo do dia com fones de ouvido do que em observação (sonora) do mundo. Consigo destruir equipamentos dos mais modernos pela minha insistência.

No exato momento eu ouço Disturbed e já pelo nome da musica haveria uma compreensão. Ou duas. Cada cena imaginada se entranha em minha mente fértil e é tragada, transcrita com os personagens da minha escolha e moldada ao que preciso. Coisa de super-ego talvez, não posso precisar. E não quero. Não sou o neuro-psiquiatra aqui, deixo isso com Lestan. Meu papel é dessocializar tudo e quem quiser que reconstrua.
Fim.

1.01.2011

L'Ankou

L'Ankou é outra arma moldada a ouro e fogo. Outra personalidade indistinta de uma forma etérea cansada. É como me sinto, etéreo e cansado.

Tired

Lástima sôfrega e indelicada. Minha fonte jorrante de lágrimas e augúrios. Conforme citado, este local é para o meu desapego.

Não me importo, a vida é louca e insana. De onde venho é segredo, pra onde vou é mistério. O que me mantém, não importa. Não há humano sequer que queira compreender uma existência intermediária já que mal se compreendem neste campo etéreo.

Tolos e trôpegos. 

Flames

"I've return.
From all Hells flames, i'm here."
Lioncourt, L.

Recomeço sem saber como. Minha intenção era começar a dividir as personalidades. Fato que L. Lioncourt existe tanto neste macrocosmo quanto qualquer outro dos conhecidos. Nada muda. Falar sobre mim, de mim, comigo, para mim ou ouvir. Nada muda.

Poderia eu ficar, poderia eu sair? Muitas dúvidas.

Estimulado pela crescente onda de fatos levianos e absolutos trago à tona novamente o real, o sensível, o imaculado e o sacrossanto L. Lioncourt. Uma personalidade que não se mantém por si só, precisando das outras para se alimentar e fazer de si um pilar.

Não há como ir, não há como ficar.
Pensar em proteger a Matéria Divina.

Ouve-se pouco e fala-se muito. Chega.