Eu sinto sede de sangue, sim. Eu sinto fome e sinto sede.
Tenho a necessidade constante deste elemento, não só na sua forma pura como na transubstanciação ao que ele pertence.
Preciso sentir seu gosto metálico e sua cor carmim. Preciso sentir o aroma enérgico e ouvir a pulsação, ainda que extracorpóreo já em estado. O sangue fala comigo e ele me ensina. Ele me conta o que vocês foram e me mostra o potencial perdido, me faz conhecer seus segredos mais íntimos e algumas poucas vezes me mostra fatos que ainda não aconteceram. E que não vão acontecer mais quando su'alma parte.
Este ser etéreo que é o sangue participa de todos os ciclos essenciais à suas fundações e sempre é o item mais flexível, ele é sempre a janela que não é observada em constância. Ele é tanto alma quanto corpo e poucos elementos conseguem este feito.
O sangue é um veículo transgressor de ideias e simultâneamente é o caminho na qual ele mesmo viaja.
Ele pode ser culto ou ignóbil, ralo ou encorpado, carmim ou róseo, puro ou maculado. O poderio do sangue é mutável, varia de acordo com o apossado. Porém, todos estes me alimentam. Não julgo o sangue nem o invólucro, afinal são suas experiências que me acrescentam as informações que de forma leviana aqui expresso. É pelo sangue que conheço os fatos, muitos dos quais são lições deletérias que compenso.
No final, é a base do que ainda me mantenho e meu desejo de manter-me oculto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário