3.06.2011

Shinpai (ii)

Meu mais antigo amigo, Harpócrates, após ler o post anterior, precisou completar:

"Não é somente perseverar o que mais importa. É saber se a coisa certa é esta. Pensar em impor a vontade é um conceito magnífico porém é importante saber aceitar. Tão importante quanto. O que delimita os conceitos é justamente a sabedoria. Poder se impor em vontade não é impor ao outro coisas que não podem ser compreendidas. Ou seja, ainda que você o ame - e ama - não pode induzi-lo a amar. É verdade também o sentido de amar ainda que tudo feneça, porém o que não pode nunca fenecer é a vontade. Vossa imposição precisa cessar ante à vontade alheia, Força não é somente impor e sim aceitar. Por isso você fica bem mesmo longe dele - como está. Por que aprendeu a amar verdadeiramente. É acompanhar seus passos, seus desígnios e deixar claro o amor, sem esperar recompensa. É poder ser útil quando e exclusivamente for necessário, a pedido dele. Mostrar vosso amor não é ser evidente em palavras ou actos, é a vontade. Aquele que ama sabe quem ama mas precisa ser sempre lembrado de quem o ama para que não torne-se unilateral. É real e verdadeiro vosso sentimento porém impor a ele faz-se estúpido e lamentável. Ele o ama - e ama - logo precisará. Caso não o ame - pois ama - então permita o seu próprio tempo. O Tempo é senhor da Virtude e dela compartilha seus louros. Não há nada que o Tempo não revele. Permita-se ser novamente o Tempo, atemporal, e deixe que seu tempo-próprio diga o que fazer. Não seja impetuoso ou impulsivo na matéria do amor, seja singelo. Do amor nada se esconde e suas penas são sempre as mais leves. Permaneça no vosso caminho, seja ele o certo e sê o monsieur o próprio dono daquilo que faz. Estas são as humildes palavras de Harpócrates, seu servo, companheiro, amigo e confidente mais antigo se me permite a ousadia."

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