5.14.2011

Caminhos

Falo e não faço, como sempre. Talvez inspirado pelo que ouço sinto a enorme vontade de voltar ao mundo. É nostalgico mas sem ser melancólico, neste caso em especial. Não considero os amores e as experiências que passaram, tento pensar apenas naquela sensação do vento livre batendo nos olhos e causando algumas lágrimas involuntárias, pensar naquele frio da madrugada enquanto você está sozinho numa auto-estrada longe de qualquer coisa que conheça e mais longe ainda de quaisquer sinais de humanidade.

Longas estradas estas que já me ouviram e falaram comigo. Não sinto falta de ser livre, agora, lamento o que perdi quando era livre. Tudo que não vai poder voltar. Passei por tantos caminhos e vi tantas cidades que nem me recordo de todas, criei talvez esta forma de proteção. E o que é isso agora, esta sensação de estar deixando algo de lado?

Eu podia sentir a conexão no vento, no frio, num rasante, num cheiro de pedra, numa precipitação de chuva, num bosque. Tudo o que conheci e prezei tanto está se esvaindo de mim, se desprendendo, como se eu estivesse perdendo um elo, uma essência. Não excedo quando digo que conheço boa parte do mundo e de cada canto em especial eu guardo uma história. Muitas solitárias, evidente, já que não é facil ser um incógnito. Andei muito e vi muito de tudo isso crescer e florescer, acho que sinto falta desta adaptação.
Confesso que queria muito esta vida novamente mas não posso. Assumi outra e enquanto não conseguir terminá-la não poderei sair senão voltará a acontecer tudo novamente, como está.
Sinto falta de uma vida talvez por que não pude completá-la e ainda que tenha um dom sobre o Tempo não posso usá-lo agora.

O mundo não é mais o mesmo, nem as rodovias, nem as pessoas que encontramos ao acaso, nem aquele sentimento de cada homem como sendo individual neste paraíso. Eu lamento tanto.

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