5.23.2011

Trust me

É um assunto que temo discorrer.

Como confiar em quem não se conhece nítida e distintamente? E mais, confiar em alguém que incentiva a misantropia e a violência indiscriminada.
Oui, não nego estas acusações. Realmente me pertencem. Mas penso ainda que há quem se compare a isso. O que nos difere é que eu sou sincero e lógico, assumo e faço disso uma sobrevivência forçada. Eu tento, erro, padeço e chego a morrer mas no final recupero-me pois sou como a Ressureição, o Perseguidor, e nada me afeta por muito tempo seja amor, dor ou ódio, parte este último um dos menos interessantes porém o mais inerente à quaisquer coisas que eu faça.

Minhas ações e reações são baseadas em ódio e por isso sinceras, extremas e não obstante simplistas.
"Desisto dos fantasmas do amor. Nas sombras de um castelo de devoção eu me perco."
Não discuto amar, conquanto haja. Não temo desejar nem me explicar sobre meus desejos. Como um barqueiro, considero-me uma entidade que leva e que não aproveita o destino. Está ai uma perfeita descrição!
Harpócrates já havia me dito uma vez que eu sou "como um silêncio fúnebre que nem mesmo um deus pode fazer calar." / Nota: isso vindo do deus do silêncio.

Não há distinção.
"Trust me. Trust me through. Catch me, slowly."
Busco velhos costumes por que os novos não são o bastante. Amo com e sem amar e o que há de mais sincero e confiável em mim é justamente o ódio e a indiferença. Com estes eu nunca peco ainda que temesse pecar.


“Uma raiva substituindo outra. Uma raiva deslocando outra. Quando ele cessaria de sentir tamanha raiva e se acalmaria, ficando realmente em paz?”

3 comentários:

Gomorra disse...

Excelente reaproveitamento da frase do Ray Bradbury: belíssima demonstração de coerência e inteligência!

E não sei se é coincidência, mas teu texto tem muito a ver com um filme do Richard Kern, diretor do mesmo filme de onde retirei aquele polêmico fotograma peniano-nazista. Chama-se "Thrust in Me" (1985), assim mesmo com H, co-dirigido pelo Nick Zedd... Tente ver, é genial!

WPC>

Gomorra disse...

Eis o 'link' com 4 filmes genais do Richard Kern. São curtinhos: veja, veja, veja!

THE EVIL CAMERAMAN, incluído.

http://www.ubu.com/film/kern.html

Obrigado mais uma vez pelo belo comentário!

WPC>

Anônimo disse...

Tua primeira frase me impressionou... não imaginava que poderias te sentir assim, temeroso. Eu temo também, não mais confessar, mas admitir que o ódio seja, não sei em que escala de equivalência, mais sincero. Só que entre amor e ódio há uma linha bem tênue e extremamente fácil de ser ultrapassada. Dois antagonistas tão próximos e tão naturais... poder-se-ia dizer que ambos são frutos da mesma... coisa?
Discursaria mais, mas travei. Vou ali pensar mais um pouquinho e já volto.
Abraço.

Ps. hoje eu só queria sonhar, sonhar e sonhar.