7.19.2011

Condições Familiares esclarecidas ou O Teor de magnitude existencial

Nunca pude ser o que nunca tive. Não é a melhor maneira de explicar o que quero.

Porém, ao passo vagaroso da efêmera estrela-marinha, algo está mudando e exponencialmente sendo adaptado, quer seja subentendido quer seja evidente em documento de ordem judicial incontestável.

Confesso que estes artifícios humanos não costumam evocar nada em mim. O que estaria acontecendo portanto? Ultimamente sinto-me forçado a assumir um compromisso, um relacionamento, algo escrito, pensado, sacramentado, religiosamente consciente e claro, preferencialmente eterno enquanto dure. Me pego pensando em um lar compartilhado, lençóis,  travesseiros afofados e juntos, café da manhã, cheiro de banho quente com alecrim, seda e amanhecer. Coisas que até então considerava uma utopia cinematográfica contemporânea surreal e - inclusive - aborreciva. Não mais, não por enquanto.

No momento, quero o prazer masculino de chegar em casa depois de um estafante dia de trabalho humano e sentir o peso de ser o responsável, o mantenedor, o acolhedor. Preciso sentir o cheiro da comida humana - ainda que não coma - e sentir o calor de quem me espera. Serei o braço forte para suportar tudo isso e ainda poder amar, ser desejado, sentido. Poder ter uma longa noite de amor, ouvir juras e confidências, trocar segredos, fazer planos, dormir, fazer mais amor, acordar e ter a nítida sensação de que tudo é mais um sonho. Lógico, fazer mais amor ainda (confesso que se de algo humano restou em mim foram o desejo e apetite sexual).

Um adendo: e se me excedo em adjetivar algumas características como 'humanas' é porque sai desta condição há algum tempo.

Ou seja, após ter experimentado de tudo um pouco, de muitas condições e muitos planos desfeitos, sinto-me inclinado a perseverar. Progredir, procriar. Evoluir e morrer. Ao menos metafóricamente. E quando parecer que está no fim, recomeçar, para poder ter o mesmo prazer novamente.

E quem me acompanha nesta aventura?


Um comentário:

Jane C. disse...

Quem de nós nunca delirou com algo semelhante?
Eu,no entanto,não me permito delirar tanto,porque não me foi dado o direito de ter um foco em quem me concentrar para delirar...
Porém,espero que o seu delírio torne-se real.

:D