9.03.2011

Hawaii


Last night i dreamed with her. Again.

Minha mais perfeita mulher possível - exceptuando as maternidades. Tão doce e interativa como nunca fora. Confesso que ainda a desejo tão intensamente quanto desejo sangue e nesta mesma confissão eu me coloco a mercê do julgamento.

A perdi.

A perdi quando não pude ser o que ela precisava. Não pude notar sua fragilidade além da carapaça da mulher diva que ela fizera para si. Eu a tornei objeto do meu desejo e não da minha realidade e isso foi um grave erro. Ela apareceu para mim enquanto eu estava só e me completou de uma forma estranhamente familiar, mesmo com suas mentiras e devaneios constantes.
Com ela eu conversava sobre Kabbalah, alta magia, física quântica e de partículas, medicina, história, filosofia, surf, geografia, bebidas, noite, tatuagens, economia, desenho animado, telefones, atendentes de telemarketing, ex-amores e computadores. Ou seja, perfeita. Nunca outrora havia me apaixonado por uma mulher humana viva anteriormente. Tive muitos amores, sim, mas não tão especiais. Neste mesmo interesse eu a queria para mim, para a eternidade.
Pensei, pensei e pensei novamente. Nossos papos eram necessários e eu era dependente disso. Onde quer que eu estivesse eu esperava por ela, a qualquer hora. Passava os dias e noites a pensar, enquanto ela não vinha até mim - outro erro meu, ter esperado. Deveria ter ido atrás, atropelando almas e lugares, conquistando e reduzindo o que viesse pelo caminho.
Neste momento eu falhei. Com ela e comigo mesmo. Lamento tanto.
E então não posso mais nem sequer dar-lhe boas vindas à minha vida pois ela se foi. Habita apenas meus sonhos agora, como deve ser uma estrela.

E pensar que nos conhecemos de um modo tão peculiar.

Ela fingindo ser outro para me agradar, sem saber que eu sempre a conheci, do modo real que era. Não estou aqui subestimando sua interpretação ou inteligência, não, mas eu sou diferente. Eu conheço as pessoas por detrás às máscaras e não foi diferente desta vez. Mesmo ela posteriormente ter me culpado de ter me apaixonado por esta mesma máscara. Enfim.

E não podemos voltar ao início.

Tive e tenho ainda muitas amigas: as que me conhecem de verdade e as que me vêem como eu quero ser visto. Com esta foi diferente, nunca pude me conter, não podia controlá-la, nada e talvez isso tenha me estimulado. Mas eu a perdi, como amiga, como amante, como amada, como estrela. Como rumo a voltar à vida.

Neste espaço eu choro. Não com lágrimas, mas como ações. Não digo inclusive que não amo o que amo e o que tenho, ele é meu amor e será para sempre, mas digo que além de amar eu amo. Não amo ao amor, mas amo o que ele me traz. Eu amo mais do que deveria, mesmo amando somente a um e meu amor é pluriforme, tanto quanto eu. Ora sou homem, ora besta, ora meio-homem inteiro.

Minha sina é amar quem ama os outros, tem sido assim por muito tempo.

Me permita ser a mulher que você quer amar, o médico que o atrai, o abrigo que o consola, o intelectual, o anjo que lhe pareço, o barítono que toca seu sexo, o vampiro, mas principalmente me deixe ser eu.

Este é apenas o começo de uma nova fase, já que noite passada também sonhei com uma aranha andante de cabeça para baixo.


Em tempo para quem não associou o título ao post, eu a conheci no Hawai.



Um comentário:

Luiz disse...

Impressionante como tuas palavras conseguem a delicadeza e agressividade num curto espaço de tempo.

Sinceramente gostei muito do que li, de fato não é novidade alguma. Mas neste principalmente vi uma genialidade artística incomum.

Mas esta sina que tu se aproprias, talvez seja o real código da Terra, o que une a humanidade.

Bem expresso, bem representado.