5.19.2012

POEMA 20 - Pablo Neruda


Vinte poemas de amor e uma canção desesperada



Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Escrever por exemplo:
A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância
Gira o vento da noite pelo céu e canta
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Eu a quiz e por vezes ela também me quiz
Em noites como esta, apertei-a em meus braços
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito
Ela me quiz e as vezes eu também a queria
Como não ter amado seus grandes olhos fixos ?
Posso escrever os versos mais lindos esta noite
Pensar que não a tenho
Sentir que já a perdi
Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela
E cai o verso na alma como orvalho no trigo
Que importa se não pode o meu amor guardá-la ?
A noite está estrelada e ela não está comigo
Isso é tudo
A distância alguém canta. A distância
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Para tê-la mais perto meu olhar a procura
Meu coração procura-a, ela não está comigo
A mesma noite faz brancas as mesmas árvores
Já não somos os mesmos que antes havíamos sido
Já não a quero, é certo
Porém quanto a queria !
A minha voz no vento ia tocar-lhe o ouvido
De outro. será de outro
Como antes de meus beijos
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos
Já não a quero, é certo,
Porém talvez a queira
Ah ! é tão curto o amor, tão demorado o olvido
Porque em noites como esta
Eu a apertei em meus braços,
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Mesmo que seja a última esta dor que me causa
E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito.

Ao mestre.

Tenho pensado em você. 

Em você e nos outros, mais do que deveria. Como eu disse, uma mulher pode amar a vários homens porém quando um homem ama a várias mulheres ele se torna sujo. É como estou, sujo. Polígamo, emocionalmente. Penso em você e penso nos outros, na outra. Naquela que se fez passar por homem - Shakespearyano, assumo - para se aproximar, mas que desde o começo eu sabia quem era. Penso em Byron, Poe, Shaw, Chapman, Churchill. 

Penso no meu Legado, no meu nome, no que nada herdei ainda.

Penso agora nas jovens corujas que nunca alcançaram seu destino, ao entregar minhas mensagens de amor aos meus amantes, elas mesmas optavam pelo suicídio por considerarem profano o que eu fazia. Jovens corujas, sapos, serpentes, gaviões, lobos... Todos mortos. Todos me desprezavam e Todos queriam me proteger do que não pude ouví-los. Minha mãe alertou, meu pai precificou cada erro que cometi.

Nesta hora, não há paz. Mãe, Pai, servos, mensagens, lágrimas, exposição. Há uma incognição de alma e vontade de recriar. Usei de Neruda pois acabei de mandar isso por mensagem a um deles, poderia ter incluso Cardenal mas achei que seria dar muita razão ao amor que não se foi. No final escrevo mais por mim mesmo - e por meus egos. Olivia já me alertara que eu tão cedo morrerei de amores. Não por falta e sim por excesso.

Oeste, é para onde irei.


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