10.15.2011

Mudanças


Mudam-se os Tempos, muda-se a vontade.
Muda-se o ser, muda-se a confiança.
Todo mundo é composto de mudanças, 
tomando sempre novas qualidades.

Mestre Camões


Confesso que me sinto mudado. Nos pensamentos, ações pequenas, ad amorem et expelia. Há algo de brutalmente novo em sentir-se confortado, seja com um toque ou com uma palavra doce orientada. Mais interações, menos rancor, mais projeções e planos a serem efetivados. Nova noite para abstrações. Lua cheia para contemplar. Trabalho a ser realizado para que a cama seja compartilhada. Nada é mais suave que a sensação do despertar.

Neste momento, ao bebericar do meu café envenenado, eu concluo: não há prazer sensato que me torne mais humano. Não nego o quanto preciso dele (e dela e disso) e não temo dizer a infinitude disso. Incentivado estou a escrever, ler, sentir o doce aroma da fútil intelectualidade que me atrai. 

Preciso do Sabujo de Deus. Preciso de mim mesmo. Preciso sentir os pêlos que roçam em meu peito. A carne branca de que me alimento e o sangue que esvai de suas costas quando eu as dilacero parcialmente. Minha sociedade para com os mortos exige de mim mais do que ofereço. E, não é por isso, que deixarei que parta. Preciso da rosa que se abre no meio das suas pernas, cheirá-la, prová-la, tomar dela.
Preciso forçar você contra mim. Nada seu pode ser escondido de mim, eu vejo o que quer que for, de onde estou e para onde vou. 

Minha delicadeza cai como minha máscara humana.


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