1.01.2012

Réveillon


Para que serve o réveillon?



Entendo que era para festejar a passagem de ano e os novos votos, mas para que ele serve realmente? Talvez eu esteja frustrado porque o meu não rendeu os frutos que eu esperava, admito. Há quatro anos eu acompanho este processo de fireworks e hugs a desconhecidos e a cada ano parece que as coisas mutam de uma forma desordenada. Neste de ontem então, nem se fala. 
Eu poderia ter ido mais longe, poderia ter assistido de cima, da melhor vista mas me entreti junto aos outros - maldita hora. 

Acredito que se eu, naquele momento, tivesse mostrado um décimo do meu dom não estaria eu aqui agora, desorientado por ter perdido um grande amor. 
Cada cor que subia ao céu iluminava parte do meu coração, porém, passado este maravilhoso espetáculo, cada cor desbotou e se associou à mágoa e insanidade, tornando-se algo violentamente arrebatador. 

Eu o abracei mas não o beijei. Fiquei devendo-lhe o primeiro beijo do ano de Dois Mil e Doze naquele clima perfeito. Parte por vergonha parte por exposição. Não são todos que, mesmo em pleno século XXI e em terreno público, admitem beijos entre homens. Principalmente quando a família está nas proximidades, é aquele medo mesmo sabendo que eles sabem de tudo. 

Porém eu o abracei, vanglorio-me! Fiquei abraçado durante os dezessete minutos em que explosivos iam ao céu e se tornavam sonhos. Cores misturavam e tingiam o mar logo abaixo. E aquele calor, aquele cheiro, aquela sensação de proteção, Tudo aquilo me exauriu da forma mais bonita que eu pude perceber posteriormente. Então eu estraguei tudo, com minha sutileza de um patrono elefante idoso prestes a morrer.

Dei as costas a ele e parti, após uma acalorada discussão. Nunca deveria ter feito isso porque além de desrespeitá-lo eu o ofendi. Dei as costas a quem amo e aquele gesto significou minha despedida do seu coração. Perdoa-me, Céus, pela insanidade e Poe nunca fez - paradoxalmente - tanto sentido. Tenho vivido na Loucura acreditando ser realidade e quando me estabeleço são, ela se rompe.


Agora, que não passei pelo teste, envolvo outras almas enquanto falo. Não poderia amá-lo menos, seja reveillon ou qualquer outro dia. Perco-me no que sou quando não estou com ele. Amar é estar com o outro onde quer que ele esteja.




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