11.01.2012

A consequência de uma Alma partida


Tenho sido um tolo ao acreditar nos sentimentos vazios de amigos descartáveis. Não passam de subterfúgios para minha sub-existência infundada. Confesso que sei que o erro começa em mim, por permití-los. Normal, quem não quer ser aceito na data de hoje? Quem não quer saber de verdade como é viver na Luz? Principalmente para alguém que se alimenta da Noite como eu.

O que mais me incomoda não é permití-los, e sim nunca esquecê-los. Não consigo, mesmo quando sei que devo. Muitos me magoaram, muitos me devastaram e muitos me fizeram optar pela morte definitiva. Por apenas quatro deles eu Cai na Abdicação. Supliquei pela Abdicação, in veritas. E no final, não valeram uma pena lançada à fogueira. Mas, mesmo sabendo o quão mal eles me fazem, eu ainda suplico. Protejo-os sem que saibam, velo por eles, velejo além-mar para vê-los, incógnito nas sombras como sempre fora.

Ai vem o outro lado que meu grande e verdadeiro amigo, A Estrela da Tarde, sempre cita: "- você os perde porque não os deixa conhecê-lo.". Ele tem razão. Não posso deixar. Houve um tempo em que as raças se mesclavam e destas uniões grandes formas nasceram. Este tempo se foi, há muito tempo e não há mais nos dias de hoje esta subjeção.

Talvez, como um Serafim, eu assuma várias formas. Formas que me comprometam, formas que me beneficiem, formas atemporais. Mas a maior parte do tempo sou realmente sem forma. Vivo em Tempo e não em Espaço.

Outro dia, um 'amigo' diz que eu vivo uma Fantasia. Mal sabe ele que o que crio é a mais pura e condensada verdade e que esta verdade, assim como a Noite, é a única coisa que pode me fazer continuar existindo. Está ai mais um dos males do ser humano: a descrença nos seus deuses. É a reafirmação que sempre coloco em questão: mostrar-se 10% para que não vejam os outros 90% e que, ainda, considerem dos 10%, 2% real. É nossa vantagem, o ser humano não crê nele mesmo e sempre acham-se maiores e melhores do que os outros, porque não aproveitar esta enorme fraqueza para nos colocar de forma evidente em seu plano? É a melhor ideia que um Ancião já teve, acho que começou com o deus dos Hebreus.

Nos incluir em sua história, em sua existência, em seus medos e seus maiores desejos como algo intangível quando, na verdade, estamos sempre entre vocês. Evidentemente, mas que, com seus olhos sujos e auto-reflexivos, não nos vejam e continuem a sonhar conosco. É um prazer criar esta fantasia real, a não ser quando o próprio criador se deixa levar por ela, como eu fiz. Não soube delimitar até onde eu poderia chegar e acabei indo longe demais. Assumi seus sentimentos, suas fraquezas, sua falta de virtude e elevei ao expoente máximo que minha raça permite. Me tornei pária, fraco e decaí. Não somente por amor mas por vaidade. E a vaidade me consome feito o fogo que temo, mesmo sendo agora, mais forte que ele.

Acho que me desviei do assunto principal.

Enfim, eles vem e vão. Eu fico. Um poeta pobre disse uma vez "Eles passam por mim. Eles deixam algo deles e levam consigo algo meu." Talvez se referisse à bebida ou sexo, eu assumo como Alma. É como acontece. Eles levam parte de minha alma consigo. Por menores que sejam, por mais humanos que sejam, medíocres, mentirosos, sujos, criminosos e descrentes. E eu na minha posição, ao invés de esquecer, mantenho na recordação cada mácula, cada ferida. Peso cada uma das penas que não tenho mais porque cedi, para seus desejos. E adivinhem, eu estou mais sujo do que todos eles juntos.



Sinto falta do tempo que não havia mais ninguém no mundo, apenas nós, vagando sem forma e criando..

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