11.28.2012

Saída do trabalho


19:35 - Hora de deixar o trabalho.

Já havia passado mais de quatro horas do meu expediente normal, mas, por problemas internos não consegui deixar de cumprir minha missão profissional. Enfim, sai. Dirigi-me ao banheiro, lavei as mãos, hidratei-as e segui em direção às escadas. Cumprimentei alguns colegas, expliquei a diferença entre Buscopan e Buscofen a uma recepcionista e segui em direção ao coffe shop - local de saída especial da diretoria e chefes de setores.

Sai em direção ao estacionamento, destravei o carro - uma Pajero - e entrei. Joguei a bolsa literalmente de lado, no banco do carona, fiz uma ligação que não deu resultado e girei a chave do carro. Peguei um retorno para seguir à minha casa, coloquei um pendrive com músicas que costumo ouvir para relaxar (Sigur Rós, Sheila Chandra, Aimee Allen, Sarah Mchlaghan, Sade, Irfan, Caprice, Daemonia Nymphe e afins), o cinto de segurança e sai do hospital. Desta vez, até o dia seguinte. Troquei algumas mensagens pelo celular enquanto ouvia música e simplesmente abstrai. Sequer notei que meus amigos estavam comigo, no banco de trás, me incentivando depois de um dia dificil. Desculpei-me com eles e me despedi deles: minha cabeça doía demais para manter laços espirituais àquela hora.

Durante todo o trajeto de volta, pensei em você - principalmente nos túneis. Traduzindo as músicas em islandês da banda Sigur Rós, parece que só ouvia seu nome. Por várias vezes perdi a concentração ao volante e precisei me reestabelecer. Chorei, bastante. Sorri, algumas vezes quando me lembrava de fatos engraçados. Peguei um tráfego intenso na volta pra casa mas finalmente cheguei. Com um aperto no coração pois sentia que faltavam algumas coisas: alguém me esperando, comida pronta, alguém pra ajudar no banho, fazer uma massagem, ouvir sobre o meu dia extremamente cansativo e arriscado e um gato enroscando em minhas pernas.

Não havia ninguém, a não ser os mesmos amigos que dispensei pela estafa mental mas que me acompanharam.

Agora sento aqui e descrevo como simplesmente tudo teria sido diferente se eu tivesse para quem voltar...

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