10.08.2013

Telefone supostamente atendido por um desconhecido


Telefone chamando:

- Alô.
- Oi. Tudo bem?
- Sim e você?
- Não. Não dá mais para suportar. Tentei, batalhei, fiz de meu mundo um palco para sua felicidade estonteante e minha vida se tornou tua. Briguei pela gente e me fiz um homem melhor. Fui deserdado, perdi bens, valores, princípios. Fiz tudo do mais impossível, construí sonhos, uma morada, afazeres. Permiti que meus amigos se tornassem seus, minha família também. Perdi outros amigos que tanto amava para que você se sentisse bem e não precisasse sentir ciúmes. Dormi pensando em você e no dia seguinte meus problemas me mataram. Pedi para que você dormisse e sonhasse comigo, coisa que você não o fez. Revelei parte do meu nome oculto para que o protegesse. Ganhei experiência, li seus livros, vi seus filmes, compartilhamos encontros e refeições rápidas. Trocamos presentes simples e extremamente valiosos. Conhecemos parte do nosso mundinho juntos e eu o beijei em público. Trocamos alianças, carinho, afeto. Também brigamos e nos exasperamos em demasia. Passamos reveillon juntos e no último estávamos separados. Falhei com você onde nunca poderia. Tu falhaste comigo onde jamais deveria. Não sei se concretizamos sonhos mas sei que os erguemos de pouca base.
Au fait, descobri que não poderia viver sem você mas que você poderá sempre viver sem mim. Por este motivo eu estou o deixando. Liberto. Não me terá mais. Não me procure. Não seja injusto comigo. Ou seja, mas não seja consigo. Não posso mais suportar este amor, ele me sufoca e dilacera. Não posso mais.
Nos tornamos desconhecidos um para o outro de agora em diante. Te desejo sorte na vida e que algum outro homem possa dar-te o que não pude, sinceramente. Meu amor não acaba aqui mas ele não pode continuar deste jeito, espero que entenda. Espero que entenda também a minha razão de não dizer pessoalmente, queria evitar o constrangimento do contato visual. Nunca neguei que sou fraco, reafirmo agora, por isso não conseguiria romper. Neste momento, está. Cuide-se e tenha uma longa e boa vida.

Ouve-se choro ao telefone, sou eu, debulhado em lágrimas de sangue gelado, que cortam a face e o coração enquanto escorrem.




You and I - Washed Out



(Personified [repeat])
Holding soft, to holding back, to keep his own heart.
All in all, you need to learn to let it go. Feelings for her...

For all you know.
You keep yourself from rising tone, no future holds.
Slowly look up, you're looking hard to find love.
Low key, fatal tune.

Hold me, you know this wasn't planned.
Hold me close, you'll hold.
Hold me now, to keep it all in sand.
Hold fire, you'll hold.

Under unnatural circumstances, I forget about your vain pretenses.
But if you want to recreate the sea, another sky for me, I got you.
Under unnatural circumstances, I forget all of your vain pretenses.
But if you want to recreate for me, another sky and see, I got you.

(Personify)

So hold me, you know this wasn't planned.
Hold me close, you'll hold.
Hold me now, to keep it all in sand.
So hold fire, you'll hold.
 
 

10.01.2013

Dízimo

Bertil Nilsson, homotography blogspot

O dízimo da magia é a dor.

Passei tanto tempo sentindo dor, sem perceber, que a magia se tornou algo natural. Digno. Mesmo não sendo.

Hoje, entregando minha dor à indiferença, não há mais milagres ou reconhecimento. Há apenas uma paz fingida, ocultando um mal maior.

Algo inumano no desespero, algo sombrio, algo que se refrigera na desesperança.

A esperança é o alimento do desespero, sempre será.

9.28.2013

A Síndrome do coração partido existe sim


Bukowski tinha razão quando disse:
"
... E quando o amor veio a nós pela segunda vez
E mentiu para nós pela segunda vez,
Decidimos nunca mais amar novamente.
Isso era justo,
Justo com a gente
E justo com o amor mesmo."

É a lei absoluta de todo o amor não correspondido, quando uma dama dá espaço à outra, a primeira se vai. Logo, a segunda está disposta a te/se destruir também. 

Havia uma última esperança para mim, uma última tentativa, uma última iniciativa e esta também declinou vertiginosamente num penhasco lúgubre, tal qual o que espera cá embaixo é a mesma deformidade emocional do que a que o dispensou lá acima. Mais uma alma perdida, tocada pela mão do demônio - que acá se revela - e, portanto, mais um pecado a manchar a estirpe. 

Outra vez o caminho do Oeste não parece tão acolhedor mas será o buscado.