4.25.2014

Envy - Chevelle


How will this pain out?
Search and wish, so loud,
Keep a candle burning,
To each his own shall learn.

Before i turn in envy, i learn through sorrow,
I' turn in envy and go to the wall

See how the colours run? and feel your sunday rest,
Give me a name, ring it in, some change is for the best.

Oh i may not win the race,
I may not reach the top,
Oh i may not live your way,
Doesnt mean im stuck here,

We may not fit the mold,
Kind of going off now,
The medicine inside takes? a stronger hold.

As we turn in envy, i learn through sorrow,
I turn in envy and go to the wall.

Before i learn in envy, i learn through sorrow,
I learn in envy and go to the wall to the wall,

To the wall, to the wall, to the wall, to the wall, to the wall


3.02.2014

Eis que eu preciso passar por cima de mim mesmo, por cima de meu amor próprio


Num delicioso crepúsculo de um dia que havia sido agradável, algo se movimentava no ar de maneira a querer demonstrar que eu deveria me preparar. Logo, seria convocado e precisaria exercer minha autoridade. Bom, havia muito que eu esperava esta oportunidade mais uma vez.

Lembro bem de já estar ciente quando meu celular notificou uma mensagem de texto dizendo somente “SOCORRO”. Não era um número conhecido mas eu sabia a quem pertencia. Era alguém a quem eu havia oferecido meu coração, muito tempo antes e que agora já não me pertencia mais. Alguém que eu realmente amava e que agora disporia de outro em sua cama, sua vida, sua essência, sua compreensão, sua cumplicidade, sua admiração e seu amor. Eu precisava aprender a lidar com isso ainda. A mensagem pedia socorro mas eu sabia que não era pra ele, diretamente. Há muito também eu havia criado o alfabeto simpático e dessa maneira, saber o que estava passando desde a saúde à atividade emocional desse ser. Me despi e me marquei, deixando assim indelével em mim sua magnitude. Tratei de responder à mensagem com um “Já estou indo, aguarde-me defronte ao portão de sua casa. Sei o que se passa”. E sabia, por isso ele me convocara em ajuda.

Esse seu novo consorte havia sido vítima de um incidente brutal, violento, nas ruas. Havia sido ferido por sua opção e seu meio de vida, depredada a sua dignidade, marcado seu corpo e fundamentalmente sua alma dilacerada havia sido a pior parte. Ele havia sido encontrado violentado, agredido e semiconsciente e no âmbito da sua pouca razão, pedia socorro com seus olhos encharcados de sangue. Como havia sido encontrado pelo seu próprio amante, meu outrora, a única opção seria evocar esse mal – que vos escreve – para ajudar. Médicos curariam as feridas externas, gradualmente, disso sabemos. Porém, tanto ele quanto todos – e aparentemente seu novo consorte – sabiam que eu poderia mais. Talvez minha reputação me precedesse indistintamente. Bem, eis que ele havia sido levado até à casa de meu precioso amor e lá estavam todos, a aguardar. Nesse ínterim de ler a mensagem e responder, eu já me preparava para ter com eles. Um caminho que naturalmente levaria uma hora eu faço em dois minutos, apenas por vaidade, por querer aproveitar sempre da beleza noturna que preenche e desloca. É fascinante perceber que ano após ano, século após século, minhas estrelas continuam imparciais e imóveis levando a crer que somente os que estão aqui embaixo se percebem mudar com o tempo.

Mensagem enviada, pego um casaco, me deixo cair do sexto andar que moro para o chão, diretamente, mas sabendo que antes mesmo de chegar à altura do quinto andar eu já havia ascendido, na mesma velocidade que o vento ganha do tempo na curva. Lá do alto as coisas são vistas como realmente são: pequenas e sujas. Despreocupado durante todo este tempo, eu apenas flutuei até onde deveria e, como sabia que estaria a me aguardar impacientemente onde eu havia mandado, pousei à uma certa distância – segura o suficiente para não ser atormentado. Ele, ao me ver e em seu próprio estado de pranto e dor, conferia sua confiança no olhar e eu me alimentei daquilo como uma seiva dourada da Cidadela Prateada que há muito eu não via. Deixei-me inebriar por aquele aroma, aquela delicadeza, aquela fragilidade, tudo aquilo que outrora fora meu e que agora pertencia a um humano frágil e que dependia da minha benevolência para continuar vivo. Eis a prova da dignidade e condescendência que me sempre é aplicada!

Fomos juntos até o seu quarto, onde repousava um corpo quase dormente de um jovem homem que eu já acompanhei durante uma noite, para observar atitudes e hesitações. Um homem comum, que não era em nada especial a ninguém, nem a si mesmo mas que agora era ao meu amado. Um molde de barro como todos os outros. Barro quebrado que eu, controversamente, precisaria consertar. Era uma lástima vê-lo tão ferido e ensanguentado e mesmo nesse frenesi eu não pensava em outra coisa a não ser em meu amor. Esse pedaço de barro estava realmente machucado em todos os locais que eram alcançáveis pelos olhos, ainda que pelos mais despreparados, mas havia uma falha em sua alma que seria o pior a ser reparado. Havia já uma necessidade de pedir pela morte – como sempre, humanos são fracos o suficiente para desistirem da luta antes mesmo de conhecerem um por cento da dor – algo que eu não permitiria acontecer. Sim, eu desejava me livrar daquilo mas sabia o quanto isso ia magoar aquele que amo. Não há aqui humildade, não, há apenas egoísmo em querê-lo bem e feliz mesmo que para isso precisasse passar por cima de mim mesmo. O amor é algo engraçado, a gente ama mesmo quando não é amado e sabe que, mesmo que não seja retribuído, faria tudo por esse amor. O amor é tolo ou tolos são os que amam?

Pedi que nos deixássemos a sós, apenas aquela peça quebrada e eu, no quarto. No seu nível de consciência eu sabia que poderia agir como quisesse que não seria observado, retaliado ou julgado. Pedi que meu amor nos deixasse também porque não aguentava mais ver o sofrimento estampado naquela bela face que eu beijei tantas vezes pela noite e outras tantas pela manhã. Deitado lá, aquele homem apenas esperava sua vez no trem que sobe aos céus e eu precisaria ser o condutor de volta dele.

Tirei todas as suas roupas – ou o que sobrara delas, farrapos e sangue coagulado – peguei uma pequena compressa que havia ao lado da cama e limpei a testa dele, para remover todos os traços de sujeira que havia ali. Ele ardia e palpitava, além de esforçar para permanecer respirando. Era sim, confesso, uma visão lastimável e ao mesmo tempo belíssima de como compreender a humanidade: um homem quando agride um homem, passa a ser mais homem? Mais poderoso? Mais parecido conosco?

No seu corpo débil havia tanta ferida quanto era possível perceber, ossos quebrados, marcas, manchas, escoriações, sujidade. E mais, em sua alma havia sede de plenitude. Nesse momento percebi e perscrutei que não seria capaz de pedir ajuda para esse feito, como já havia feito antes. Teria de agir sozinho para nossa própria proteção e porque não poderia dividir esse peso, nem mesmo com meu melhor amigo que sempre me acompanha onde quer que eu vá. Decidi o que haveria de ser feito, remoldado, criado, consertado e o fiz, passando minha língua por todo o seu corpo, fechando as feridas, desmarcando as áreas marcadas, desfazendo o mal. Em poucos minutos o corpo havia sido completamente reabilitado e não havia mais um vestígio sequer da violência. Porém, sua alma continuava reclusa em algum canto escuro onde não pretendia sair. Precisei então invadir sua alma, com uma pequena palavra eu abri seu coração e sua mente e entrei, vendo tudo o que havia acontecido, seu passado, seu presente, seu futuro, suas intenções. Tudo o que eu deveria ter evitado eu precisei enfrentar para consertar aquela criatura. Desci até esse canto encoberto e o peguei pela mão, trazendo-o de volta à luz, desfazendo memórias e medos. Assim ele voltou a si, ainda debilitado pela intensidade mas já fora de risco e então pedi para que os outros entrassem novamente e se portassem a cuidar dele, mas que não havia com o que se preocupar e eu não poderia fazer nada mais – ou melhor – do que havia já feito. Percebi nesse momento que havia me exposto e que, consertando a peça quebrada, eu jamais teria meu amor novamente e, ao mesmo tempo, percebi o quanto ele amadureceu e aprendeu. Lógico, essa depressão instalada em mim precisaria ser sanada brevemente. Deixei-os todos com o paciente e sequer perceberam quando eu sai.

Havia em mim ainda a raiva por ter sido fraco, complacente com aquilo tudo. Teria sido eu o salvador de uma nova vida e o destruidor da minha própria, eu havia sido meu maior inimigo mais uma vez. Toda aquela fúria havia se instalado em mim e a dor era semelhante à própria instauração de Virgo e pensei haver somente uma maneira de desprender tudo: vingança, morte, sangue. Foi o que fiz, aproveitando-me das memórias que eu havia retirado daquela pequena criatura, persegui aqueles que o deixaram entre a vida e eu. Não muito longe dali os encontrei, se gabando de terem elevado um nível em sua humanidade.

Criaturas ainda mais débeis, belicosas, superficiais, imundas. Havia quatro deles, sentados no capô de um carro moderno, conversando e bebendo algo sujo. Nenhum deles teve tempo suficiente para saber o que aconteceu. Como um raio eu desci, despedaçando o chão, o carro, um deles que estava mais próximo. Os outros perceberam tarde demais o fogo em meus olhos e quando um deles se apressou em correr, interceptado foi por mim, esmagando sua cabeça com uma de minhas mãos. Dois haviam partido, o terceiro ousou sacar uma arma de fogo e o medo instalou-se nele quando notou que não havia efeito em mim aqueles projéteis. Esse eu queimei, da cabeça aos pés, com apenas uma palavra também. Não somos feitos de Fogo e Tempestade à toa, afinal. Então sobrara um, o líder aparente deles, com o qual eu me diverti por sua fragilidade, fazendo-o sofrer da mesma maneira que havia feito o outro sofrer ou talvez mais, porque minhas mãos afligiam também sua alma. Tenho a mais absoluta certeza de que esse sofreu, e tanto, que os anjos devem ter tapado os olhos e ouvidos para não verem-no ou ouvirem-no berrar, tamanha era minha audácia. Percebi que não ali muito distante, dois anjos observavam a cena, com um misto de pavor e curiosidade mas isso não vem ao caso agora. O importante é que o jovem estava curado, não guardara memórias sobre o que havia acontecido, seus entes estavam agradecidos por sua cura e meu amor, bom, meu amor não se importou em como eu estaria naquele momento. A vingança havia sido concretizada, ainda que não pedida e assim eu me acalmei um pouco, o suficiente apenas para poder chegar em casa e terminar minha noite.





"Ama-se a vitória difícil, porque a derrota lhe preenchia quase todo o espaço possível. E foi com o que restava que se venceu em todo ele." Vergílio Ferreira
"Em uma grande vitória, o que existe de melhor, é que ela tira do vencedor o receio de uma derrota." Friedrich Nietzsche


11.06.2013

Canta per me - Yuki Kajiura


Canta Per Me
Canta per me ne addio
Quel dolce suono
De' passati giorni
Mi sempre rammenta

La vita dell'amore
Dilette del cor mio
O felice, tu anima mia
Canta addagio...

Tempra la cetra e canta
Il inno di morte
A noi si schiude il ciel
Volano al raggio

La vita dell'amore
Dilette del cor mio
O felice, tu anima mia
Canta addio...


“Reticenticidades”


Palavras são correntes, você não pode escapar delas. Uma vez ditas, não podem ser recolhidas. Uma vez ditas, se tornarão verdade, quer queira ou não. Conhecimentos aprendidos, mesmo que em locais improváveis, se mostram eficazes e duradouros, além de edificantes. Eis que o passado retorna, o futuro não deixa brechas para um recomeço. Penso nas decisões, enquanto me delicio ouvindo Azam Ali e sua voz etérea, sem, por isso, deixar de ser marcante. Não são músicas para serem ouvidas com os ouvidos e sim com o coração, são para serem sentidas.

Penso em escrever nova carta ao meu amigo mas não sei bem o que dizer. Não posso dizer que muita coisa mudou, que estou sendo amado, que estou amando outra pessoa. Não posso discorrer sobre meu progresso, quer seja no mundo material ou espiritual. Mesmo que as coisas andem estagnadas, não significa que seja uma coisa boa. Também não posso dizer a ele que estou tentando mudar, não pretendo mentir. Posso dizer que aprendi sobre as palavras, sobre as decisões que tomamos em nossas existências, as companhias que tomamos como nossas, o que nos reflete neste e nos outros mundos, no que entregamos a alguém quando somos sinceros e dizer o que aprendi sobre retaliação e retorno. É, posso dizer que tenho aprendido bastante mesmo com meu silêncio profundo. Talvez seja bom dizer que minha alma, pela inabilidade e inaptidão ao mundo real, pode ser considerada apaziguada. Não acontece nada de bom nem de ruim, logo, nada acontece, logo, isso deve ser uma coisa boa. Posso dizer também que estou pensando em rever minhas últimas decisões, sobre quem amava e quem prometera amar e ainda poderia incluir o porquê dessas colocações – claro, sem lhe parecer pedante como de costume pois também notei que o pedantismo cai melhor nas pessoas pobres e fracas de espirito, não em deuses. Contar-lhe-ei que conheci novos poetas, novas canções, novos sentimentos (que não pretendo usá-los), novas receitas e a importância do que eu falo, para algumas pessoas em particular. Talvez até deva-lhe isso. Devo muita coisa.

A estagnação tem sua maneira positiva de dizer que você está caminhando para uma construção melhor, visto que, como diz o ditado “não se mexe em time que está ganhando”. Fora isso, nada muda. Nada nunca muda a não ser quando há um incentivo. É uma conjunção de Leis Físicas, Mentais, Espirituais, Cármicas e Pessoais.

Ou não devo dizer nada e guardar para mim estas desnecessárias experiências.