Há algum tempo encontrei uma bela dama perdida em seus caminhos ocultos. Dei-lhe o nome de Bella Donna (uma alusão à boticária) e este ato despertou uma memória emotiva na jovem que preencheu-nos de satisfação. Ela é poetisa e sempre fora, mas havia guardado para si suas crônicas tão brilhantes. Tão fascinante como pessoa, ela resolvera voltar ao cotidiano de Musa e de Obra e escrevera para mim algumas belas passagens carregadas de emoção e expressas em sangue, lágrimas e águas florais. Com a sua permissão literária ainda não concedida mas valendo-me do pressuposto da amizade, cito uma delas:
Loba
A Lua está tão linda, tão brilhante.
Ela liberta a Loba.
Loba que vivia aprisionada
No âmago do meu ser.
Em dia sou menina,
À noite sou moleca,
Nos teus sonhos musa,
Nos teus braços, mulher.
Quero sentir tua língua quente,
Minhas costas arrepiando de frio.
Quero sentir seu toque
E minha alma a sua se juntar.
Nós dois seremos um:
Deusa e deus nos tornar
Incubus e sucubus juntos a delirar.
Você vai ter febre,
Seu sangue sentirá ferver.
Quero virar uma vampira
E o seu pescoço morder.
Quero ser amada
E muito mais que isso: quero amar!
Com meu olhar te penetrar,
Meu perfume te inebriar.
Com minha boca te fazer homem e
Com o roçar da minha pele te fazer gemer,
Com a menina brincar com você e
Com a loba te surpreender.
Minhas unhas garras vão virar
E nas suas costas marcas irão deixar
Eu sou a Loba,
Mas é você quem vai uivar...
La Bella Donna
Ela está sumida, mas voltará. É como um zéphyr esta musa e assim que em novas obras eu tiver posto as mãos, torná-las-ei públicas para incentivo.
Um comentário:
Belíssimo!
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