3.23.2011

Prova de Amor

Na ensolarada manhã de Abril, o belo jovem vinha andando pelo campo, trazendo em seus fortes braços a bilha d'água fresca recém-apanhada no córrego. Tentava aqui e alí proteger-se nesta e naquela sombra das árvores que margeavam a estrada gramada. Assobiava uma melodia entre triste e alegre. Eis senão quando, do alto da colina, num só galopar, desce, com a fúria que se ascende a raça ao meio-dia, um demônio, completo e acabado, no corpo, no espírito e nos chifres. Facetamente, pôs-se a acompanhar o jovem no passo e em melodia. Ele tentou não lhe dar atenção, fingiu ignorá-lo, parou de assobiar, pensou em outra coisa. O demônio então disse, num tom de voz de ardor e sinceridade incomparáveis : " Tenho paixão por você. Amo-o como ninguém jamais amou ninguém. Não poderia viver sem você ! ". E o rapaz respondeu : " Não vejo por que alguém se apaixonaria por mim dessa maneira, eu sem graça e sem beleza, quando logo alí atrás vem meu irmão que é o homem mais lindo em Bethgarem ". O demônio olhou e não viu vivalma : " Por que me enganas dessa maneira ? " perguntou. " Não vejo ninguém ". " Bem " - respondeu o jovem rapaz - " por que queria experimentar a sua sinceridade. Se você me amasse realmente, não olharia pra trás ".

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