Eu sou o Vento...
...e zombo do Tempo.
Sou o Vento que no vazio cria a velocidade
e a inconstância.
Sou o Vento que te refresca no Verão e
congela seus filhos no Inverno.
Sou o mesmo Vento, primeiro, segundo, entreposto
o Vento infindável, reposto...
o Vento rodopiante,
sombrio,
uivante...
Sou o Vento que te acompanha na madrugada.
Sou aquele Vento que te assombra de noite :
pareço gente à sua janela quebrada.
Sou o Vento suave que inspirava e observava o Minotauro,
nas suas formas e devaneios dançantes ...
Sou o Vento forte que naufragou Ulisses,
o errante.
Sou o mesmo Vento vingativo que matou Jacinto e Leandro.
Sou eu quem não mostra meu canto.
Sou seu Vento de consolo e de Morte :
Sou o Vento que gira a Sorte,
e a Hero
e a Apollo...
Sou esse Vento marcante,
fragrante dos doze aromas.
Sou o Zéfiro sibilante,
inconstante, de outras mil formas.
Tenho cem olhos e com eles tudo vejo.
Seu Amor, seu desprezo, seu desejo...
Sou o Vento audacioso que soprou pra longe
as Penas das Asas do Anjo.
Sou o astuto, o ousado, o intempestivo.
Sou o Vento que sopra à Mão de Deus,
Sou esse que me sento ao Norte...
Sou o Vento, o Tempo e a Maré,
fundidos num só.
Sou o Vento que conhece a Eternidade,
que conhece o coração do Homem,
que viu a Lua criança ...
Sou o Vento que esvoaça belamente o cabelo da amante eterna
à beira da montanha.
Sou esse tal Vento que sopra a mesma montanha na Esperança de consolar a amante.
Sou um Vento que sussurra juras de amor a um surdo,
mostra as virtudes da vida a um cego,
e julga seus atos a um tolo.
Sou Vento em prantos,
enevoado,
mesclado com nuvem e soberba.
Sou o Vento capital.
Sou eu, o Vento, que beijou a criação
que mantém Gaia no curso,
que gelou Enheriar,
que uniu Mullspelhein e Niffellhein.
Sou o Vento das mil armas
mas que a nenhum Mal combate...
E que não é visto por olhos humanos.
Sou o Vento cinza,
que já foi soprado
que foi quisto
e não obtido.
Sou enfim,
O Vento...
e zombo do Tempo!
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