Não considero uma nova Fase Lunar. Não completamente.
Estou gasto, mes amie... Fracassadamente deixado para apodrecer sozinho. No escuro e no limo que eu mesmo cultivei para lançar meus inimigos. Meus maiores amores vão sem ao menos despedir, novos amores os tomam. Para ser sincero, estarei confessando algo a quem me lê, agora: Eu tenho uma Maldição. Uma maldição que me traz à mente tudo o que quero saber. Meus irmãos chamavam de o "dom da AnteCiência". Em termos médicos explico como uma facilidade de cognição ou aprimoramento que faz com que o individuo (ou monstro, no meu caso) tenha um melhor reflexo neurossensorial e organoléptico a uma determinada situação, i.e., aquele individuo (enfim...) antevê e reage instintivamente a mudanças abruptas e/ou subtis à sensibilidade - motora e funcional. Digerindo, é como prever uma situação. Peguem um reactivo e multipliquem por mil. Peguem este mesmo individuo (ou, esquece) e tornem-no um monstro ou fera ou demonio... este será eu. Melhor, meu dom me permite antever tanto a parte substancial deste mundo quanto a outra parte, a emotiva límbica irracional. Em suma, posso prever tudo o que quiser e as respostas a tudo vem à minha mente. Foi assim minha aprovação em tudo que fiz na vida humana, antes mesmo de ser Fera. E agora, bom, agora só piorou.
Posso ser o que chamam de sensitivo, mas não quero isso, não quero saber de coisas que me afetam tão diretamente. Meu amor tem um novo amor - é o tipo de coisa que não quero saber. Mais, eu vejo a face deste impostor emocional a cada vez que fecho os olhos. Minhas entranhas mortas e putrefatas se refrigeram e sinto uma estranha sensação de dor, coisa que tecnicamente não deveria sentir. É visceralmente enjoativo. Meu coração morto dói, minha carne suja dói, minh'alma ou o que restou dela dói, minha vista dói e mesmo com meus olhos nas sombras.
Neste momento estou mal. Mal, mau, enjoado, dolorido, agressivo, com a boca cheia de sangue por tê-la devorado internamente de rancor, minha hematolagnia dispara e meu coração está partido.
Minha mensagem aos meus amigos que lêem - e que tive a prova recentemente que lêem - é esta: Não se apaixonem, não amem, não a estes mortais. Não houve sequer um que tenha mantido a sua palavra em nos amar depois de conhecer nossa verdadeira forma. Sejam vocês quem forem, não amem. Se amem, matem-nos agora e dêem um fim a isso. Depois, se houver ainda tristeza, façam-se presentes no meu banquete onde devoraremos estes sentimentos puros e carregados, regados a sangue e vísceras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário