No momento, ignoro a Fera e passo a ser o homem que a comporta, agora, a falar.
Excepcionalmente hoje, eu sinto sua ausência. Todos o que aqui estiveram souberam como permanecer, de um jeito ou de outro e justo aquele que mais está próximo é o mais tolo a ponto de se deixar esquecer. Conflitante, principalmente, pois se busca um abraço sempre quando precisa. Como é volátil este sentimento, como é ínfimo se comparado com as próprias necessidades. Nunca esquecem deles mesmos mas esquecem de mim, não me alimentam e ainda parecem escarnecer disso. Não admito ser deixado às margens. Não mais. Perdurei muito tempo não podendo assumir por completo um amor e agora, passado todo este tempo, não voltarei atrás e te ensinarei como se faz. Não tenho tempo para pegar sua mão e trazer comigo. Na verdade, não quero isso. Este, meus amigos inexistentes e descartáveis, é o desabafo de um homem ferido.
Fadigado estou de esperar sem nenhuma noticia, atenho-me a redigir para conter a preocupação. Nunca, em outros momentos, fui abandonado como estou sendo agora e o pior, não se entende isso! Nunca precisei procurar por eles, sempre vieram a mim. Talvez precisassem mais da parte fera do que da parte homem, assumo, mas o importante é que sempre estavam. Confesso - já que o momento exige - que mesmo esforçando meu amor, meu maior ponto fraco é este, a intolerância. Não admito ser deixado, eu os deixo primeiro e tomo todas as precauções para que este fato não aconteça novamente. Estou deveras inclinado a reconhecer que não só o amor estabiliza uma relação e mesmo que meu maior amor seja evidente e que eu tenha redimido todos os pecados que eram meus e os que não eram, reconheço que posso ter tomado a decisão errada em querer recomeçar. Temo que haja arrependimentos, de ambas as partes.
Enlouqueço mas não cedo.
Não preciso que me contem o que se passa, eu sei sempre. Opto por não saber até o quanto puder. Hoje, particularmente, eu tenho vontade de sumir e abandonar novamente o que tenho. Uma certa vingança se faz necessária e como mestre que sou, penso em prosseguir. Penso, ainda não cheguei à conclusão real. Tive muitos amores nesta vida e destes, nenhum me trata como sou tratado agora. Não amei nenhum como amo agora, concordo, mas o amor vale?
Cada dia passado eu tenho mais medo do que possa acabar rompendo, brevemente, por ter a mais absoluta certeza de não estar sendo correspondido.
2 comentários:
Você é fascinante. Marca um mesmo texto com as palavras "amor" e "ódio", ditas inversas,mas que costumam caminhar lado a lado.
Eu não posso comentar muito sobre o amor.Nunca amei,não me creio capaz de amar,menos ainda em tal intensidade.Falta-me "substância"para comentar sem cometer o erro da leviandade.O que posso dizer é que,nas entrelinhas deste post percebi o quanto o conheço bem,pois percebi em ti a necessidade de ter a palavra final.
Se isso é bom?Ruim?Não sei. Só sei que acredito que reagiria de igual maneira quanto à escolha dos rumos a tomar, embora não esteja certa de que reagiria igual quanto aos demais fatos.
Beijos &paz!
Não há como expressar o que tuas palavras tão verdadeiras e poéticas causam no leitor. C'est très belle.
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