4.21.2011

O menino e o falcão

Conta a lenda que certo dia um pai falcoeiro por tradição, ou seja, criador de falcões e usado na caça, resolveu que era hora de seu filho aprender a nobre arte para prosseguir. Levou o menino à uma montanha conhecida por ser a mais promissora em engendrar falcões para a caça, de onde o próprio pai havia tomado o seu companheiro na arte. No sopé da montanha, explicou como o menino deveria escolher o ninho, batalhar com a mãe falcão se fosse necessário, avaliar os ovos e escolher o melhor filhote para a cria. E tal o menino fez, suportando todas as intempéries naturais possíveis, em busca do seu mascote e futuro meio de sobrevivência.


Com seu filhote em mãos, tomava as lições com seu pai sempre, aprendendo a como dominar e tratar o animal. Aos poucos o menino começou a notar que as lições do pai eram brutais e cruéis, dignas de pena ao que causavam aos animais. Teve pena do seu mascote e resolvera seguir um outro método de criação. Pensara ser mais agradável, humano e assim conseguir a confiança do animal.

Passou a alimentar o falcão, já crescido, no bico, a contar histórias, a aquecê-lo nas noites frias, a conversar, a ser realmente um cúmplice. Aos poucos notara que o falcão era domesticado, suave, respeitoso e digno de um bom mascote. Resolveu que era hora de chegar ao pai e contar como conseguira a façanha de treinar um animal tão revolto, de forma suave e ter chegado ao ponto de estabelecer confiança mútua. Levou o pai à presença do falcão, agora crescido e forte, porém dócil, domesticado, cúmplice do menino.

O pai se aproximou do falcão e num golpe rápido quebrou o pescoço do animal, enquanto se arrependia de ter confiado ao filho a criação de tão nobre animal. O filho não entendera e em prantos questionou a atitude do pai. Com a sabedoria comum aos nativos, ele disse: "- de que me adianta um animal que era para ser agressivo e eficaz, ser tratado e agir como doméstico? Sua função era caçar e não ser mascote. Ele aprendeu uma coisa porém esqueceu-se da mais vital para sua sobrevivência, tornou-se dependente e desnecessário para a vitalidade."

Fica ai a sugestão, mes amis.

2 comentários:

Unknown disse...

Nossa, levei um susto quando o pai quebrou o pescoço do falcão. Adorei.

Jane C. disse...

Tal como nós,humanos:se domesticados demais,para que servimos?
Bjss