5.04.2011

Malum

Entre dois males, escolho o menor. Não por medo de encarar mas por que este menor pode ser característico, intenso, fulminantemente mais interessante de ser encarado. Não se mede absolutamente um conceito, impossível, mas eu posso fazer uma opção e julgá-la correta. Não posso?
Hesitar não devo, julgar ainda é cedo, enfrentar é necessário e perder a batalha, bom, não está nos planos.
"Se no fim de tão longa-curta vida de vós me inflamasse inda o raio vivo por bem teria todo o mal que passo."¹ 


Eu sinto falta e assumo, corro o risco ainda por manter este pensamento. O claustro intelectual não me subjuga menos ainda o emocional. Minha fidelidade é exclusiva mas minhas experiências não foram e isso me torna susceptível à lembranças, mesmo que neste processo empírico eu tenha desvirtuado um bem tão precioso. Não temo o que não tenho, permaneço impassível perante a retornos - se bem que não posso chamar retorno algo que não procedeu como não deveria. Nomes sobrevoam e povoam minhas ideias mais recentes, minha marca está latejando nas costas, meus olhos buscam um subterfúgio tranquilo e minha garganta anda a procurar um doce sabor conhecido.

Fatídico destino este que nos torna Fera mas não nos permite caçar ou matar ou se alimentar. Manter a necessidade inumana é mais complexo do que criar uma estrela. Neste exacto eu recordo de palavras subtis que dizem:
"A quem nasce Feroz não importa o tom de voz."²
Este sou eu: aquele que não quer matar mas o faz, aquele que sente culpa quando não deveria, aquele que refrigera e aquilo, essencialmente, que não se permite ser.

¹ Luís de Camões em Sonetos
² Não sei a quem pertence, parafraseado por Millor Fernandes em um dos seus contos.

Um comentário:

Jane C. disse...

"Hesitar não devo, julgar ainda é cedo, enfrentar é necessário e perder a batalha, bom, não está nos planos."

Excelente!
Parece um budista falando.