Hesitar não devo, julgar ainda é cedo, enfrentar é necessário e perder a batalha, bom, não está nos planos.
"Se no fim de tão longa-curta vida de vós me inflamasse inda o raio vivo por bem teria todo o mal que passo."¹
Eu sinto falta e assumo, corro o risco ainda por manter este pensamento. O claustro intelectual não me subjuga menos ainda o emocional. Minha fidelidade é exclusiva mas minhas experiências não foram e isso me torna susceptível à lembranças, mesmo que neste processo empírico eu tenha desvirtuado um bem tão precioso. Não temo o que não tenho, permaneço impassível perante a retornos - se bem que não posso chamar retorno algo que não procedeu como não deveria. Nomes sobrevoam e povoam minhas ideias mais recentes, minha marca está latejando nas costas, meus olhos buscam um subterfúgio tranquilo e minha garganta anda a procurar um doce sabor conhecido.
Fatídico destino este que nos torna Fera mas não nos permite caçar ou matar ou se alimentar. Manter a necessidade inumana é mais complexo do que criar uma estrela. Neste exacto eu recordo de palavras subtis que dizem:
"A quem nasce Feroz não importa o tom de voz."²Este sou eu: aquele que não quer matar mas o faz, aquele que sente culpa quando não deveria, aquele que refrigera e aquilo, essencialmente, que não se permite ser.
¹ Luís de Camões em Sonetos
² Não sei a quem pertence, parafraseado por Millor Fernandes em um dos seus contos.
Um comentário:
"Hesitar não devo, julgar ainda é cedo, enfrentar é necessário e perder a batalha, bom, não está nos planos."
Excelente!
Parece um budista falando.
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