5.11.2011

Melancolia (ii)

É correto, ainda me descrevo pelo que ouço. Passado este tempo abstraído eu retorno 'e, em meu próprio país, meus pés voltam a pisar'.
Tenho estado ausente por algum tempo, imaginando como seria um retorno, alquebrado contínuo, coletando seixos foscos que deixei outrora. Poucas cousas mudaram e dentre estas não estou incluso. Meus pensamentos em partes sim, minhas necessidades evidentemente sim, minha interação com o conjunto forçadamente sim mas essencialmente eu, não.

Considerar acúmulos de posições não enaltece, au contraire.

Estou temeroso e meus olhos fraquejam, por vezes decaio inconscientemente num abismo de cores fragrantes e lá permaneço, esperando por um resgate que nunca vem. Na borda do fim encontro  um Jack-Sem-Nome e ele me acompanha, talvez ele esteja numa situação ainda pior que a minha.

Jack-Sem-Nome.

Talvez ele devesse se chamar Jack-Todos-os-Nomes por que para cada reação eu encontro-o. Ou encontro um destes. E agora, sinto falta de muitos deles e estou causticamente sendo torturado.
Não é apenas o fato de estar perdendo amigos, é estar apreciando isto. Minha concepção de isolamento tende a crescer exponencialmente nestes períodos abaláveis moralmente. Não sou como super-heróis que explicam suas Fortalezas de Solidão como proteção alheia de si - inclusive um conceito arbitrário - sou mais um anti-herói que goza de não ter a quem ferir. Ou proteger?
Meus Jacks são invulneráveis moral, fisiologica e emocionalmente e isso os torna preciosos. Lembro-me, ainda, que meus Jacks são gratos a mim justamente por isto.
"É quando as sombras ficam maiores. É quando as sombras ficam mais fortes."
E ainda meus Jacks não os Jacks reais que já tive. São traços adaptados de cada um deles, conforme minha preferência. Do Jack-Sem-Apego eu carrego uma mágoa, do Jack-Longinquo eu guardo uma doce saudade, do Jack-Fugaz eu apenas fixei a imagem, com o Jack-Secundiforme eu aprendi a mentir, com o Jack-Faz-Tudo e entendi a palavra preconceito e de todos estes Jacks e dos que não mencionei, o que mais eu superestimo hoje, é que eu nunca precisei deles mas mesmo assim me sujeitei.

Mas o assunto não é este, os Jacks ficam para depois. Talvez o que eu queira aqui deixar registrado é que a cada dia mais e mais de mim se desprende. Muito de mim se torna algo que não conheço e Tabula Rasa é algo perigoso quando se trata de mim. Não me permitiria novamente.

2 comentários:

Sofia Geboorte disse...

Sei que já devo ter comentado isso, mas reforço a idéia que me vem a mente quando leio estes teus registros. Sua sensibilidade e aquela coisa que não tem nome mas é o que te faz escrever, são muito acentuadas, tornando-o um espectro raro em meio a esses blogs "batidos". Deves investir nessa raridade que tem dentro de si. Pois mesmo quando vejo que quer expressao um sentimento empirico ou até mesmo banal, faze-o duma maneira que está acima das palavras.

Lean, do sorriso aparente disse...

Nota do autor: Por conta das intempéries do serviço de hospedagem, um comment muito importante de um amigo tão importante quanto acabou sendo deletado. Por sorte - e pelos deuses que me servem - eu sou precavido.
Deixo novamente registrado, transcrevendo:

EGO has left a new comment on your post "Melancolia (ii)":

é impressionante como vc consegue mudar a superfície e as profundezas a cada visita que eu faço aqui. essa melancolia é das coisas mais fortes que há em mim, embora meus EGOS tentem demonstrar o contrários, para os outros e para mim mesmo. minha vontade, dia após dia, é andar por um caminho como este da imagem que vejo agora, e talvez ela mude em minha próxima visita, ouvindo vozes como a que escreve nas tuas postagens, derramando-se, espalhando-se num espaço em que não se cabe, tão infinito quanto o Horizonte. andar descalço pra sentir de verdade o furor que é estar em contacto com algo como a Natureza desta imagem, sem cor, fria, melancólica, mas cheia de vida...



Posted by EGO to For Own Night at 12 May 2011 00:00