8.12.2011

Cor


Eu sou vermelho.
Vermelho como o sangue que verte de vossas veias. Como o olhar do lobo no plenilúnio. Como a mão da virgem quando se encontra. Como as vestes do dragão escondido. Como a espada do anjo do abismo.
Como um coro de vozes atormentadas em violinos estridentes, sôfregos, de tanto ajudarem a construir este mundo.
Vermelho como um altar, como um holocausto antepassado. Vermelho como a imagem da consolação. Como o corno do que habita a não-luz. Vermelho como a dor do pastor.
Como a maldição do sol ao decair o crepúsculo.
Como a escama do peixe-koi devorador de almas. Como uma serpente de flamas. Labaredas de lágrimas na face do demônio. Vermelho como você não imagina que eu seja e nunca me mostro.
Vermelho como nunca pude ser.
Vermelho como me rejeito, sempre.


2 comentários:

Luiz disse...

Apresento então Sir Luiz Conan Doyle, escrevendo um contemporâneo estudo em vermelho.

Sofia Geboorte disse...

Sou Vermelha como a noite que rasga minhas lembranças, vermelha como o sangue que me consola; vermelha como as palavras que de meu Relicário escorrem. Vermelha como a luxúria que sinto em tuas palavras!
Lindas palavras!!!