1.26.2012

Cada olhos azuis


Corro a vida atrás de olhos azuis. Não somente azuis, preciso daqueles com o tom certo do que há num riacho profundo numa manhã dos últimos dias do outono no hemisfério sul. Ou não valerão.
Olhos azuis que incendeiam a alma, que eximem a culpa, que elucidam mistérios e que te evoca ao entardecer, sabendo que poderá ir satisfeito para casa e encontrá-los.
Olhos azuis perfeitos, como feitos de lápis-lazúli ambarado, como que caídos do céu. Olhos azuis num rosto perfeito, moldando-o. Olhos azuis como os meus já foram em dado momento, antes de decidirem clarear ainda mais tornando-me o monstro que reluta acreditar no que vê. Olhos perfeitos. Um corpo perfeito.

Um corpo perfeito que vê a luz da forma exata em cada centímetro. Uma carne tão clara que parece inumana. Contornos, espaços, minha morada. A moldura perfeita para grandes olhos azuis e um coração confuso.
Olhos azuis que não viram o destino chegar, não viram o que estava por vir e deixou de se proteger quando a hora da partida chegou. Correntes, cruzes, perfumes - nada bastou além dos olhos azuis, indeléveis quando se ouve som da turbina de um avião. Talvez seja uma compensação pelo esforço, acabar num ponto ainda mais distante de como começara.

Não há mais olhos azuis ou carne branca. Tampouco um som, que seja de sua voz. Não há quase nada a se ver, quando se fecha os olhos a não ser esperar pelo reflexo de olhos azuis.

Um nome, um local, um período, um começo. Unicamente algo que não volta atrás e que aconteceu para definir que nunca poderia ter acontecido. Paradoxalmente excitante.


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