Eu o quero da mesma forma que eu o preciso. Ele sequer me vê. Conhece-me por minha fama - estranha - e por amigos em comum mas não se deu a me conhecer. Faz-me perder noites de sono, dias de vigília. Não é amor, é paixão: parte encantamento, parte revelação. Ele é doce, singelo, solitário, lindo, amável e tem uma aura que de tão bruxuleante, me estimulou. Perdi conceitos, fronteiras, decai, persisti, ousei e, no fim, ainda não tenho.
Nada sequer a não ser algumas mensagens de telefone que não valem o peso do 'sim' que eu queria. Papos envoltos em outrem, papos sem papos, eu pergunto e não sou respondido, não sou perguntado. Mas o que eu poderia querer? Nunca daria frutos mesmo. Não adiantaria mais uma mulher em minha vida. Não sou mais homem, não como era antes. Não poderia recolhê-lo para mim, minha incognição o afugentaria no primeiro instante. Tal qual foram antes os que se amedrontaram ao observar de perto as presas.
Ele é tudo o que falei e ainda mais, porque há algo oculto ali. Algo que não me deixa entrar, que não me pertence, que não me quer. Como isso é possível? Como? Por quê? Não haveria medo, fidelidade, compreensão. Não sei o que há que não o traz a mim de uma vez. Minhas investidas estão cada vez menos cortês e isso chega a me preocupar, em minutos estarei me rebaixando a implorar? Porque nossos olhos se cruzam mas ele desvia-os? Porque seu cheiro é tão suave que eu quase não o sinto? É tudo isso que me fascina? Perguntas que nunca serão respondidas pois nunca o terei. Abri mão ainda há pouco de falar sobre, mas precisei antes excretar minha frustração - mais uma vez.
Pedir sua mão não bastaria, não seria apresentável. Torno-me feio, imundo, pedante, displicente, covarde e principalmente, não consigo mais ser homem ao pensar que não o tenho ao meu lado.
Falta-me diminuir e ir para o Oeste.
Escrita há algum tempo, não havia "ido ao ar". Nos atuais, este sentimento já se fora, junto a todos os outros.

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