Há dias que não me reconheço. E há ainda outros dias em que não me vejo reflectido como sempre fora. Na maior parte do tempo não sou eu mesmo, mas não sei qual dos outros eu sou. Choro por ser humano, sem ser um efectivamente.
Durante as tardes, abstraio-me do mundo que há lá fora e me reservo apenas no meu. Vejo as pessoas como que em câmera lenta, ao passo de que o tempo parece não correr mais na mesma velocidade que corria antes, para mim. Afasto as pessoas sem ao menos tocá-las. Porém, me preocupa a forma com que elas vão.
Minha mesa permanece inabitada, sem reservas, ninguém para se sentar e tomar uma xícara de chá.
Se de todos os meus inimigos o mais perigoso for o Tempo, não temo. Sendo Vento, me torno parte dele, percorro seus caminhos e os transpasso, ao passo de que não me deixo ser tomado. Falo como já falei e hei nome Legião, pois, além de sermos muitos, somos diferentes cada um por si.
Cada qual toma seu lado, sua parte, segue suas memórias e seus atos se formam individuais. Não temo o pecado como antes mas continuo temendo o Medo. Talvez o termo para isso seja AghoraPhobias - não quero nem preciso rotular - porém de maior aceitação se faz.
Prendo meus olhos a toda e qualquer forma de vida que encontro. As desejo. De algumas, possuo. De outras, esperança. Do que mais quero, não vejo mais. Passo a ser juiz e júri. Meus recentes atos me condenam mas ainda sabendo disso, não me puno. Sei que escolhi um caminho errado há algumas semanas, meses. Sei que influencio muitas vidas, mesmo tendo perdido a maior parte dos meus poderes.
Falo com sinceridade pois tenho muito a esconder e qual não é a melhor forma do que expor? Dissera isso certa vez, "mostrar o que pouco para que o muito seja oculto, meias verdades, meias mentiras, mea culpa". Faço pessoas sofrerem, pela minha presença e principalmente pela minha ausência, me coloco à mercê da sorte neste momento. Descrevo sem detalhes o que me vêm à mente e meus dedos antigos e acabados dedilham parte da minha história que sequer entrará no tempo pela parcialidade que prossegue.
Esperança perdida na Fé que abandonei, nas pessoas que deixei o próprio tempo se encarregar de livrar de minh'alma. Não conheço outra forma de existência! Levei muitos ao túmulo, enxergo no escuro total da Lua Nova. Deixei de ser um deus quando ameacei minha própria divindade. O cheiro e o sabor do sangue me excitam, assim como a alma. Corruptor, alguns diriam. Não sirvo a ninguém senão a mim mesmo.
Acabei deixando meu ego falar e esquecendo do homem. O homem que ousaria cruzar a linha novamente? Deixar o coração falar, gritar, gemer. Recordar dos gemidos da última semana que não eram meus.
Sou um preconceito em mim mesmo porque ao mesmo tempo que sinto vontade de escrever, algo me encerra.
Persista!
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