10.16.2012

Fuga


Não sei o que dizer, tentarei mostrar enquanto reuno forças e engulo o veneno que tomei de mim, para mim, comigo, sozinho, livre de mim mesmo e cheio de outros em minha cabeça. Porque me deixei? Porque o deixei? Porque?



E não há nada de errado em não ser como vocês. Nada. Porquanto sou melhor, maior, mais poderoso. Contanto que seja visto, senão perco. Corro atrás de homens desesperados pela morte, para dar-lhes. Corro eu mesmo atrás da minha morte, que foge de mim a cada contar de Luas no Céu. Passa-me o tempo, passa-me a vontade. Há um bolor que escoa pelo canto de minha amável e admirável boca. Um veneno que busca a si mesmo, que me faz querer quebrar as presas, por ódio simples e puramente ódio. Ver-te, ler-te, desejar-te: Tudo isso precisa me ser proibido! Vós sois uma Luz que admira e eu Treva que me abasteço. Não quero mais, não preciso mais. Nove vezes Nove eu prometo que minha vida será mescla de ódio e pesar porque, por cada dia de infelicidade que vivi, haverão cem dias de desgraça aqueles que me deixaram infelizes. A começar por ti. Depois por ti e além, ti. Nomes não são importantes, sabemos de quem falamos. É uma promessa que faço pelo meu sangue, não pelo meu sexo. Minhas presas não mais tocarão, minha pele não mais será abrigo, minha luxúria será comovida e tampouco às minhas vistas terá imagem. E que o pecado original seja contemplado mil vezes de dor se descumprir mais esta promessa.

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