4.16.2013

Pequena dissertação acerca do erro cometido hoje


Como homem eu sou um tolo, débil, incapaz. Declino perante leviandades e me excitam, paradoxalmente, situações constrangedoras. Não basta ser rico, poderoso, belo e indiferente. Preciso testar estas condições no cotidiano. Não me oculto mais, mantenho-me aos holofotes. Parece que para cada esperança que acorda comigo, já é criada uma desesperança que se alimenta com o mesmo ardor inicial. É quase que uma descriação para as minhas criações, como um pássaro que nasce sabendo que será devorado por um gato, todos os dias, sem sequer ter a chance de escapar.

É como me sinto, invariavelmente, quando caio em armadilhas que já nasceram fragilizadas. Para mim, não para os meus captores. Pego-me pensando se Van Gogh, Rimbaud, Baudelaire, Poe, Doyle... Todos estes sofreram dos mesmos augúrios. Einstein. Sei que Shaw era indiferente o bastante para se manter por sobre todas estas frivolidades, assim como Wilde. Pensara eu ser indiferente o suficiente tendo aprendido com os mestres. Hoje vejo que não. Basta um olhar que meu senso de übermenschz aflore e desencadeie em mim uma necessidade de ajudar o 'próximo' - entre aspas porque não existe próximo a mim, excetuando a Morte. Basta uma pequena interferência que eu já me considero o protetor dos fracos, o herói singular de contos de fadas, o presunçoso capitão-qualquer-coisa que existe somente para determinar a justiça e aplicá-la aos merecedores. Uma besteira sem-fim, eu reconheço. Reconheço que não sou o herói nem o quero ser. Faço o que faço visando meu próprio benefício e ainda assim não o tenho. Nunca fiz nada pelo Bem Maior ou pela Felicidade Coletiva, não sou o Mister Mundo que almeja a paz mundial, não sou o estereótipo do SuperMan. 
Fui à floresta porque queria viver de verdade.
Eu queria viver profundamente e tirar toda a essência da vida.
Fazer apodrecer tudo que não era e vida, e não, quando eu morrer descobrir que não vivi.
Thoreau
Eu sou o anti-herói, o corrupto, o corruptor, o sujo, pérfido, macabro, leviano, escuro. E como isso me fascina! Sentir o medo que refrigera a alma dos que estão em meus caminhos. Não sou um anjo e sim aquele que se diverte arrancando suas asas, pelo simples prazer de vê-los incendiando e repudiando seu próprio criador. Sou antigo, vivi no aterro do mundo apenas esperando para emergir. Sou tudo isso mas ainda sofro por pequenas maledicências em que me coloco envolvido. Vejo minha vida com dois rumos, seguindo a Mão Esquerda dos deuses quando estou consciente e paralelamente, afilando minhas espada dourada e contemplando minha coroa de cristal, cedidas pelo deus-uno quando me lançou nesta maldição de mundo. Talvez esta seja a recompensa sombria dele, me ver dividido. Como que com um dos olhos furados, na dúvida sobre qual caminho escolher.

Homens pequenos, sentimentos pequenos, ocasiões pequenas. Tudo isso me estrangula a intensidade. Porque de todo o sempre esperarei recompensa pelo que faço e pelo que sou, e preciso que seja da forma que eu espero. Quero ser pago com sexo, amor puro, impuro, medo, respeito, vingança, ódio, temor, matança. Só não me permito ser recompensado com indiferença pois esta era justamente minha arma inicial.

Deixei de ser indiferente no momento que optei descer e viver aqui, mas, mesmo assim, prossigo. Nada é valioso o bastante pra mim, nem as poesias de Thoreau, nem as prosas de Henley, nem sequer os ensinamentos do Pentateuco Moshía. Nem a sangria que já me encheu a boca, nem os corpos que se deitaram em minha cama ou comigo - dos mais violentos ao mais recluso deles. Nem mesmo o dinheiro ou o que ele me compra. O conhecimento do passado, presente e futuro além das coisas da vida. Nem a aptidão inata, nem a pluriciência. NADA. Nada mais me causa algum tipo de fascinação atrevida, apenas desencanto e desilusão - todos iniciados por uma decisão minha. Nenhum homem me merece mais, nenhuma mulher, nenhum demônio. Nem me apetece estar para com eles. Da minha Fortaleza Abandonada da Solidão eu vejo o mundo e prevejo onde irá parar, mas sem me atrever a descer e acidentalmente causar uma ruptura nesta concepção de papelão.

Tudo começa em mim mas nada termina. Não estou aqui quando penso que estou, nem estou em qualquer lugar. Escrevo sobre mortes porque as desejo e decerto as conseguirei, nem que custe, uma vida. Tenho muitas e isso é meu bem e meu mal. Tenho todo o tempo do mundo e não preciso de absolutamente nada, o que significa que, não queira ser surpreendido algum dia, por alguém... Imploro por esta surpresa.


"Somos todos geniais. Mas se você passar a vida julgando um peixe pela sua capacidade de subir em árvores, ele passará a vida inteira acreditando ser estúpido." Einstein.

Nenhum comentário: