8.14.2013

Novamente, ao meu amado


Caríssimo amigo,

Escrevo a ti novamente - vês em que curto espaço de tempo? - pois fatos significantes dão agora um novo rumo à minha tão inebriada vida. Mais uma vez, permita-me omitir o interesse acerca do que sucede com você, adorável e altruísta amigo.

Acontece que eu, em conversa com um outro colega antigo, aceitei uma proposta de cunho filantrópico: hei de cuidar e orientar a população carente de um pequeno município, a pedido do jovem padre que preside a paróquia daquela região. Cuidados básicos com a saúde, ensinamentos acerca de profilaxia, algumas aulas de epidemia e higiene, orientações à maternidade e o mais que eu puder ajudar. É uma troca, amado amigo, pelo que eu já recebi de boa vontade. Não da população, é claro, uma boa parte deles sequer conhece-me, mas pelo meu grande amigo que está lá em cima. Olhando por eles. Como eu disse a ti, Ele acaba agindo por formas misteriosas e num ímpeto de exaspero, parece-me que resolveu "usar" um dos seus para me coagir - da forma mais amorosa e humilde possível - a ajudar na sua empreitada. O que é bom. Bom para mim e bom para todos.

É uma metamorfose belíssima, meu caro, o que se vê diante os olhos até do mais incrédulo.

Na questão que havia citado anteriormente e na que mais me dá trabalho e recompensa, não houve mudança significativa. Passei por alguns momentos de tensão há algumas noites que acredito já terem sido esquecidas. Volto-me, no entanto, às memórias de todas as vezes que passei por momentos de tensão. Estamos absentes um do outro, durante este período, mais por intenção minha do que acredito ser possível. Eu quero decidir, amigo, mas temo. Temo porque pude contemplar o meu futuro e sei que no mais breve, não estarei aqui. E, não estando aqui, sei exatamente o que acontecerá. Porque, meu amigo, eu posso ver além de distâncias e corações e sei - mais sinto do que sei - que o coração que eu desejo está ainda desejando outro que se fora.

Toda a minha existência será envolvida em querer quem já tem um querido?

Desta vez não me demorarei, apenas queria colocá-lo a par do que está acontecendo. Há muito mais do que isso, mas recebi o seu recado e portanto, de uma maneira sucinta e breve, redigo o que acontece de mais relevante. Breve, serei mais detalhista e acrescentarei algo vital que não conto agora mas que você, por ter os olhos que tem, já sabe o que é. Por obséquio, não espalhe a boa nova e não se altere. Não posso permitir percalços neste momento.

Considere-se fraternalmente abraçado.


Do seu menos importante e mais dedicado amigo,
Eu.




Ps: soube que o senhor foi visto numa região da antiga Escandinávia, procede? Olha lá o que anda aprontando, jovem senhor.

Nenhum comentário: