11.02.2013

Dia Dois - Sonhos


Estávamos meu avô e eu, o que eu perdi há aproximadamente nove anos, sentados em um sofá. Ambos ríamos, ele me contava algo, parecia quarenta anos mais jovem (ele falecera aos setenta e seis anos de idade). Acordei com meu terço de prata embolado na mão esquerda, sem saber como ele fora parar lá.


Havia uma grande sombra negra, alada, seis pares se não me engano, bem defronte a mi. Elevada, a uns seis pés de altura, enorme, exaltada, ameaçadoramente infringindo em mim, medos. Por um instante eu cedi e encolhi, mas, recobrei minha essência e ascendi à mesma altura, desgarrei meus trinta e seis pares de asas cobertas de olhos e encarei a sombra. Ela não parecia tão assustadora neste momento. Ela vergou suas asas, como uma concha e se tornou etérea. Eu a assombrei quando verguei as minhas ao máximo e por um instante parecia que do espaço se veria a sombra que eu causei graças a este esforço. A sombra se fora, eu retornei a mim.

Despertei.


Estava em um campo aberto, com o chão coberto de barro e lama, uma dama loura, alta e elegante falava comigo sobre alguém ao mesmo tempo que me encarava e intimidava. Era a Morte. Não a figura da morte, encapuzada e esquelética. Era a Lady Morte, a que fora criada pela mão dEle, antes de tudo. Ela portava uma foice de cabo preto e lâmina prato-cristalizada, falava comigo no nosso antigo idioma e não me ameaçava diretamente. Falava comigo sobre um homem – que supondo eu deveria conhecer – e aconselhava-me sobre ele. Recordo do nome mas não crio expectativa de saber quem é, o único homônimo que conheci jaz há alguns anos e era um dos meus melhores amigos nesta vida. Lembro que num acesso dela, por eu não reconhecer, decidiu um duelo. Ela com sua foice, eu com uma extremamente semelhante, como uma sombra, apenas sem o brilho e a magnitude da que ela própria portava.

Ela estancou para cima de mim, desviei, ela sorriu. Dissera algo sobre eu não haver mudado muito desde “aquela época”. Novo ataque, novo recuo meu, nossas foices se encontraram e o ruído abriu uma tormenta no chão de barro e lama. Ela, se aproveitando da distração, se mesclou à sombra, no chão e tentava me imobilizar. Ciente e destro, usei o bico da lâmina prato-fosca da minha foice para pregar aquela sombra ao chão e foi onde eu venci. Selei sua sombra, com a ponta da lâmina.

Não havia mais foice, a Lady estava defronte a mim, sorrindo, me incitando a recordar do nome e fazendo uma reverência como quem termina um duelo.


Estava com uma vassoura em mãos, percorrendo meu apartamento novo. Não recordo se a vassoura estava fazendo o seu trabalho, mas havia uma quantidade de insetos razoável.

Acordei perturbado.


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