6.05.2011

Libera me (ii)



"
Oh when you´re cold I'll be there to hold you tight to me.
Oh when you´re alone I'll be there by your side."

Não consigo mais me suportar.
Estes ciúmes, esta angústia, este medo bruto de estar sendo subjugado e eventualmente substituído. Tudo está me eviscerando vivo em sentimentos impuros e sujos, desprezíveis e afastando meu maior amor.
Meu pavor vago de conhecer mais do que me é mostrado me coloca na pior das posições e estou farto disso.

Farto de mentiras simples e verdades complexas, cansado de estar sempre além das possíveis limitações, castigado por pensamentos irrelevantes me coloco ao precipício amoroso a cada instante. Ouço falar num real amor que por hora me parece tão longínquo quanto minha salvação e por vezes o tenho em mãos mas não consigo reconhecê-lo. É deveras intrigante saber como enxergo melhor de longe ou quando perco. E mais causticante ainda saber que este é meu único e melhor amor.

Fico me imaginando como um deus-menor, sempre, se mostrando superior a tudo e a todos em busca de alguma provação ilimitada ou algo que possa me desafiar, não deveria desafiar o amor porém. Se houvesse algo que me fosse permitido pedir seria perdão.

Perdão meu maior amor, por ser justamente o oposto do que você precisa.

6.03.2011

Entre Ciel et Fer




Criei este vídeo na tentativa de expressar algo. Não consegui. Fui corrompido.
Chamaram-me de atormentado e misterioso, não os culpo. Este sou eu realmente e não darei o braço a torcer.

Carpe Noctem - E Nomine

Eu sou o olho da noite.
Eu sou o olho que te desperta.
Eu sou o olho sem rosto.
O poder mágico da luz sombria.

Quo vadis?
Quo vadis?
Amore orbis meo.

Eu vejo sombras piscando no sono.
Vejo através dos mundos. Os deuses acenam.
Eu vejo seu coração. Vejo seus pensamentos.
Eu vi o que eu vejo como sonhos abafados

Aproveite a noite...

Eu vejo o caos.
Vejo a ruína nas imagens no espelho da grande morte.
Eu vejo o sofrimento. Depois a miséria.
Eu vejo o que eu vi. Nem água nem pão.

Hypnos

Novamente aquele sonho. Posso sentir ainda o gosto do sangue do velho homem em minha boca, acariciando minha língua lasciva, me tomando ao êxtase como sempre acontece. Novamente no cemitério,  cruzes, aromas peculiares, criptas malacabadas e aquela sensação funesta conhecida. O velho recém-criado e abandonado, tanto que não conhecia nossas fraquezas e nossas forças, o que me remonta sempre a questionar quem o poderia ter criado. Provavelmente algum ser inferior, um espectro, prestes à se esvair e de alguma forma nobre tentando deixar um Legado que ainda acredito eu, não ter sido completado a tempo.
Lembro claramente do medo ainda humano estampado na face do velho. Um velho comum, como se o ultimo recurso de um irmão tenha sido este, nada de especial. No sonho eu precisava revelar sobre nosso dom oculto no sangue e a forma com que nos conhecemos uns aos outros assim. Nesta parte me volta o gosto daquele sangue ralo, incoerente com imagens infundadas de orgulho ferido e megalomania indecente. Lembro inclusive de ter de ensinar os sentidos básicos a ele. O que me deixou desperto no sonho foi que ele me reconhecia, mesmo nunca tendo sabido de mim.

Talvez algo que tenha ido impensado no sangue do seu criador. E mais, ele conhecia meu nome oculto-sombra. Sabia que devia respeito e temor, sabia do meu próprio grande poder e conhecimento, era infantil até neste ponto. Estranho como ele sabia tanto de mim mas tão pouco do que havia se tornado, assombrando túmulos à vespertina, arriscando a si e a nós de forma tão brutal.

No mesmo sonho havia choro de criança, talvez uma das minhas muitas vítimas mas algo que me ligava ao ambiente.

Nunca fui ao estilo 'Carpe Noctem', diga-se de passagem, logo este caminhar por entre símbolos de minha passagem não me competem algo de glorioso. Au contràire, justamente me incentivam a me moldar com a nova era. Como já dissera, tenho uma grande dificuldade de esquecer velhos hábitos mas da mesma forma me adapto à nova necessidade. Por acaso alguém estipulou que para adquirir novos conhecimentos precisamos esquecer os antigos? Creio que não. Seria impossível, no meu caso.

Bom, no sonho eu ouvia, agia, ensinava, bebia e martirizava sentimentos aleatórios. Brincava com os medos dos vivos e ateava terror à tranquilidade dos mortos. Erra quem pensa criar uma linha entre o que há de vivo e de morto, eu sou a prova disso. Erra além quem acha que uma esfera não pode interferir na outra e erra brutalmente quem desconsidera o poder por si só, extrapolando todos os limites tangíveis. No sonho. Ou talvez real.

Tenho assumido um nome recente, não um formal eu digo, destes que costumo usar para poder caminhar de certo livre mas um nome que espelha algo que eu aprendi nesta vida corrente: Icelus, conhecida entidade grega do pesadelo, irmão de Phantasós e Morpheós e todos filhos de Hypnos (segundo Ovídio) ou de Nyx (segundo Hesíodo) - na minha concepção sobre deidades, ele é algo inato, oriundo ou derivado da própria inexistência e paralelo à Phobos e Deimos primordiais - e acho que este nome está me ajudando a entender o que se passa em meus sonhos.

Com base no que tenho visto e sentido, temo meu próprio futuro. Ecos de eras passadas me assolam e talvez por tanto aprender e tentar me incluir penso que estou adquirindo a maior -ou pior - consequência do carater humano, a Consciência.

O que mais me faltaria? Começar a amar verdadeiramente? No dia que eu me aproximar disso exijo ser castigado violentamente por todos os deuses que me servem!