9.27.2013

Last Hallucination - Schwarz Stein


Last Hallucination

O jardim florido, suavemente murcho e adormecido
E o banquete quase congelado
Eu deslizo meus dedos pelo ar estático
Está na hora de eu ir...

Volto meu olhar para o céu
Ainda distante do fim deste sonho
E sem voltar para casa
Eu corro...

Deixe as pétalas de flores caindo
Queime pela eternidade
E lembre-se, eu sempre estarei com você
Em um sonho inacabável

Eu volto meu olhar para o céu
Ainda distante do fim deste sonho
Sem voltar para casa…

Deixe as pétalas de flores caindo
E queime pela a eternidade
E lembre-se, com você
Em um sonho inacabável

Então lembre: o jardim um dia acordará
E até o próximo sonho…
Até nos encontrar-mos novamente…




9.15.2013

I see my destiny - Rak Haeng Siam - The Love of Siam


- It's like when we were younger, we were so lonely because we didn't have a lot friends. And now that we are grown up, loneliness seems just so much worse.

- Why is it so bad for you?

- I don't know how to explain it. It started during the summer when i was in 8th grade.
...
- So i have one question: if we can love someone so much how will we be able to handle it the one day when we are separated? And, if being separated is a part of life, and you know about separation well, is it possible that we can love someone and never be afraid of losing them? At the same time, i was also wondering, is it possible that, we can live our entire life without loving anyone at all? That's my loneliness.

+++

- É como quando éramos jovens, éramos tão sós porque não havia um monte de amigos. E agora que estamos crescidos, a solidão parece ainda pior.

- Por que é tão ruim para você?

- Eu não sei como explicar isso. Tudo começou durante o verão, quando eu estava na 8 ª série.
...
- Então, eu tenho uma pergunta: se podemos amar tanto alguém como seremos capazes de lidar com isso um dia, quando estivermos separados? E, se a separação é uma parte da vida, e se você entende bem sobre separação, é possível que possamos amar alguém e nunca ter medo de perdê-lo? Ao mesmo tempo, eu também queria saber, é possível que possamos viver toda a nossa vida sem amar ninguém, afinal? Essa é a minha solidão.



Mew - The Love of Siam - Rak Haeng Siam
Chookiat Sakveerakul

9.02.2013

Dá-lhes a eles, o valor deles

 
Noite.
Calidamente mudando os ventos, chuvas por virem breve.

Setembro, 2013.
Estava eu, apenas sendo eu mesmo, após uma série de ocorrências de desestímulo emocional e orgânico, sentado em minha poltrona favorita, ouvindo toda a coleção de R&B que eu achei ter esquecido depois de 1990 - entre as joias, Simone, Franklin, Fitzgerald, James e conterrâneos. Tomei meu telefone e disquei, parte subconscientemente, para minha irmã. Ela atendeu do outro lado:

(Pallas) - Tava preocupada, você não dá notícias desde cedo.
(L.) - Você bem sabe que têm sido dias difíceis.
(Pallas) - Eu sei. Pode vir. Não contei, Ingrip colocou ovos depois deste tempo todo, acredita? Pode vir, apenas ela está aqui.
(Eu) - indo.

Telefone, chaves do carro, chaves do apartamento.
Durante todo o pequeno trajeto pensei no que me ocorrera nas últimas vinte e quatro horas e estava, enumerando os acontecimentos para maior fluidez ao falar. Doze, talvez quatorze, minutos depois lá estava eu. Numa interseção de dois mundos, batendo à porta da minha irmã mais ouvinte e protetora.

(Pallas) - Oi.
(Eu) - Kaliçpéra. Esqueceu os bons modos, Pallas?
(Pallas) - Não é porque você é mais velho que pensa que pode me corrigir, n'ai?
(Risos)
(Eu) - É bom te ver novamente.
(Pallas) - Verdade, entra.

Pallas era minha adorada desde sempre, minha alma gêmea mesmo sendo minha irmã. Uma querida que ajudei a surgir e desde então nos adaptamos um ao outro. Tínhamos gostos semelhantes, logo, não era difícil. O que nos diferenciava porém era a necessidade dela por ser vista enquanto eu optava por permanecer incógnito.

(Pallas) - Tu quer um chá? Não tem mais daquele que você gosta, mas tenho Earls e Ceilão. Ah, e um novo que ela trouxe dia destes, desde que veio ficar comigo este tempo. Já estamos na época? Aliróthe! Como passa.

(Eu) - Me dá qualquer coisa de beber ai, eu preferia alcoólico.
(Pallas) - Ambos sabemos que você não pode, abusado.
(Eu) - Eu sei, você não sabe de nada.
(Risos)
(Eu) - Vai este novo ai mesmo, vontade de provar coisas novas esta noite.
(Pallas) - N'ai. Senta lá na sua azul. Ainda está lá pra você e ninguém mais se senta nela.
(Eu) - Puxa, Pal. Não acredito que você ainda mantém aquela porcaria velha.

Minha poltrona favorita desde sempre, azul, com bordados de grandes feitos históricos muito antigos. Me sentei e me confortei com anos de bondade e alívio. Fiquei apenas um instante, ao me recordar, fui parabenizar Ingrip pelos ovos. 

(Eu) - Até que enfim, Ingrip. Achávamos que você nunca mais ia se decidir.

Falei para mim mesmo, a coruja apenas me contemplou e assentiu, como se entendesse. Bem, ela entendia mesmo.

(Eu) - E dois desta vez? Tem certeza disso?

Parei no momento em que minha irmã vinha com duas xícaras, torrões de açúcar mascavo e uma pequena jarra de creme de leite cremoso, numa bandeja antiga, com logicamente nosso chá.

(Eu) - Acredito que você já esteja ciente do que está acontecendo.
(Pallas) - Sim, mas preferia que você me contasse. Duas pessoas, ainda que no mesmo lugar, ao mesmo tempo, nunca contarão a mesma história da mesma maneira. É fascinante ouvir as versões. E você sabe, ela não fala muito. Só chora e bebe chá, desde que chegou.
(Eu) - Acha que devemos falar com ela?
(Pallas) - Não, melhor não. Deixe-a ruminar mais um pouco.
(Eu) - Mas Pallas, já faz milhares de milhares de anos.
(Pallas) - Você sabe bem, irmão, como dói. Graças que eu nunca passei por isso.
(Eu) - Nunca? Tem certeza?
(Risos)

Nos sentamos na varanda, noite fresca, lua boa para conversar. Eu, na minha poltrona favorita desde sempre. Minha irmã na dela, um pouco mais moderna e bruta do que a minha, com a mesa de chá entre a gente.

(Eu) - Bem, mais cedo eu passei por algumas "chatices humanas", como você chama.
(Pallas) - Tu ainda se porta a isso? Achei que depois daquele dia você estivesse fora de novo.
(Eu) - Nada, menina, é interessante e deveras intrigante. Não venha me dizer que está fora disso também, por favor.
(Pallas) - Bem, você que sabe. E ai a revista...
(Eu) - Sim, a revista. Ou você fala sozinha ou me deixa falar, ainda não perdeu este hábito?
(Pallas) - E tu ainda não perdeu o hábito de ser estressadinho? Estamos quites.
(Eu) - Então, a revista. Eu estava lá, do nada, esperando o atendimento e peguei aquela revista para passar o tempo. Uma destas que você adora ler e que eu passo longe.
(Pallas) - "Meninas com coisas de meninas". Parece que é um costume que você também não perdeu.
(Eu) - Posso continuar? Então. Peguei a revista e, folheando ocasionalmente, adivinha quem eu encontro lá? Estampado? Numa propaganda de roupa masculina de praia? Espera, não adivinha. Ele mesmo.
(Pallas) - Então ele está indo de vento em popa? Que bom hein.

E então ela fez aquela cara de que não dava a mínima, para me proteger afinal, ela sabe o quanto eu sofri e por conseguinte ela, pelo que aconteceu. Tentando não demonstrar interesse, para me poupar.

(Eu) - Pois é, Pal. Parece que sim. Fico feliz.
(Pallas) - Que seja.
(Eu) - E, como sempre, acabei causando uma infelicidade que me acompanhou durante o dia e o motivo da minha vinda aqui.
(Pallas) - Irmão, tu és meu irmão. Não é filho do meu pai ou da minha mãe, nem cria dos meus avós, mas é meu irmão desde que eu cheguei aqui, do Oceano. Tu fora meu amigo, meu companheiro, meu mentor, meu instrutor e meu salvador por várias vezes. Tu nunca precisa de motivos para vir me ver, mas por tua distância prefere não fazê-lo.
(Eu) - Pal, eu sei. Posso continuar e você voltar aos tempos modernos, efcharistó?
(Risos)
(Eu) - Continuando. Vi a foto dele e notei que ele não mudou nada. NADA, desde o acontecido. Fiquei tanto com aquilo na mente que acabou não sendo surpresa quando meu celular tocou e era ele. Diz ele que "me ouviu chamando" - claro, era verdade - mas eu não daria opção. Conversamos alguns instantes poucos a ponto apenas de me reiterar com o que acontecia, elogiar pelos trabalhos recentes, ele dizer que havia voltado para o pais há uma semana e que estava pensando em me convidar para um jantar informal, nada demais, com os pais, como fazíamos antes, pelos velhos momentos. Recusei de cara - e me arrependi.
(Pallas) - Nem acredito que você atendeu ao celular.
(Eu) - Não me julgue, apenas me ouça.
(Pallas) - Eu achei que você queria seguir em frente, irmão. Tu já não está seguindo? Não tem uma coisa nova?
(Eu) - Coisa não, um homem. Sim, tem.
(Pallas) - Também humano, eu sei.
(Eu) - Não me julgue, eu disse. Você além de velha está surda?
(Pallas) - E você além de velho está burro.
(Risos)

Tempo de beber mais uma xícara de chá, um gosto exótico, abacaxi com alguma coisa.

(Eu) - Bom, ai conversamos mais alguns instantes e eu acabei dizendo que sim. Ia encontrá-lo breve. Ele perguntou de você também.
(Pallas) - Aliróthe, culpa sua. Eu disse que era melhor esquecer tudo.
(Eu) - Nada, ouve ai. Terminamos de falar, eu fui atendido, fiz uns exames, chegamos à uma conclusão e acabei lá por mais um tempo, tomando algumas poções.
(Pallas) - Tu ainda realmente se sujeita a isso, não? Cada ano passa e você está mais imerso nisso tudo, não sei nem se o verei no próximo milênio se continuar como está. Quando é que você vai parar de viver na sua cabeça?

Havia uma complacência na sua voz, uma condescendência que eu não esperava. Minha irmã estava realmente preocupada comigo e à nossa maneira de falar, ela descobriu como eu mesmo me causava tanto mal. Tive de admitir.

(Eu) - Falei com ele, irmã, apenas. E o suficiente para que os anos viessem todos a mim de uma vez.
(Silêncio)

Durante cerca de meia hora apenas bebemos nosso chá, calmamente, sem uma palavra. Apenas ouvia-se o piado de Ingrip, orgulhosa da cria, mais nada. E então, Pallas recomeçou:

(Pallas) - Falaram e então vão se ver?
(Eu) - N'ai. No próximo final de semana. Preferi não dizer onde estava na hora da ligação e nem citei que estava mal das vísceras, apenas deixei o assunto de anos fluir.
(Pallas) - Entendo. E quais seus planos? Esquecer da coisa que está vivendo e voltar como se nada tivesse acontecido? Mais uma vez? Depois de tudo que passamos?
(Eu) - Não. Não sei... Não sei.

Verdade que eu não sabia como me sentia após aquela conversa. Notei que nunca pensei muito no que aconteceu, apenas segui adiante. Sofri bastante na época e não posso dizer que porque era uma criança, nunca pude ser uma criança. O que talvez eu tenha sentido foi remorso, pelo que matei em mim quando vivemos juntos e quando infelizmente tive de deixar de viver. Fiz muitas coisas na minha existência de não me arrependo, a não ser aqui. É uma longa história.

(Eu) - Por isso vim até você, querendo ajuda.
(Pallas) - Não posso tomar a decisão por você, sabe bem.
(Eu) - Mas é você quem governa a inteligência, não?
(Pallas) - Inteligência, não decisões. Posso mostrar o que será melhor mas não decidir por você. Nunca pude. Ainda mais com você, que é infinitamente mais velho que eu. Não confunda, irmão.
(Eu) - Eu sei, Pal. Era apenas brincadeira. Parece que sua seriedade também precisa ser trabalhada. E depois eu sou o antissocial.
(Risos)

Neste momento, nossa irmã acabou se aproximando.

(Art) - Tu, aqui?
(Eu) - Hei. Como você está? Não quis incomodar.
(Art) - Pal, por que não me chamou?

E me abraçou carinhosamente. Ainda havia lágrimas aos olhos e seu cabelo exalava tristeza e apreensão.

(Art) - Já entendi. Parece que, tirando esta daí (se referindo à Pallas) parece que nós temos o mau hábito de sofrer por amor.
(Pallas) - Hei.

Todos rimos, afinal.

(Eu) - Junte-se a nós, irmã. Estamos tomando um chá e conversando aleatoriedades.
(Art) - Não me diga, ele de novo?
(Eu) - Sim, ele.
(Art) - Pal, sirva-me. Ainda sou mais velha que você, mesmo não sendo a mais velha da sala.
(Pallas) - Se idade fosse posto...

Todos tomamos chá no fim, acabei adormecendo na minha poltrona, sonhando com acontecimentos antigos. Acordei no meio da madrugada, apenas para perceber - e me emocionar - que estávamos os três adormecidos, cada qual no seu “reino", como era antes do novo mundo. Levantei-me, cobri ambas em suas poltronas, peguei as chaves do carro e do apartamento e voltei. Não sem antes deixar uma mensagem que dizia apenas obrigado, para as duas. Sentia-me mais leve, disposto, determinado e corajoso. Havia deixado minha armadura silenciosa por lá mesmo, porém, mal sabia eu o que ainda estava por vir.

Quando a filosofia pinta cinza sobre o grisalho,
uma forma de vida já envelheceu e, com o cinza
sobre cinza não se pode rejuvenescer, apenas reconhecer;
A coruja de Minerva alça seu voo.

Magia
Presságios
Espaço e tempo.
A verdade emergira
Da luta silenciosa
Dissipando a ilusão?
Pássaro da Cura Sagrada
.
 
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1830)



 

8.15.2013

Acerca da mudez voluntária recente


Bem, não chega a ser algo digno de nota por enquanto, não até ser traçada uma meta a respeito do que pode ter sido relevante citar. É muito curto o espaço de tempo em que está sendo empregada, mas, como toda manifestação empírica deve se seguir, será comentada para incentivo pessoal de começo.

Há alguns dias, deparei-me com uma intercessão na vida em que, estagnado como estava nas questões intelectuais e oníricas, optei por ler. Li o que costumava ler quando mais jovem, HQs japonesas da minha história favorita. Encontrei um personagem que me fascinou deveras, assim como os anteriores a ele haviam me fascinado. Coloquei-me a recordar e a pensar. Na Índia, pela corrente do ascetismo - aquela na qual o senhor Buddha quase se perdeu antes de alcançar o Nirvana, quando jovem - diz-se que o Caminho da Salvação será encontrado ao deixar seu maior medo ou pecado, abstido, forma na qual, ao suplantar aquele desejo ou repulsa, será iluminado. Vimos então grandes mestres que pecaram pela gula, se sentando no meio da mata e padecendo de anorexia. Ou mestres que eram naturalmente belos e achavam isso como uma ostentação indesejosa, mergulhados em excrementos de animais, mutilações e lama. É uma corrente extremamente agressiva, sabemos, mas quando bem elaborada ainda parece justa aos moldes do século XXI.

Nesta história, conta-se que alguns guerreiros que seguem uma linha budista, se privam de um dos sentidos para conseguir concentrar sua energia. Um primeiro se privava da visão, um segundo era cego de nascença, um terceiro se privava dos movimentos de uma maneira geral. Um destes, mais antigos, se privava da fala. Achei deveras fascinante. Claro, sabemos que pelas suas respectivas magnitudes, eles se privavam dos sentidos organolépticos porém, pelo seu poder, conseguiam suplantar e substitui-los por algo mais intenso. Logo, era uma dualidade. Não tratarei desta questão. O que acontece é que eu realmente me impressionei e, como sempre, resolvi testar a lógica. Privar-me-ia da fala também ao máximo que pudesse.

Este guerreiros vivem num mundo infinitamente longe e diferente do meu (mesmo que vivam na minha terra de origem) então eu teria de maneirar onde poderia. Comecei traçando metas de como faria isso, depois, investi. Consegui proezas que antes supunha inimagináveis e me abstive da comunicação verbal por um dia inteiro. Por uma ironia do destino, acabei padecendo de uma anomalia fisiológica que, fatidicamente, deu-me um motivo para perdurar na abstenção do sentido. Parecia providencial!

Mais um dia inteiro sem sequer uma palavra falada. Logo mais um.

Infelizmente, não pude continuar na retidão absoluta das palavras, pela minha questão profissional e afim. O que me vale é que a técnica, antes impensada e até repudiada pelo que conhecia do ascetismo, valeu muito mais do que eu poderia imaginar. Tornei-me mais puro, mais seletivo nos pensamentos, menos disperso, mais intenso, mais íntegro, menos agressivo e rude, mais quieto e efetivamente um poder estranho nascia dentro de mim. Eu, pela minha origem, sou feito do Verbo que é criado e falado, logo, por esta essência, este empreendimento me pareceu uma deliciosa fuga e uma prazerosa maneira de me abster das origens.

Passado este tempo, ainda mantenho uma educação verbal. Esta experiência realmente me mudou. Tão logo eu possa, serei radical novamente e passarei dias a fio sem pronunciar uma palavra sequer. Quero ver até onde eu posso chegar na convicção e o quanto de poder eu posso acumular.

Shijima, Asmita e Shaka - Cavaleiros da Constelação Zodiacal de Virgem. O primeiro se absteve da fala, o segundo era cego de nascença e o terceiro se privou da visão.