5.29.2011

Famíliares

Oh Lords! Fico lisonjeado e agradecido pela bela obra Noite que tive. Não poderia ter sido melhor como nunca é, nunca será e sempre poderá ser.

Mais e mais venham!

5.25.2011

Morri

Desci ao inferno,
olhei para o céu
e apenas vi o negrume de minha alma sendo destruída.
Meus pensamentos reprimidos,
senti a dor de meus próprios pensamentos distorcidos,
sem liberdade para pensar.
Passo todo este tempo com medo do mundo,
sou repugnante,
sinto-me repugnante.
Tento esconder as minhas cicatrizes de todos
mas não consigo evitar ficar cada vez com mais.
Sento-me no canto da sala,
Nojento,
Escuro,
Sujo,
Meu corpo confunde-se agora com toda a carne pútrida de quem
me rodeia.
Fecho os olhos,
respiro este ar infestado,
a podridão invade-me, enquanto caminho,
cada vez mais,
para o recanto mais profundo do inferno.

- não sei a quem pertence, recebi há alguns anos de alguém que sinceramente não me recordo.

Franqueza

Não gosto quando sou apontado.

" - Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Vós dizeis que eu sou algo aquilo que não sou para que vós sejais maiores do que são, tornando-me alvo de sua ira e desprezo."
Não gosto quando ainda sou repreendido por erros passados. Não gosto de ser julgado ou punido. Não gosto de ser atarefado em recordar lembranças partidas e/ou esquecidas. Não gosto quando sou forçado a aceitar intempéries alheias - mesmo as das que supostamente amo. Não admito ser contrariado pois não sois mais atemporais do que eu. Nunca.
Não gosto de obrigar-me a odiar. Odeio pela minha natureza misantrópica e portanto não preciso também de incentivo. Não gosto de me sentir vigiado, violado e não gosto de ter de policiar minhas palavras, atitudes e bens anteriores. Não gosto de ser confundido com algum ser insignificante para qual não damos a devida confiança. Não suporto ser menosprezado ou subestimado. Não gosto quando sou tachado e não gosto de estar superior também. Não gosto de ser deixado de lado por ser mais inteligente ou por que imponho minha vontade até o fim. Não gosto de apaziguar delitos. Não sou de descumprir uma promessa e não gosto que pensem o contrário. Não gosto de azul, cinza, castanho e tons de pastel. Não gosto quando sou infantilizado sem motivos. Não gosto quando sou visto por tortos quando digo o que faço ou o que farei. Não gosto de muita gente e não gosto de omitir isso, digo sempre a quem perguntar. Não sou imprudente, negligente, desonesto ou irresponsável. Não gosto de meus olhos. Não gosto de muitas coisas que sou forçado a admitir mas acima de tudo não vou admitir mais o que não gosto.

Espero ter-me feito entendido.

Juri

"... e o júri ainda não havia se decidido sobre o veredicto ..."

Me sinto consternado, preciso escrever e não sei por onde começar. Perco-me em idades aleatórias sem um fundamento. Não consigo distinguir entre um azul e um cinza, não há conforto sequer humano que pudesse aplacar, agora, o que antevejo.



Encontro-me palpavelmente lacerado, incumbido ainda de cuidar de minhas próprias feridas e desamores internos. Em alguns momentos enfrento demonios em outros os evoco, peco em acreditar na fragilidade alheia, me corrompo por pouco e vejo ressoantes pesares - Nada mais indigno do que já tenho, seria inconcebível.
Não haveria palavra certa que fosse mais escura do que o sangue que se esvai, agora. Nenhuma prece alçaria maior altura do que o aroma desta infelicidade imersa em soberba indeclarada. Caso houvesse ainda luz ela seria uma mescla de melancolia em desejo e feitiçaria. 
Não há uma composição.

E de falar no que não há, esqueço do que carrego. Em vermelho, com cheiro de mil mortes puras e dez mil impuras, moldado em inverdades e vidas contrabandeadas por eras. No dia que puder ser compensado, bom, ai quando a decisão for tomada já me darei por inexistente pois serão mil mortes a responder e este peso eu não suportarei, peso contínuo até este mesmo dia. Declara-me-ei inocente, faço o que faço (e sou acusado) para continuar a existir e se é explicado assim poderei ser absolvido por eles, sabendo que nunca o serei por mim já que cada um destes ainda vive em mim. 

Comigo, sendo eu e mutando dentro de mim. Cem mil cofres com um milhão de segredos abertos, não há nada que eu não possa ver se quiser. E aprender. Eu já citei que aprendo com o poeta, o músico, o escritor, o sábio, o mendigo, o incoerente, o especialista e é assim em toda espécie de conhecimento possível. O que ofereço em troca? Meus lamentos, como faço agora. Se houvesse uma Lei real de Troca Equivalente eu seria punido. Tomo tudo e ofereço meu tudo, que não lhes vale nada.

Bom, mas quem está atrás de julgamentos nos dias de hoje, não é mesmo?